Mozambique LNG e TotalEnergies

TotalEnergies Prepara Expansão do Mozambique LNG Com Mais Dois Comboios e Capacidade Potencial de 26 Milhões de Toneladas

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Grupo energético francês estuda acelerar a segunda fase do complexo de Afungi, em Cabo Delgado, aproveitando as infra-estruturas e equipas já mobilizadas para os dois primeiros comboios de liquefacção. A expansão poderá duplicar a capacidade inicialmente prevista de 13,12 milhões de toneladas anuais, embora o investimento, a capacidade exacta e o calendário ainda não tenham sido formalmente aprovados. A iniciativa ganha relevância perante as novas perspectivas do mercado internacional de gás natural e o desenvolvimento do projecto Rovuma LNG da ExxonMobil.

Questões-Chave:

  • TotalEnergies avalia acelerar a segunda fase do Mozambique LNG, através da construção de mais dois comboios de liquefacção no complexo de Afungi;
  • Primeira fase contempla dois comboios com capacidade conjunta de 13,12 milhões de toneladas de GNL por ano, podendo uma expansão de dimensão semelhante elevar o complexo para aproximadamente 26 milhões de toneladas anuais;
  • Grupo identifica oportunidades de redução de custos e prazos mediante a continuidade das equipas de construção e o aproveitamento das infra-estruturas existentes;
  • Área 1 possui recursos estimados em cerca de 65 biliões de pés cúbicos de gás, proporcionando uma base relevante para novos investimentos;
  • Primeira produção mantém-se prevista para 2029, enquanto a segunda fase permanece em estudo, sem decisão final de investimento ou orçamento publicamente confirmados;
  • Potencial expansão acrescenta oportunidades para a indústria, logística, emprego e fornecedores nacionais, mas também maiores exigências em matéria de segurança, financiamento, conteúdo local e desenvolvimento territorial.

A TotalEnergies está a desenvolver planos para acelerar a expansão do projecto Mozambique LNG, através da construção de mais dois comboios de liquefacção de gás natural no complexo industrial de Afungi, na província de Cabo Delgado, numa iniciativa que poderá ampliar significativamente a capacidade de produção e exportação de gás natural liquefeito do País.

A informação foi avançada pela publicação internacional especializada Upstream, num artigo publicado a 14 de Outubro de 2026, que apresenta a segunda fase do empreendimento como uma oportunidade estratégica para o grupo energético francês, numa altura em que os trabalhos de construção da primeira fase foram retomados e o mercado mundial de GNL atravessa uma reorganização da oferta.

A possibilidade de acelerar o investimento tinha sido anunciada pelo presidente e director-executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, durante a apresentação da estratégia e perspectivas do grupo para 2026, realizada a 28 de Setembro, em Nova Iorque.

Na ocasião, o gestor referiu que a empresa estava a avaliar mecanismos capazes de antecipar o desenvolvimento da segunda fase, aproveitando sinergias industriais e evitando a desmobilização das equipas de construção que se encontram actualmente em Afungi.

A proposta representa uma evolução da estratégia de desenvolvimento do Mozambique LNG: enquanto a primeira fase continua em execução, a operadora começa a preparar as condições técnicas e económicas para um segundo ciclo de investimento.

O projecto inicial, cuja decisão final de investimento foi anunciada em Junho de 2019, contempla a construção de dois comboios de liquefacção com capacidade total de 13,12 milhões de toneladas anuais.

A eventual instalação de dois comboios adicionais poderá elevar substancialmente a capacidade do complexo. Se os novos equipamentos tiverem dimensão equivalente à da primeira fase, a capacidade total aproximar-se-ia de 26,24 milhões de toneladas por ano.

Este último valor constitui uma estimativa baseada na replicação da capacidade existente, não uma meta de produção oficialmente anunciada para a segunda fase.

A TotalEnergies ainda não divulgou uma decisão final de investimento, um orçamento específico ou um calendário vinculativo para os novos comboios.

Dois Novos Comboios Poderão Duplicar Capacidade do Complexo de Afungi

A segunda fase do Mozambique LNG está associada à possibilidade de acrescentar dois comboios de liquefacção aos dois equipamentos previstos no investimento inicial.

Um comboio de liquefacção corresponde a um conjunto integrado de instalações industriais que recebem, tratam, arrefecem e transformam o gás natural em estado líquido, permitindo o seu armazenamento e transporte em navios especializados.

A liquefacção reduz o volume do gás natural em aproximadamente 600 vezes, criando condições para a sua comercialização em mercados internacionais sem ligação directa por gasoduto.

