OPEP revê em baixa previsão de crescimento da procura de petróleo para 2025 e 2026

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  • Organização cita impacto das tarifas dos EUA e incerteza económica global; produção do Cazaquistão continua acima da quota imposta pela OPEP+

 

Sumário

  • Crescimento da procura global revisto para 1,30 milhões de barris/dia em 2025 e 1,28 milhões em 2026
  • Redução de 150 mil barris/dia em ambas as previsões face ao mês anterior
  • Primeira revisão em baixa desde Dezembro de 2024
  • Preço do Brent mantém-se perto dos 66 USD/barril apesar da pressão descendente
  • Produção do Cazaquistão subiu para 1,852 milhões de barris/dia, acima da quota da OPEP+


A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) cortou, pela primeira vez desde Dezembro, a sua previsão de crescimento da procura global de petróleo para 2025 e 2026. A revisão em baixa reflecte os efeitos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e um aumento da incerteza económica à escala mundial, segundo o relatório mensal divulgado esta segunda-feira.


De acordo com o documento, a OPEP estima agora que a procura global cresça 1,30 milhões de barris por dia (bpd) em 2025 e 1,28 milhões bpd em 2026 — uma redução de 150 mil barris/dia em cada ano relativamente às previsões anteriores. A Organização justifica a revisão com os dados económicos do primeiro trimestre e com os impactos crescentes das políticas comerciais norte-americanas.

As tarifas impostas pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, aliadas a um plano de aumento da produção pelos países da OPEP+ (que inclui aliados como a Rússia), contribuíram para uma pressão descendente sobre os preços do petróleo, que já caíram mais de 10% este mês. Apesar disso, o Brent manteve-se estável nos 66 dólares por barril após o anúncio de algumas exclusões tarifárias por parte de Washington.

No mesmo relatório, a OPEP reduziu ligeiramente a previsão de crescimento económico mundial para este ano (de 3,1% para 3,0%) e para 2026 (de 3,2% para 3,1%). A organização alertou que “as dinâmicas relacionadas ao comércio introduziram maior incerteza nas perspectivas de crescimento global de curto prazo”.

Apesar da revisão, a OPEP continua a apresentar estimativas de procura mais optimistas do que outras instituições, como a Agência Internacional de Energia (IEA), que prevê o pico da procura ainda nesta década, impulsionado pela transição para combustíveis mais limpos. A IEA deverá actualizar as suas previsões esta terça-feira.

Entretanto, os dados revelam que a produção conjunta da OPEP+ caiu em Março para 41,02 milhões bpd, uma redução de 37 mil barris/dia, com destaque para os cortes implementados pela Nigéria e pelo Iraque. Contudo, o Cazaquistão contrariou a tendência, elevando a sua produção para 1,852 milhões bpd — significativamente acima da sua quota de 1,468 milhões estipulada para o primeiro trimestre.

O Ministério da Energia do Cazaquistão reconheceu o incumprimento e assegurou que, em Abril, o país irá compensar parcialmente a sobreprodução. Fontes do sector indicam que a produção caiu ligeiramente nas duas primeiras semanas de Abril, mas ainda permanece acima do limite acordado.

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