
Tanzânia atinge autossuficiência alimentar e atrai investimentos no sector agrícola
A Tanzânia alcançou um marco impressionante de autossuficiência alimentar, atingindo 128% da sua necessidade interna de alimentos, com um excedente que já está a ser exportado para países vizinhos. Este avanço significativo foi anunciado pela Presidente da Tanzânia, Samia Suluhu Hassan, durante uma sessão de alto nível no World Food Prize Norman E. Borlaug International Dialogue em Iowa, nos Estados Unidos.
No evento, intitulado “Bold Measures to Feed Africa”, a Presidente Hassan destacou os esforços do País para garantir a segurança alimentar e apontou que, após atingir a suficiência, o foco agora está na qualidade, acessibilidade e redução das perdas pós-colheita.
O Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, elogiou a liderança de Suluhu Hassan e a forte vontade política que levou a Tanzânia a este nível de autossuficiência. Adesina destacou que a conquista da Tanzânia representa um exemplo do potencial agrícola africano e sublinha a importância dos investimentos em larga escala no sector. Com o apoio do BAD, a Cimeira de Alimentos de Dakar, realizada em 2023, mobilizou mais de 72 mil milhões de dólares para financiar projectos agrícolas específicos para cada País, reunindo 34 chefes de estado africanos e reforçando o compromisso da região com a segurança alimentar.
A Tanzânia também registou avanços em áreas como a produção de castanha de caju, tornando-se um dos dois processadores mais bem-sucedidos do continente. Diferente da maioria dos países africanos que exportam castanha de caju para processamento na Ásia, a Tanzânia desenvolveu a capacidade de processamento interno, o que acrescenta valor e cria oportunidades de emprego no país. Além disso, o país tem se destacado na electrificação rural, alcançando quase 100% de cobertura elétrica nas suas vilas, o que é um feito notável para o desenvolvimento das áreas rurais e o fortalecimento da cadeia agrícola.
O Banco Africano de Desenvolvimento, que investe em programas de emprego para jovens e mulheres na Tanzânia, apoiou um projecto que oferece 10 hectares de terra para jovens agricultores, além de treinamento especializado em agricultura, pecuária e cultivo. Este programa, que já beneficiou 11 mil jovens, é mais uma prova do compromisso da Tanzânia em fortalecer a sua base agrícola e capacitar a nova geração de trabalhadores do campo.
Na mesma sessão, o Presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, partilhou o sucesso do seu País com o programa Feed Salone, que reduziu as importações de arroz em 20 milhões de toneladas e melhorou a produtividade agrícola.
Durante o seu primeiro mandato, Bio focou-se na educação, mas agora está a priorizar a agricultura como um dos pilares para o desenvolvimento do país. Ele ressaltou que a agricultura é fundamental para o crescimento económico e convidou investidores a apoiar os esforços de Serra Leoa no setor agrícola.
O Presidente do AfDB, Adesina, aproveitou a ocasião para destacar o papel da instituição na reformulação das percepções globais sobre a África, promovendo o continente como um destino viável para investimentos em sectores críticos como a agricultura. Ele enfatizou que a África, com 65% das terras aráveis restantes do mundo, tem o potencial e a tecnologia necessários para se tornar uma “cesta alimentar” global. O evento também teve como objectivo inspirar a comunidade internacional a reconsiderar os estereótipos sobre a África e a reconhecer o seu potencial de liderança na segurança alimentar.
O Norman E. Borlaug Dialogue de 2024, que reuniu líderes e especialistas de todo o mundo, promoveu a colaboração internacional em soluções para a fome global. Com o tema “Sementes de Oportunidade, Unindo Gerações e Cultivando Diplomacia”, o diálogo destacou a importância da cooperação e da inovação para transformar a segurança alimentar em realidade, especialmente no contexto africano. A presença de líderes como Samia Suluhu Hassan e Julius Maada Bio reforçou a mensagem de que, com vontade política, apoio internacional e investimento estratégico, a África pode dar passos significativos na luta contra a fome e na promoção de um crescimento económico sustentável.
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.
últimas notícias
Mais Acessados
-
Economia Informal: um problema ou uma solução?
16 de August, 2019 -
Governo admite nova operadora para a Mozal após suspensão das operações
14 de March, 2026