O projecto inicial contempla dois comboios com capacidade combinada de 13,12 milhões de toneladas anuais, equivalentes a cerca de 6,56 milhões de toneladas por unidade.

A hipótese de acrescentar dois equipamentos com capacidade semelhante permitiria duplicar a produção nominal do complexo.

Mozambique LNG — Capacidade Actual Prevista e Cenário de Expansão

Cenário Capacidade Configuração
Fase 1 — Aprovada13,12 Mtpa2 comboios de liquefacção
Fases 1 + 2 — Hipótese26,24 Mtpa4 comboios, com capacidades equivalentes

Mtpa: milhões de toneladas por ano. Cenário calculado a partir da capacidade nominal da Fase 1, sem pressupor que o desenho definitivo da Fase 2 será idêntico. Fonte: Mozambique LNG; TotalEnergies.

A possibilidade de expansão beneficia da dimensão dos recursos de gás natural identificados na Área 1 da Bacia do Rovuma.

Segundo a TotalEnergies, a área possui aproximadamente 65 biliões de pés cúbicos de recursos gasíferos, enquanto a primeira fase do Mozambique LNG contempla o desenvolvimento de cerca de 18 biliões de pés cúbicos associados aos campos Golfinho e Atum.

A existência de uma base de recursos superior às necessidades do projecto inicial constitui um dos fundamentos técnicos para o estudo de novas fases de desenvolvimento.

Durante a apresentação aos investidores, Nicolas Terraz, presidente da área de Exploração e Produção da TotalEnergies, destacou que a dimensão dos recursos existentes permite considerar novos investimentos para além das instalações actualmente em construção.

A disponibilidade de gás, contudo, não determina automaticamente a capacidade economicamente recuperável ou a configuração da expansão. Estes elementos exigem estudos adicionais sobre os reservatórios, infra-estruturas, investimentos necessários e condições comerciais.

Continuidade Das Equipas de Construção Pode Reduzir Custos e Prazos

Uma das principais razões apresentadas pela TotalEnergies para considerar a antecipação da segunda fase é a possibilidade de aproveitar os recursos industriais já mobilizados para a execução do projecto inicial.

A construção de grandes complexos de GNL exige instalações temporárias, equipamentos especializados, estaleiros, sistemas logísticos e milhares de trabalhadores qualificados.

A desmobilização destas estruturas após a conclusão da primeira fase e a sua posterior reconstrução para um novo investimento poderia representar custos adicionais e prolongar os prazos de execução.

Patrick Pouyanné admitiu, por isso, a possibilidade de utilizar as sinergias existentes para assegurar maior continuidade às operações.

A estratégia poderá permitir economias de escala em diferentes componentes, incluindo engenharia, aprovisionamento, construção civil, logística e utilização das instalações industriais.

A possibilidade de negociar equipamentos e serviços de forma coordenada também poderá melhorar as condições de aquisição e reduzir determinados riscos de execução.

No entanto, o aproveitamento destas sinergias não elimina a necessidade de uma avaliação económica independente da segunda fase.

A dimensão do investimento adicional, os preços dos equipamentos, as condições de contratação e a disponibilidade de financiamento continuarão a influenciar a decisão.

A empresa não divulgou, até ao momento, uma estimativa oficial dos investimentos necessários para construir os dois novos comboios.

Primeira Fase Mobiliza 10 Mil Trabalhadores e Mantém Produção Prevista Para 2029

O estudo da expansão ocorre numa fase de aceleração dos trabalhos do Mozambique LNG.

Em Janeiro de 2026, a TotalEnergies e o Governo moçambicano anunciaram a retoma integral das actividades terrestres e marítimas do empreendimento, após a decisão do consórcio, em Novembro de 2025, de levantar a situação de força maior declarada em 2021.

Na altura, o projecto apresentava uma execução aproximada de 40%, tendo a empresa informado que praticamente todos os trabalhos de engenharia e aquisição dos principais equipamentos tinham sido concluídos durante o período de suspensão.

A produção inicial mantém-se prevista para 2029.

Em Setembro, durante a apresentação da estratégia empresarial para 2026, Nicolas Terraz informou que aproximadamente 10 mil trabalhadores se encontravam mobilizados no local.

O número evidencia a dimensão da actividade de construção em Afungi, embora não corresponda exclusivamente a trabalhadores moçambicanos.

