
A produção de biocombustíveis em Moçambique está a ganhar destaque como uma alternativa estratégica para diversificar a matriz energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Um estudo recentemente divulgado pela Corporação Financeira Internacional (IFC) apontou que a revisão da regulamentação e a introdução de incentivos são passos essenciais para dinamizar o setor e atrair investimentos.
Regulamentação e incentivos
O documento critica a regulamentação actual, considerada restritiva para empresas que buscam expandir para além do mercado local. “É necessária uma indicação mais clara em relação a preços, incentivos setoriais e padrões de certificação para garantir que os biocombustíveis sejam tecnicamente viáveis e ambientalmente sustentáveis”, destaca o estudo.
Entre as recomendações estão a criação de esquemas de certificação, a simplificação do acesso ao financiamento e o fortalecimento das parcerias industriais. Esses passos são considerados críticos para estimular o desenvolvimento de infraestrutura e aumentar a capacidade de produção.
Potencial e infraestrutura
O estudo confirma que Moçambique apresenta um enorme potencial para se tornar um dos maiores produtores de biocombustíveis na África Austral, dada a sua abundância de recursos naturais, contudo, alerta que a actual matriz energética do país reflete características de uma “nação rural”, com dependência de combustíveis tradicionais para cozinhar e aquecer.
O investimento em infraestrutura é apontado como fundamental para viabilizar o setor. “Instalações de processamento e sistemas logísticos robustos são cruciais para transformar eficientemente matérias-primas em biocombustíveis e garantir sua distribuição eficiente”, indica o estudo. O plano também enfatiza a necessidade de armazenamento adequado e soluções de transporte ferroviário para atender às demandas locais e regionais.
Sustentabilidade e impacto económico
A aposta em biocombustíveis está alinhada à Estratégia de Transição Energética de Moçambique, que prevê investimentos de mais de 80 milhões de dólares até 2050. O Ministério dos Recursos Minerais e Energia destacou que a “promoção da industrialização verde” e o “acesso universal à energia” são pilares fundamentais para garantir uma transição sustentável.
O estudo também aponta que a implementação de critérios de sustentabilidade pode atrair investidores internacionais interessados em soluções energeticamente limpas. “Biocombustíveis têm o potencial de transformar a economia rural de Moçambique, criando empregos e aumentando a segurança energética”, conclui o documento.
Com os avanços previstos, o país pode consolidar-se como um importante player regional no setor de energias renováveis, promovendo um crescimento econômico mais inclusivo e ambientalmente responsável.
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