Ramaphosa Denuncia Uso Do Comércio Como “Arma” E Pede Redução De Tarifas Dos EUA

0
140

Questões-Chave

  • Presidente sul-africano afirmou na ONU que o comércio está a ser instrumentalizado como arma em disputas políticas;
  • Ramaphosa revelou negociações com representantes norte-americanos para reduzir tarifas impostas pela Administração Trump;
  • África do Sul insiste na continuidade da AGOA, acordo que garante acesso preferencial ao mercado dos EUA para 32 países africanos;
  • Retorno de Donald Trump à Casa Branca aumenta incertezas sobre a prorrogação do acordo;
  • África do Sul, a economia mais industrializada do continente, é um dos principais beneficiários da AGOA.

O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, alertou esta terça-feira, 23 de Setembro, em Nova Iorque, que o comércio internacional está a ser cada vez mais utilizado como “arma”, numa crítica directa às políticas tarifárias da Administração Trump. O chefe de Estado sul-africano revelou ainda estar em conversações com representantes norte-americanos para a redução das tarifas impostas aos produtos do seu país.

Falando na Assembleia-Geral das Nações Unidas, Ramaphosa denunciou os “choques geopolíticos e a volatilidade sem precedentes da política comercial” que, segundo afirmou, “estão a desestabilizar a economia global e a comprometer uma fonte crítica de financiamento do desenvolvimento”.

“Na verdade, o comércio está agora a ser usado como uma arma contra vários países do mundo”, declarou o presidente sul-africano, sublinhando que tais práticas fragilizam sobretudo as economias emergentes e os países em desenvolvimento.

Mais tarde, no Conselho de Relações Exteriores, em Nova Iorque, Ramaphosa confirmou que Pretória mantém negociações com um enviado comercial dos EUA, após a imposição de tarifas sobre exportações sul-africanas decretadas em Agosto por Donald Trump. “Queremos que as tarifas que o presidente Trump pretende impor-nos e já começou a aplicar sejam reduzidas”, frisou.

O Presidente destacou ainda a importância da Lei de Oportunidades de Crescimento Africano (AGOA), que garante acesso preferencial, sem quotas nem direitos aduaneiros, para milhares de produtos oriundos de 32 países africanos. No entanto, advertiu que a falta de votação no Congresso em 2024 e o regresso de Trump à Casa Branca em Janeiro criaram maior incerteza quanto à renovação do regime.

A África do Sul, maior economia industrializada do continente, é um dos países que mais tem beneficiado da AGOA, particularmente nos sectores automóvel, agrícola e mineiro. A continuidade deste acordo é vista como essencial para a manutenção da competitividade das exportações africanas no mercado norte-americano.

Ramaphosa encerrou a sua intervenção com um apelo ao reforço do multilateralismo e à defesa do comércio internacional como motor de desenvolvimento, em contraponto à sua utilização como instrumento de pressão política e económica.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.