• Ciclone Freddy causou perdas a EDM, em Quelimane, de entre 15 a 20 milhões de dólares;
  • EDM vai apostar em infra-estruturas resilientes.

Administrador Executivo da empresa, Pedro Jossias Nguelume

Nos últimos 10-15 anos a Electricidade de Moçambique (EDM) tem estado a praticar uma tarifa que não reflecte os custos que a empresa incorre para a geração, transporte e distribuição de electricidade pelo País, disse o Administrador Executivo da empresa Pedro Jossias Nguelume.

O gestor da EDM, realçou que o impacto das últimas intempéries que assolaram parte da região centro do País, particularmente o ciclone Freddy,  causaram entre 15 a 20 milhões dólares de danos às infraestruturas da  EDM, só em Quelimane. A empresa está a proceder com a reposição do que foi danificado mas, mais do que isso, conforme revelou o Administrador Executivo, o trabalho em curso está a considerar não apenas a reposição mas igualmente a resiliência.

A estratégia da EDM face a recorrência de eventos climáticos extremos que assolam o País, é olhar para a resiliência como um factor crescimento.

Pedro Jossias Negulume que falava no último evento sobre a a actualidade e  as perspectivas económicas do País, o “Economic Briefing”, promovido pelo Standard Bank,  disse que a a provincia da Zambézia, é a zona do País “que tipicamente tem o mais baixo nível de electrificação, na casa dos 20%”

“E, como se não bastasse, temos uma demanda comprimida que nós estimamos em cerca de 300 a 400 megawatts.”. Disse Perdo Jossias Nguelume.

O responsável acrescentou que a zona dispõe de uma multi-indústria, incluindo a mineração que “infelizmente” a EDM tem sido incapaz de abastecer electricidade. “Não estamos com capacidade de, neste momento, abastecer tudo aquilo que são as necessidades em termos de energia da indústria”. Disse.

Jossias Nguelume disse que as soluções para o efeito, virão “do plano prioritário de projectos”. Acrescentou que a solução “inclui não só geração, mas também o transporte e a distribuição.”

A EDM está a investir, portanto, na sua resiliência. “Olhando um pouco para aquilo que é o investimento que tem que ser feito no médio e longo prazo, para poder responder às estas questões, resiliência, mas acima de tudo, de sustentabilidade, referir que há projectos como Chimuara˗ Nacala, 400 Quilovolts, estimado em cerca de 157 milhões de dólares, Matamba, Inchope e Vilaculos, com cerca de 600 milhões dólares, Namialo – Matoro  400 Quilovolts, cerca de 153 milhões dólares.” Disse.

A EDM, a par do desenvolvimento de soluções para atender a demanda interna, está a trabalhar para se posicionar como um fornecedor regional e continental, segundo avanço o Administrador,

“Felizmente, neste momento, Moçambique é o único país que não tem Loadshedding (défice no balanco entre a disponibilidade e a procura) na região e este desafio é aquilo que nos impele a trabalhar no sentido de disponibilizarmos a capacidade que temos não só para nós, mas também para resolver problemas de demanda a nível regional, portanto, a África do Sul é um caso, vamos chamar catastrófico, mas tem o Zimbabué, tem o Malawi, tem a Zâmbia, portanto, o mercado é vasto. “ Disse Pedro Jossias Nguelume.

O Administrador revelou que a EDM tem a ambição de, nos próximos 20, 30 anos a empresa se transformar no hub regional. “Tem que ser a partir de hoje que se pensa nos próximos 20, 30 anos, porque a oportunidade é agora e todos os desafios que o sector apresenta, obviamente têm que ser ultrapassados de forma sustentável”. Frisou

A EDM é neste momento o maior actor do mercado regional da Southern Africa Power Pool (fórum regional de electricidade). “Isso já diz um pouco daquilo que é o nosso objectivo de sermos hub regional”. Disse, explicando ainda que, do excedente, a EDM exporta também ao abrigo de contractos bilaterais.

Falando especificamente sobre a situação que se vive na África do Sul, falou Pedro Jossias Nguelume que, a Eskom tem um contrato histórico e de alguma forma tenta manter esse contrato.

“Torna a posição deles difícil de negociar, mas torna mais complicada ainda a nossa posição de ajudá-los a fazer a transição de fontes que estão neste momento completamente amortizadas como a central da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) para novas centrais como Mphanda Nkuwa, assim como outros objectivos em termos de centrais que nós temos para desenvolver”

“Obviamente que seria injusto se estivéssemos a exportar a nossa energia mais barata e que novos projectos de energia com tarifas muito mais altas tivessem que ser tomadas pelos moçambicanos”.

“Portanto, para nós, o desafio é regional, não vamos olhar para os sul africanos de forma preferencial, vai ser mais um actor que nós temos. Vamos desenvolver tudo aquilo que são as nossas soluções para disponibilizar e permitir que a região comece a reduzir aquilo que é o seu nível de défice. “ Asseverou Pedro Jossias Neguelume

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