
Novo Ciclo de Risco Global e Testa a Resiliência das Economias Emergentes
Fragmentação geoeconómica, dívida elevada e transições incompletas colocam bancos centrais e governos perante escolhas cada vez mais complexas num contexto de crescimento frágil.
- Relatório OMFIF–EY identifica aumento dos riscos sistémicos globais em 2025;
- Dívida pública elevada limita margem de manobra das políticas económicas;
- Fragmentação geopolítica agrava incerteza financeira e cambial;
- Economias emergentes enfrentam maior pressão externa e fiscal;
- Credibilidade institucional surge como factor crítico de resiliência.
O relatório OMFIF–EY 2025, elaborado pelo Official Monetary and Financial Institutions Forum em parceria com a Ernst & Young, traça um retrato exigente da economia mundial, alertando para um novo ciclo de risco marcado por fragmentação geoeconómica, endividamento elevado e desafios crescentes à condução da política monetária e fiscal, com impactos particularmente sensíveis para as economias emergentes.
Fragmentação global e incerteza prolongada
O relatório sublinha que a economia global entrou numa fase de fragmentação mais profunda, em que choques geopolíticos, reconfiguração das cadeias de valor e maior uso de instrumentos económicos como armas políticas estão a aumentar a volatilidade dos mercados financeiros.
Segundo o OMFIF, esta fragmentação reduz a eficácia das políticas tradicionais e obriga bancos centrais e autoridades fiscais a operarem num ambiente em que a previsibilidade macroeconómica se tornou estruturalmente mais frágil.
Dívida elevada limita respostas de política económica
Um dos principais alertas do relatório prende-se com o nível persistentemente elevado da dívida pública e privada, que condiciona a capacidade de resposta dos governos a novos choques económicos, climáticos ou financeiros.
Em muitas economias emergentes, o peso do serviço da dívida absorve uma parcela crescente das receitas públicas, reduzindo o espaço para investimento produtivo, protecção social e adaptação climática, num contexto em que as necessidades de financiamento continuam a aumentar.
Bancos centrais entre credibilidade e pressão política
O OMFIF–EY destaca que os bancos centrais enfrentam um equilíbrio cada vez mais delicado entre o controlo da inflação, a estabilidade financeira e pressões políticas internas. A credibilidade institucional surge como um activo essencial para ancorar expectativas, sobretudo em economias com histórico de volatilidade cambial ou inflacionária.
O relatório nota ainda que a coordenação entre política monetária e política fiscal continua frágil em vários países, aumentando o risco de respostas inconsistentes a choques externos.
Economias emergentes sob maior stress
As economias emergentes surgem entre as mais expostas aos riscos identificados, devido à sua dependência de financiamento externo, vulnerabilidade cambial e menor profundidade dos mercados financeiros domésticos.
O relatório sublinha que países com instituições sólidas, quadros macroeconómicos credíveis e estratégias claras de gestão da dívida estarão melhor posicionados para enfrentar um ambiente global mais adverso.
Implicações para África e Moçambique
Embora o relatório adopte uma abordagem global, as conclusões são particularmente relevantes para África, onde desafios como dívida pública, financiamento do desenvolvimento e exposição a choques climáticos permanecem centrais.
Para países como Moçambique, o OMFIF–EY 2025 reforça a importância de consolidar a credibilidade macroeconómica, melhorar a gestão da dívida e aprofundar reformas estruturais que permitam atrair investimento produtivo e reduzir vulnerabilidades externas num contexto internacional cada vez mais exigente.
Um teste à governação económica
O relatório conclui que 2025 marca um ponto de inflexão na governação económica global, em que a capacidade de antecipação, coordenação institucional e comunicação eficaz das políticas será determinante para evitar que riscos latentes se transformem em crises sistémicas.
Num mundo mais fragmentado e financeiramente sensível, a resiliência das economias dependerá menos de respostas reactivas e mais da solidez das instituições e da qualidade das escolhas de política económica.
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