• O FMI espera que a inflação permaneça acima de 8% no Reino Unido este ano, em comparação com uma taxa de 4,6% nas economias avançadas e 6,6% globalmente

São cerca de meio milhão de trabalhadores em greve em todo o Reino Unido nesta quarta-feira, 01/02,  que levaram ao encerramento de escolas, cancelamento de importantes actvidades universitárias e paralisação de maior parte da rede ferroviária, no que os sindicatos dizem ser o maior dia de paralisações em mais de uma década.

São professores, funcionários de universidades, maquinistas e funcionários públicos que estão em greve em grande número por causa de salários e condições de trabalho, à medida que os padrões de vida continuam a decrescer após anos de aumentos abaixo da inflação.

Ao mesmo tempo, o Trades Union Congress, que representa 48 sindicatos, é citada como estando a levar a cabo mais de 75 comícios em todo o Reino Unido para protestar contra um projecto de lei do Governo sobre o qual afirmam ser um “ataque” ao direito de greve.

O projecto de lei exigiria a manutenção dos níveis básicos de serviço nos sectores de bombeiros, ambulâncias e ferroviários em caso de paralisações.

A escalada da acção grevista ocorre apenas algumas semanas depois de o Governo ter tentado resolver disputas salariais para pôr fim à pior onda de agitação industrial que o País testemunhou em décadas.

Muitos trabalhadores do sector público receberam aumentos de 4% ou 5% para o actual ano fiscal, com a taxa anual de inflação em 10,5%.

Espera-se que até 300 mil professores entrem em greve nesta quarta-feira, marcando o primeiro de sete dias de greve até Fevereiro e Março pelo Sindicato Nacional da Educação, o maior sindicato do sector.

As greves afectarão cerca de 23,4 mil escolas, cerca de 85%, na Inglaterra e no País de Gales, muitas delas fechadas total ou parcialmente.

Quarta-feira também marca o início das greves de 70 mil membros do University and College Union (UCU), que atingirão 150 universidades do Reino Unido em 18 dias em Fevereiro e Março, afectando 2,5 milhões de estudantes.

Enquanto isso, mais de 100 mil membros do Sindicato dos Serviços Públicos e Comerciais, que representa os funcionários públicos, entrarão em greve por causa de salários, pensões e segurança no emprego em 123 departamentos e agências governamentais.

E apenas cerca de 30% dos serviços ferroviários devem funcionar nesta quarta-feira, segundo a empresa ferroviária britânica Rail Delivery Group, que alertou em um comunicado no seu site que a interrupção pode se arrastar pelo resto da semana porque muitos comboios não estarão nos depósitos certos.

As greves afectarão o já lento crescimento económico.

O Reino Unido provavelmente será a única grande economia a entrar em recessão este ano, após registar uma das taxas de crescimento mais fortes entre as economias avançadas no ano passado, conforme o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O FMI actualizou ligeiramente sua previsão para o crescimento global, devido à reabertura da China e uma melhora nas condições financeiras à medida que a inflação começa a diminuir.

Sobre o Reino Unido, no entanto, o FMI foi mais pessimista.

As causas são na generalidade atribuídas aos altos preços da energia, à menor produtividade como resultado do emprego não se recuperar ao nível pré-pandêmico e à inflação elevada, levando a taxas de juros e custos de hipotecas mais altos.

O FMI espera que a inflação permaneça acima de 8% no Reino Unido este ano, em comparação com uma taxa de 4,6% nas economias avançadas e 6,6% globalmente. A instituição vê a economia do País a contrair 0,6% em 2023, um recuo de 0,9 ponto percentual em relação à previsão de Outubro.

Uma desaceleração económica e uma inflação persistente agravarão a crise do custo de vida que aflige milhares de trabalhadores, já que os salários não conseguem acompanhar o aumento dos preços.

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