Guerra Comercial entre China e EUA já lesou o mundo em USD 430 biliões

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Um dos temas mais preocupantes da actualidade na economia global é a Guerra Comercial entre a China e os Estados Unidos de América que até então já criou prejuízos para a economia dos dois países, através de grandes quedas das cotações de empresas em Wall Street e nos mercados asiáticos, e danos para a economia global em cerca de USD 430 biliões de Produto Interno Bruto. Se a situação se mantiver ou as promessas tarifárias forem cumpridas, os custos poderiam ascender a perdas em cerca de USD 455 biliões do PIB mundial em 2020.

A Guerra Comercial entre estas duas potências é um conflito iniciado pelos EUA em Março de 2018 através do anúncio da primeira série de tarifas a serem impostas contra produtos chineses motivado pelo alto défice comercial existente entre estas duas potências, percebido pelos EUA como injusto. Mas a sua reclamação sobre as práticas comerciais da China vem sendo feita como discurso de campanha antes de assumir o mandato em 2016. Com efeito, em 2017, os EUA iniciaram uma investigação à política comercial chinesa. Em 2018, os EUA impuseram uma ronda de tarifas de mais de 250 biliões de dólares em bens chineses que vão desde bolsas de mão à equipamento ferroviário.

Como resposta a China impôs de tarifas a variar de 5% a 25% correspondentes a cerca de 110 biliões de produtos americanos que incluem químicos, carvão e equipamento médico.

Em Dezembro de 2018, acordou-se uma trégua que fracassou e em Maio de 2019 os EUA aumentaram as tarifas em 200 biliões de dólares de produtos chineses, um aumento de 10% a 25%. E a resposta chinesa foi de USD 60 biliões em tarifas aos bens americanos.

Recentemente, após os EUA anunciar mais um conjunto de tarifas aos bens chineses, a China decidiu suspender novas aquisições de produtos agrícolas americanos. O pináculo desta situação foi a acusação formal dos EUA a China de estar a manipular a sua moeda, o que agrava o já existente conflito comercial. Acusações das quais a China se eximiu.

Se as promessas do presidente americano Donald Trump forem cumpridas, os principais bens a serem abrangidos por novas medidas tarifárias a ascender de 10 à 25% são equipamentos de telecomunicações, placas de circuito de computadores, unidades de processamento, mobiliário metálico, peças de computador, mobiliário de madeira, conversores de energia, azuleijos de vinil, peças de carro entre outros.

 

Determinantes do Conflito

Este conflito tem antecedentes em pelo menos 3 factores:

1º O grande défice comercial existente entre os Estados Unidos-China, que começou a ser observado a partir de 1985, e só em 2018 esse défice rondava os 400 biliões de dólares a favor da China;

2º Práticas de comércio “injustas” feitas pela China e que os EUA assumem que lhes chegam a custar cerca de 225-600 biliões de dólares americanos por ano; Dentre estas práticas está a ideia de que qualquer Investimento Directo Estrangeiro a ser feito em solo Chinês deve ser num modelo de Joint Venture. Neste processo os chineses recebem direitos para usar a propriedade intelectual das empresas envolvidas na parceria de modo a produzir bens domésticos em sua base;

3º A suposta espionagem comercial, política e económica que a China vem fazendo aos EUA, que inclui roubo de direitos de propriedade intelectual ou patentes aos americanos e tecnologia militar; de tal forma que os americanos chamam a este processo de maior transferência de riqueza da historia;

4º A política externa revisionista de Donald Trump, assente em invalidar todos os processos conquistados pelo seu predecessor, Barack Obama. Sobretudo referente às questões de comércio internacional, instituições internacionais e paz e segurança internacionais.

 

Implicações para o mundo, África e Moçambique

As implicações desta guerra têm sido sentidas em todo o mundo. Numa primeira fase ao nível dos mercados financeiros, onde tem-se estado a verificar a queda da cotação das grandes empresas internacionais como resultado da redução dos investimentos e, portanto, do crescimento. Segundo projecçoes do FMI para 2020, se o conflito continuar o mundo poderia perder 0.5% do seu PIB. Isto ocorre sobretudo como resultado directo dos processos de globalização, em que os mercados internacionais estão mais interligados e dependentes uns dos outros num nível acima dos interesses dos Estados. Com efeito, uma guerra comercial entre estes dois Estados afecta não só o crescimento das duas economias (aos EUA, por exemplo, através do sector manufactureiro, investimentos e exportações, resultando em redução de divisas), como também de países europeus como a Alemanha e a Itália.

Uma consequência directa de uma retracção da economia é também o aumento das margens de conflito entre os Estados. Sobretudo nos locais ou regiões em que os dois beligerantes disputam interesses económicos e geopolíticos, como a Ásia e o Médio Oriente.

Para continentes como África e países como Moçambique isto tem implicações em dois níveis, primeiro como oportunidade, uma vez que os investidores podem redirecionar os seus investimentos para o continente, que tem muitas oportunidades de crescimento ainda, e os bens chineses ficam mais acessíveis para África através da desvalorização da moeda daquele país. Mas por outro lado quando a China para de crescer, o mundo perde mercados estratégicos para os seus bens. A China é o maior parceiro comercial da África e isto pode afectar seriamente o crescimento do continente.

Veja o vídeo da matéria a seguir:

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