
Petróleo Recua com Retoma das Cargas no Porto Russo de Novorossiysk, Enquanto Sanções Mantêm Pressão Sobre Moscovo
A normalização das exportações russas após o ataque ucraniano reduziu os receios imediatos de escassez, mas os mercados continuam atentos ao impacto de longo prazo das sanções ocidentais sobre os fluxos de crude de Moscovo, num contexto de oferta global em expansão.
- Brent cai para 63,74 USD e WTI para 59,46 USD após retoma das operações em Novorossiysk;
- Ataque ucraniano suspendera 2% da oferta global durante dois dias;
- EUA reforçam sanções sobre Rosneft e Lukoil, pressionando receitas petrolíferas da Rússia;
- Petróleo russo já negoceia com desconto significativo face aos benchmarks internacionais;
- Riscos de acumulação de crude em petroleiros aumentam com receios de violação de sanções;
- Goldman Sachs prevê descida dos preços até 2026 devido a grande onda de oferta global.
Os preços do petróleo recuaram esta terça-feira, após a Rússia ter retomado as exportações no porto estratégico de Novorossiysk, suspensas durante dois dias devido a um ataque ucraniano com drones e mísseis. Apesar da normalização operacional, os mercados continuam a avaliar o impacto acumulado das sanções ocidentais sobre os fluxos de crude russo, num contexto de oferta global em expansão e expectativas de queda dos preços nos próximos anos.
O mercado petrolífero iniciou a sessão desta terça-feira em correcção ligeira, com o Brent a descer 0,72% para 63,74 dólares por barril e o WTI a recuar 0,75% para 59,46 dólares, segundo dados das 04h20 GMT. A pressão em baixa surgiu após a confirmação de que o porto de Novorossiysk, no Mar Negro, retomou as operações de carga de crude no domingo.
A instalação, uma das mais importantes do sistema logístico russo, havia suspendido actividade por dois dias devido a um ataque ucraniano com drones e mísseis.
Novorossiysk e o terminal vizinho do Caspian Pipeline Consortium (CPC) representam cerca de 2,2 milhões de barris por dia — aproximadamente 2% da oferta global de crude. A paralisação fez os preços dispararem mais de 2% na sexta-feira, mas a retoma antecipada aliviou tensões imediatas do lado da oferta.
O analista Tony Sycamore, da IG Markets, sublinhou que a queda reflecte “a normalização dos carregamentos mais cedo do que antecipado”, reduzindo o risco de quebra prolongada no abastecimento.
Sanções ocidentais pressionam receitas e deslocam petróleo russo para descontos profundos
Mesmo com a retoma das operações, os mercados permaneceram concentrados no impacto das sanções impostas pelos EUA e aliados. O Departamento do Tesouro norte-americano afirmou que as medidas aplicadas em Outubro contra Rosneft e Lukoil já estão a reduzir as receitas russas e deverão limitar os volumes de exportação ao longo do tempo.
Análises da ANZ Research indicam que o crude russo começou a ser transaccionado com descontos acentuados face aos benchmarks internacionais, reflectindo o aumento dos riscos comerciais e logísticos associados às sanções.
Segundo o estratega de commodities Vivek Dhar, do Commonwealth Bank of Australia, cresce a preocupação com o acumular de petróleo em petroleiros, numa altura em que compradores ponderam o risco de violação das sanções ao adquirirem crude russo. Ainda assim, Dhar lembra que “a história mostra a capacidade da Rússia em contornar restrições”, sugerindo que o impacto poderá ser temporário.
Washington prepara endurecimento de medidas; Congresso avança com nova legislação
Do lado político, um alto responsável da Casa Branca confirmou que o Presidente Donald Trump está disposto a sancionar nova legislação contra a Rússia, desde que mantenha autoridade final na implementação. O Presidente afirmou igualmente que os republicanos estão a preparar um projecto de lei para sancionar qualquer país que faça negócios com Moscovo, com a possibilidade de incluir Irão numa escalada adicional de pressão geopolítica.
Perspectivas de médio prazo: oferta global crescente pode manter preços em queda
Em termos de tendência, o Goldman Sachs estima que os preços do petróleo devam recuar até 2026, devido ao aumento significativo da oferta global, que deverá manter o mercado em superavit durante os próximos anos. No entanto, o banco admite que o Brent poderá voltar acima dos 70 dólares em 2026/2027 caso a queda da produção russa seja mais acentuada do que o previsto.
Impacto para países importadores como Moçambique
Para Moçambique, país importador líquido de combustíveis, uma trajectória de preços moderados do petróleo pode aliviar pressões sobre a balança de pagamentos, os custos logísticos e a inflação. Contudo, a instabilidade geopolítica continua a introduzir riscos de curto prazo, sobretudo numa conjuntura de elevada volatilidade no mercado energético internacional.
Conecte-se a Nós
Economia Global
Mais Vistos
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de Agosto, 2019 -
Governo admite nova operadora para a Mozal após suspensão das operações
14 de Março, 2026














