SAA renova-se e cresce, mas caminho para sustentabilidade ainda é longo

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Três anos após o seu relançamento, a South African Airways (SAA) comemora uma trajectória de crescimento que considera “contínuo e sustentável”. A companhia aérea, que entrou em processo de recuperação empresarial em Dezembro de 2019, pouco antes do início da pandemia de Covid-19, voltou a operar a 23 de Setembro de 2021 após uma reestruturação profunda e um hiato de 18 meses. Na altura, a SAA retomou as suas operações com apenas seis aeronaves e seis rotas, evidenciando uma redução significativa face à sua operação anterior. Contudo, numa mensagem recente dirigida aos funcionários e parceiros da companhia, o CEO interino, Professor John Lamola, sublinhou os progressos alcançados desde então, revelando que, entre Agosto de 2022 e Agosto de 2024, a empresa duplicou a sua malha aérea e triplicou o tamanho da frota, alcançando um crescimento de 400% nas receitas de passageiros nesse período. 

Apesar deste cenário de expansão, a SAA enfrenta desafios que ainda ameaçam a sua recuperação completa. O crescimento de receitas, que atingiu 96% no ano financeiro de 2022/23 e 49% em 2023/24, resultou da expansão da frota e da reabertura de rotas, incluindo destinos como Maurícia, Perth, na Austrália, e São Paulo, no Brasil. Ainda assim, o CEO reconhece que este crescimento se dá a partir de uma base baixa, uma vez que a indústria da aviação, a nível global, emergia das profundas crises causadas pela pandemia. A companhia, que contava com cerca de 500 funcionários no momento do seu relançamento, emprega agora cerca de 1.200 pessoas, incluindo 140 pilotos. No entanto, dificuldades na cadeia de fornecimento global continuam a afectar a empresa. A pandemia de Covid-19 provocou severas disrupções nos fabricantes de aeronaves, e a SAA enfrenta actualmente atrasos na entrega de três aeronaves previstas para o último ano. De modo a mitigar o impacto destas falhas, a companhia recorreu ao aluguer de aeronaves da Sun Express, propriedade da Lufthansa e Turkish Airlines, para suprir a demanda durante a alta temporada de Dezembro. 

CEO interino, Professor John Lamola

A estratégia da SAA, segundo Lamola, visa garantir que a companhia atinja a lucratividade operando com receitas próprias, embora o crescimento da frota e o aumento das rotas exijam contínuos investimentos de capital. A liderança da empresa tem discutido possíveis parcerias de equity estratégico, embora estas continuem sob a prerrogativa do accionista. Além disso, a companhia celebrou recentemente a transferência da responsabilidade accionária para o Departamento Nacional de Transportes da África do Sul, um movimento que, de acordo com Lamola, fortalecerá o foco da empresa em proporcionar um transporte aéreo de classe mundial tanto dentro como fora do país. 

As perspectivas para o futuro incluem o lançamento de novas rotas, com destaque para Lubumbashi, na República Democrática do Congo, e Dar es Salaam, na Tanzânia, previstas para Novembro de 2024. Estas rotas são vistas como parte de uma estratégia mais ampla para consolidar a posição da SAA no mercado africano, respondendo à crescente demanda por ligações dentro do continente. Contudo, a expansão da malha aérea acarreta riscos consideráveis, especialmente num cenário global em que a aviação comercial continua a enfrentar incertezas e oscilações na demanda. Lamola reiterou a necessidade de se manter uma estratégia de financiamento robusta, apontando que a SAA conseguiu manter uma reputação favorável junto de instituições financeiras tanto nacionais como internacionais, o que facilitou a sua capacidade de reconstruir a frota.

Apesar das adversidades, a SAA tem apostado na sua capacidade de se reinventar e na sua importância enquanto instrumento de desenvolvimento económico e social para a África do Sul. Lamola frisou que a companhia está focada em promover o turismo, o comércio e a transformação do sector da aviação, ao mesmo tempo que busca manter a viabilidade comercial. Todavia, a sua sustentabilidade dependerá não apenas da capacidade de gerar lucros, mas também de assegurar uma base de financiamento estável, necessária para acompanhar o ritmo da concorrência global e o aumento da demanda por serviços de qualidade. O futuro da SAA, embora promissor à luz dos últimos três anos, continuará a ser moldado pela capacidade de gerir estes desafios com pragmatismo e inovação.

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