O plano de conteúdo local da primeira fase prevê até 7 mil empregos directos para cidadãos nacionais durante o período de construção, enquanto o valor dos contratos atribuídos a empresas moçambicanas poderá ultrapassar US$ 4 mil milhões.

A eventual antecipação da segunda fase poderia prolongar a procura de trabalhadores e serviços, proporcionando maior continuidade às actividades de empresas que venham a integrar as cadeias de fornecimento.

Estes efeitos, contudo, dependerão da concretização do novo investimento e da proporção de bens e serviços efectivamente adquiridos no mercado nacional.

Sinergias Com a ExxonMobil Acrescentam Uma Nova Dimensão ao Investimento

A TotalEnergies identificou igualmente oportunidades associadas ao desenvolvimento do Rovuma LNG, empreendimento liderado pela ExxonMobil na vizinha Área 4 da Bacia do Rovuma.

Patrick Pouyanné referiu que as discussões sobre o acesso a recursos de gás em áreas partilhadas ou sujeitas a acordos de desenvolvimento conjunto poderão criar condições para ampliar a base de recursos disponíveis para a segunda fase do Mozambique LNG.

A questão envolve a gestão de reservatórios e recursos que podem exigir coordenação entre diferentes concessionários.

Na indústria petrolífera, estes mecanismos são frequentemente enquadrados por acordos de unitização, que permitem definir a exploração conjunta de reservas geologicamente interligadas, preservando os direitos e obrigações dos respectivos titulares.

Segundo Pouyanné, o desenvolvimento do projecto da ExxonMobil poderá proporcionar oportunidades para a TotalEnergies aceder a recursos adicionais e acelerar a expansão das instalações de Afungi.

A existência destas possibilidades não significa que os acordos necessários estejam concluídos ou que a transferência de recursos tenha sido aprovada.

A concretização dependerá de entendimentos comerciais, técnicos e regulamentares entre os consórcios e as autoridades competentes.

O Rovuma LNG constitui, por sua vez, um dos maiores investimentos energéticos previstos para Moçambique.

A primeira fase do projecto apresenta uma capacidade planeada de 18,6 milhões de toneladas anuais, através de 12 módulos de liquefacção electricamente accionados.

A ExxonMobil mantém a expectativa de alcançar a decisão final de investimento durante 2026, com início das operações previsto para 2031.

Em Agosto, os parceiros da Área 4 anunciaram a atribuição de aproximadamente US$ 1,1 mil milhões em contratos de pré-investimento, destinados à aquisição de equipamentos críticos e à preparação das actividades de construção.

Bacia do Rovuma Poderá Reunir Mais de 40 Milhões de Toneladas de Capacidade em Dois Grandes Complexos

A expansão do Mozambique LNG poderá alterar significativamente a dimensão da indústria de gás natural liquefeito instalada no norte de Moçambique.

A primeira fase do projecto da TotalEnergies contempla 13,12 milhões de toneladas anuais, enquanto o Rovuma LNG prevê 18,6 milhões de toneladas.

A capacidade combinada dos dois empreendimentos, considerando apenas as respectivas primeiras fases, atingiria aproximadamente 31,72 milhões de toneladas por ano, após a conclusão e entrada em funcionamento de ambos.

Com uma eventual expansão do Mozambique LNG para 26,24 milhões de toneladas anuais, a capacidade conjunta dos dois projectos poderia aproximar-se de 44,84 milhões de toneladas.

Capacidade Potencial dos Projectos Terrestres de GNL em Afungi

Projecto Capacidade
Mozambique LNG — Fase 113,12 Mtpa
Rovuma LNG — Fase 118,60 Mtpa
Capacidade conjunta prevista31,72 Mtpa
Expansão hipotética Mozambique LNG+13,12 Mtpa
Total potencial com expansão44,84 Mtpa

Valores de capacidade nominal, não de produção efectiva. A última linha incorpora uma Fase 2 ainda sem capacidade oficial definida ou aprovação final. Não inclui Coral Sul e Coral Norte FLNG.

A dimensão potencial destes investimentos poderá conferir à Bacia do Rovuma uma posição de destaque no mercado internacional de GNL.

A concentração de grandes instalações industriais na mesma região poderá também favorecer economias de escala no desenvolvimento de infra-estruturas, serviços portuários, logística, formação profissional e cadeias de abastecimento.

No entanto, a concretização de vários projectos simultâneos colocará exigências acrescidas sobre a capacidade das infra-estruturas nacionais, a disponibilidade de mão-de-obra qualificada e a organização dos fornecedores.

