
Transportadores Garantem Que Todo Combustível Carregado nos Portos Chega ao Destino Final
- Associação dos Transportadores rejeita suspeitas de desvios e aponta pânico social como um dos factores por detrás da recente escassez de combustíveis
- Associação dos Transportadores de Combustíveis rejeita alegações de desvios sistemáticos de combustível;
- Sector afirma que existe rastreabilidade e fiscalização no transporte dos produtos petrolíferos;
- Transportadores defendem que combustível carregado nos terminais chega aos postos de abastecimento;
- Associação considera improvável retenção deliberada de produtos por parte dos operadores;
- Pânico social e consumo excessivo são apontados como factores que agravaram a escassez recente.
A Associação dos Transportadores de Combustíveis assegura que o combustível carregado nos terminais oceânicos do país chega efectivamente ao destino final, rejeitando suspeitas segundo as quais parte dos produtos petrolíferos transportados não estaria a ser descarregada nos postos de abastecimento.
A posição surge na sequência das constatações tornadas públicas pela Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, segundo as quais parte do combustível transportado a partir dos terminais oceânicos poderia não estar a chegar aos postos, cenário apontado como um dos factores associados à recente escassez de combustíveis registada em várias regiões do país.
Em declarações ao jornal Notícias, o presidente da Associação dos Transportadores de Combustíveis, Romão Manhique, afirmou que os operadores seguem procedimentos rigorosos e mecanismos de controlo destinados a assegurar que os produtos petrolíferos sejam efectivamente entregues aos respectivos destinatários.
Sector Defende Existência de Rastreabilidade e Fiscalização
Segundo Romão Manhique, o processo logístico associado ao transporte de combustíveis possui mecanismos claros de rastreamento e fiscalização que dificultariam desvios sistemáticos dos produtos.
“Quando o transportador carrega no terminal oceânico, seja Beira, Maputo ou Nacala, a obrigação dele é levar o combustível ao destino”, afirmou.
O responsável explicou que o processo envolve registos detalhados sobre quem solicita o transporte, quem autoriza o carregamento e qual o destino final do produto, permitindo acompanhar a circulação do combustível ao longo da cadeia logística.
Além disso, sublinhou que vários operadores dispõem de sistemas electrónicos de rastreio instalados nos veículos de transporte, reforçando os mecanismos de controlo operacional e monitoria da circulação dos produtos petrolíferos.
Romão Manhique acrescentou ainda que muitos transportadores possuem tanques próprios de abastecimento e estão sujeitos a acções regulares de fiscalização.
Associação Considera Baixa Probabilidade de Desvios
Apesar das preocupações levantadas pelas autoridades, a Associação dos Transportadores considera reduzida a probabilidade de o combustível carregado nos terminais não chegar efectivamente aos postos de abastecimento.
“Para os membros da associação existe um contrato entre ele e a gasolineira, para levar o combustível do ponto A para o ponto B. A probabilidade deste combustível não chegar é muito baixa”, declarou Romão Manhique.
O responsável reconheceu, contudo, que o ambiente de pressão social gerado pela escassez de combustíveis acabou por produzir um aumento significativo da procura, agravando as dificuldades de abastecimento observadas nas últimas semanas.
Segundo explicou, o receio de ruptura no abastecimento terá levado muitos consumidores a procurar combustível de forma antecipada e em quantidades superiores ao habitual.
Pânico Social e Pressão Sobre o Sistema de Distribuição
Na avaliação da associação, o fenómeno de pânico social constitui actualmente um dos elementos mais difíceis de gerir no funcionamento da cadeia de abastecimento de combustíveis.
Romão Manhique considera que a corrida aos postos de abastecimento provocou alterações substanciais nos padrões normais de consumo, pressionando os operadores logísticos e a capacidade de reposição regular dos combustíveis.
O episódio volta a colocar em evidência os desafios associados à segurança energética, gestão logística e monitoria da cadeia de distribuição de combustíveis em Moçambique, num contexto em que o país continua dependente das importações de produtos petrolíferos.
A situação reacendeu igualmente o debate sobre os mecanismos de fiscalização, rastreabilidade e transparência no circuito nacional de abastecimento de combustíveis, particularmente em períodos de maior tensão no mercado.
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