Petróleo Sobe 2,5% Após Sanções Dos EUA Às Gigantes Russas Rosneft E Lukoil

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Medida agrava tensões no mercado e reacende preocupações com a oferta global, enquanto Índia e Europa reavaliam compras de crude russo

Questões-Chave:
  • Preço do Brent sobe 2,49%, para 64,15 dólares por barril, e o WTI avança 2,62%, para 60,03 dólares;
  • Sanções de Washington contra Rosneft e Lukoil visam reduzir as receitas energéticas da Rússia;
  • Índia e Europa reavaliam importações, aumentando incertezas sobre a estabilidade da oferta global;
  • Analistas consideram o salto nos preços uma reacção imediata mais do que uma mudança estrutural;
  • O mercado acompanha de perto a política de produção da OPEP+, o comportamento da China e as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente.

Os preços do petróleo voltaram a subir na quinta-feira, impulsionados pelas novas sanções impostas pelos Estados Unidos às gigantes russas Rosneft e Lukoil. A decisão reacendeu preocupações com a oferta global e elevou o barril de Brent em 2,5%, para 64,15 dólares, enquanto o WTI avançou 2,6%, para 60,03 dólares.

Washington Aperta O Cerco À Energia Russa

O anúncio de Washington ocorre num momento em que o Governo norte-americano endurece a sua postura face à guerra na Ucrânia, apelando a Moscovo para aceitar um cessar-fogo imediato.
Segundo o Presidente norte-americano, as novas medidas visam “asfixiar as receitas de guerra do Kremlin”, cortando o acesso das maiores petrolíferas russas aos mercados internacionais.

O Reino Unido impôs sanções semelhantes na semana anterior, e a União Europeia aprovou o 19.º pacote de sanções contra a Rússia, incluindo uma proibição de importação de gás natural liquefeito (GNL) russo.

Mercados Reagem Entre A Preocupação E O Ceticismo

Logo após o anúncio, o Brent e o WTI registaram ganhos superiores a dois dólares por barril, impulsionados também por uma inesperada redução nas reservas de crude dos EUA.
Contudo, analistas alertam que a valorização reflecte mais uma reacção de curto prazo do que uma alteração estrutural na oferta.

“As novas sanções aumentam a tensão entre os EUA e a Rússia, mas o salto do preço parece uma resposta emocional dos mercados”, avaliou Claudio Galimberti, director de análise global da Rystad Energy.
Segundo o especialista, a maioria das sanções impostas à Rússia nos últimos três anos “falhou em reduzir significativamente a produção ou as receitas petrolíferas do país”.

Índia E China Sob Pressão Diplomática

A Índia, um dos principais compradores de crude russo com desconto, indicou que as suas refinarias estatais estão a rever os contratos para garantir que não adquirem barris directamente de Rosneft ou Lukoil.
“Se Nova Deli reduzir as compras sob pressão de Washington, poderemos assistir a uma reorientação da procura asiática para o crude norte-americano, o que impulsionaria os preços no Atlântico”, explicou Priyanka Sachdeva, analista sénior da Phillip Nova.

Apesar disso, vários compradores indianos e chineses continuam a adquirir petróleo russo através de intermediários, minimizando o impacto imediato das sanções sobre os fluxos físicos.

Fatores Que Continuam a Moldar o Mercado

Para os próximos meses, os analistas apontam três elementos-chave que deverão condicionar a evolução dos preços: a retirada gradual dos cortes de produção da OPEP+, a estratégia de armazenamento de crude da China e a evolução dos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente.
“O comportamento destes factores — e não apenas as sanções — ditará a direcção do mercado até ao final do ano”, concluiu Galimberti.

Sanções Elevam A Volatilidade E Testam O Equilíbrio Do Mercado Global De Petróleo

A nova ofensiva de Washington contra a energia russa acentua a incerteza num mercado já pressionado por factores geopolíticos e logísticos.
Embora o impacto estrutural sobre a produção da Rússia permaneça limitado, a volatilidade tende a aumentar à medida que as potências ajustam as suas cadeias de abastecimento e os traders avaliam os riscos de interrupções.
Com o preço do Brent a aproximar-se novamente dos 65 dólares, o equilíbrio entre política e mercado volta a ser testado, num cenário em que cada movimento diplomático pode redefinir o preço do barril.

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