A evolução dos investimentos poderá ainda influenciar a necessidade de expansão das instalações aeroportuárias, portuárias e rodoviárias utilizadas pelas operações industriais em Cabo Delgado.

Investimento Inicial de US$ 20 Mil Milhões Não Inclui Orçamento da Segunda Fase

A primeira fase do Mozambique LNG foi originalmente aprovada em 2019 com um investimento estimado em aproximadamente US$ 20 mil milhões, um dos maiores compromissos de capital privado anunciados para o continente africano.

O período de suspensão das actividades e a posterior revisão das condições de execução introduziram custos adicionais, associados à manutenção de equipamentos, mobilização de recursos e reprogramação das operações.

A TotalEnergies e o Governo têm mantido discussões sobre os efeitos financeiros e contratuais do período de força maior.

Importa, contudo, distinguir o investimento inicial da eventual expansão agora considerada.

O valor de US$ 20 mil milhões corresponde ao enquadramento financeiro original da primeira fase e não representa o custo dos dois novos comboios.

Não existe informação pública suficiente para determinar com rigor o investimento adicional necessário para desenvolver a Fase 2.

Embora a utilização das instalações existentes possa proporcionar ganhos de eficiência e reduzir determinados custos unitários, a construção de novos comboios continuará a exigir investimentos substanciais em engenharia, equipamentos industriais, sistemas de processamento, abastecimento de gás e infra-estruturas complementares.

A aprovação dependerá da rentabilidade esperada, das condições de financiamento, dos contratos de comercialização e da avaliação dos riscos operacionais.

A participação da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), que detém 15% do Mozambique LNG, acrescenta uma dimensão importante à estrutura financeira do empreendimento.

Uma eventual expansão poderá exigir novos compromissos de financiamento por parte dos accionistas, incluindo mecanismos específicos para assegurar a participação da empresa pública.

A avaliação destas obrigações será particularmente relevante num período em que Moçambique enfrenta restrições fiscais e dificuldades de financiamento externo.

Mercado Internacional de GNL Favorece Diversificação Geográfica da Oferta

Os planos de expansão da TotalEnergies surgem num contexto internacional marcado pela elevada volatilidade dos preços da energia e pelo agravamento dos riscos geopolíticos associados às rotas de abastecimento.

O conflito no Médio Oriente e as perturbações no Estreito de Ormuz aumentaram a importância estratégica dos projectos localizados fora do Golfo Pérsico.

Durante a apresentação da estratégia empresarial, Patrick Pouyanné destacou a necessidade de diversificação geográfica das fontes de gás natural, sublinhando os riscos associados à concentração da oferta em determinadas regiões.

O Estreito de Ormuz desempenha um papel central no comércio internacional de GNL, especialmente devido à localização de instalações de produção e exportação no Qatar e nos Emirados Árabes Unidos.

As dificuldades de navegação nesta rota contribuíram para aumentar a percepção de risco do abastecimento e reforçaram o interesse por projectos alternativos.

Moçambique apresenta uma localização geográfica favorável ao abastecimento dos mercados asiáticos e europeus, dispondo de acesso ao Oceano Índico e de recursos de gás natural de dimensão internacional.

A posição geográfica e a dimensão dos empreendimentos conferem ao País condições para participar na diversificação da oferta global.

Contudo, as perspectivas de longo prazo do mercado de GNL continuam sujeitas à evolução da procura, especialmente na Ásia, e à entrada em funcionamento de novas capacidades nos Estados Unidos, Qatar e outros produtores.

A própria TotalEnergies reconhece que o mercado poderá registar uma expansão significativa da oferta a partir de 2029, dependendo da normalização das condições de abastecimento internacional.

Esta possibilidade aumenta a importância de assegurar custos de produção competitivos, contratos comerciais consistentes e uma estrutura de financiamento sustentável para novos projectos.

Conteúdo Local e Desenvolvimento Industrial Ganham Importância Com a Expansão

A eventual segunda fase do Mozambique LNG poderá prolongar e ampliar a procura por bens e serviços associados à construção e operação das instalações industriais.

Entre as actividades com potencial de participação nacional encontram-se a construção civil, fornecimento de materiais, transportes, logística, hotelaria, alimentação, serviços de manutenção, segurança e apoio técnico.

O desenvolvimento de fornecedores nacionais poderá beneficiar da continuidade dos investimentos, particularmente se as empresas conseguirem estabelecer contratos de médio prazo e aumentar a sua capacidade produtiva.

