Moçambique precisa de investir 1/3 do PIB até 2030 para se tornar resiliente às mudanças climáticas

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O esboço do relatório sobre o Clima e Desenvolvimento de Moçambique, da autoria do Banco Mundial, em fase final de auscultação nacional, refere que as alterações climáticas irão agravar os desafios do desenvolvimento. O documento, observa que, os impactos dos ciclones em Moçambique, entre 1997 e 2022, causaram reduções até 7,3% do PIB.

Até 2050, prossegue o relatório, no pior cenário de projecção climática “quente”, o nível de pobreza em Moçambique, aumentará 5%, adicionando à pobreza 1,6 milhões de indivíduos.

“Se não ocorrer nenhuma alteração estrutural significativa, a desigualdade medida pelo coeficiente de GINI (rácio que mede as disparidades distribuição de renda), dificilmente mudará, até 2050, em todos os cenários climáticos analisados.

O Banco Mundial chama atenção sobre a persistência de vários desafios impostos pelas mudanças climáticas, que aumentam as vulnerabilidades socioeconómicas do País, e que exigem o fortalecimento das instituições, para que possam promover uma transformação económica mais estrutural.

As perspectivas climáticas, apontam, para cenários mais quentes, um amento de 1 grau centígrado, até 2040, o que poderia equivaler a um impacto de redução do PIB em 9% e de um aumento de pobreza em 5%, significando que mais de 2 milhões de pessoas na pobreza se não forem tomadas medidas, agora, para mitigar, estes impactos.

“Espera-se que a já elevada vulnerabilidade de Moçambique aos impactos climáticos aumente nas próximas décadas”. Disse Franka Braun, especialista sénior em gestão de recursos naturais do Banco Mundial, para Moçambique.

Daí a importância de neste momento serem consideradas as medidas criticas que o País poderia adoptar para não sentir estes impactos.

 Perante estas estimativas, o Banco Mundial, considera que a baixa capacidade fiscal de Moçambique, impede a adopção de medidas de resiliência climática, com boa relação custo/benefício, para além de inibir uma rápida implantação de resposta a desastres climáticos. Entretanto o Grupo Banco Mundial, refere que existem janelas de oportunidades que Moçambique pode capitalizar para financiar o desenvolvimento inclusivo e resiliente ao clima.

Nessa perspectiva, as energias renováveis e o gás natural estão entre as apontadas como apresentando potencial para essa finalidade, ou seja, podem ser capitalizadas como respostas para as necessidades de financiamento ao desenvolvimento inclusivo e resiliente ao clima.

Segundo Franka Braun especificamente, existem oportunidades para um crescimento resiliente e de baixo carbono em Moçambique e medidas criticas, nessa perspectiva, mostram-se pertinentes e imprescindíveis.

Com o seminário realizado, esta terça feira, 28/03, na capital do Pais, corolário de eventos similares ocorridos nas cidades da Beira e Nampula,  o Banco concluiu a auscultação pública a nível nacional sobre o conteúdo do Relatório Sobre Clima e Desenvolvimento para Moçambique (Country Climate and Development Report – CCDR), a ser lançado ainda este ano.

“O CCDR faz parte de um esforço do Grupo Banco Mundial de identificar a interacção entre os desafios de desenvolvimento e as mudanças climáticas em Moçambique.

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