A participação em projectos desta dimensão exige, contudo, o cumprimento de requisitos técnicos, financeiros, ambientais e de segurança frequentemente superiores aos praticados no mercado doméstico.

A capacidade de resposta das PMEs constitui, por isso, um factor determinante para transformar as oportunidades de contratação em actividade económica efectiva.

A expansão poderá estimular investimentos privados em instalações industriais, equipamentos, formação profissional e certificação de serviços.

O desenvolvimento de competências técnicas em áreas como soldadura especializada, instrumentação, electricidade industrial, manutenção mecânica e engenharia poderá também beneficiar outros sectores da economia.

A existência de uma procura industrial prolongada oferece condições para consolidar empresas e competências que possam continuar a operar após a conclusão das fases de construção.

A dimensão dos efeitos sobre a economia nacional será influenciada pelo grau de incorporação de bens e serviços produzidos internamente e pela capacidade das empresas moçambicanas de competir nos processos de contratação.

Segurança, Financiamento e Licenciamento Permanecem Entre os Factores Determinantes

A expansão do Mozambique LNG continuará condicionada por factores que influenciam a execução dos grandes investimentos energéticos em Cabo Delgado.

A segurança constitui uma das dimensões mais relevantes, considerando a interrupção das actividades em 2021 e a necessidade de assegurar condições sustentáveis para a circulação de trabalhadores, equipamentos e materiais.

A retoma formal de 2026 foi acompanhada por compromissos governamentais relacionados com a segurança e com a continuidade da cooperação com o Ruanda.

A viabilidade da segunda fase dependerá igualmente da disponibilidade de financiamento internacional, das condições de comercialização do gás e da estabilidade do enquadramento contratual e regulamentar.

A dimensão ambiental e social também continuará a merecer atenção, especialmente no relacionamento com as comunidades, na utilização do território e na gestão dos efeitos associados à expansão industrial.

Organizações da sociedade civil têm manifestado preocupações relacionadas com impactos ambientais, direitos humanos e compromissos sociais associados ao desenvolvimento do Mozambique LNG.

A avaliação de uma nova fase exigirá, consequentemente, mecanismos de consulta, supervisão e acompanhamento que assegurem o cumprimento das obrigações aplicáveis.

A antecipação dos investimentos poderá oferecer vantagens operacionais e financeiras, mas a decisão terá de considerar os riscos de execução e a capacidade de assegurar condições estáveis durante todo o ciclo de desenvolvimento.

Expansão Poderá Introduzir Novo Ciclo de Investimento Após 2030

A possibilidade de construir dois novos comboios de liquefacção em Afungi representa uma evolução importante das perspectivas de desenvolvimento da indústria moçambicana de gás natural.

Depois da interrupção prolongada da primeira fase, a TotalEnergies passou a considerar a continuidade das actividades de construção como uma oportunidade para antecipar novos investimentos e aproveitar a base de recursos existente.

O interesse na expansão reflecte igualmente a dimensão estratégica da Bacia do Rovuma para o portefólio internacional do grupo energético francês.

A articulação com o desenvolvimento do Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil, poderá abrir novas possibilidades de aproveitamento das infra-estruturas e coordenação dos investimentos.

Contudo, a segunda fase permanece numa etapa de avaliação, sem aprovação financeira definitiva ou calendário de produção anunciado.

A concretização do empreendimento poderá ampliar a capacidade exportadora de Moçambique, prolongar a actividade de construção e criar novas oportunidades de participação empresarial.

A evolução destes planos terá implicações para o investimento directo estrangeiro, a formação de recursos humanos, o desenvolvimento de fornecedores nacionais e as perspectivas de receitas públicas associadas à exploração de gás natural.

A construção de uma indústria de GNL de maior dimensão também aumentará a importância de assegurar uma ligação efectiva entre os grandes projectos e o restante tecido produtivo, através da incorporação de bens e serviços nacionais e do desenvolvimento de actividades económicas complementares.

Os próximos passos da TotalEnergies, incluindo a definição técnica da Fase 2, a negociação dos recursos gasíferos disponíveis e a avaliação financeira dos novos comboios, serão determinantes para estabelecer o alcance e o calendário desta possível expansão.

A perspectiva agora apresentada pela companhia sugere que o Mozambique LNG poderá deixar de ser encarado exclusivamente como um investimento de 13 milhões de toneladas anuais para passar a integrar uma estratégia industrial mais ampla, com potencial para elevar substancialmente a presença de Moçambique no mercado internacional de gás natural liquefeito.