Imóveis da extinta Correios de Moçambique avaliados em mais de 2 mil milhões de Meticais

Correios de Moçambique reinventa-se?

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Correios de Moçambique estão na iminência de reduzir em 30% a sua força de trabalho, passando dos actuais 532 trabalhadores para 372, e realizar investimentos na ordem de USD 4.492.500 em novas linhas de serviços.

Estas medidas combinadas de gestão inserem-se no processo de reestruturação e modernização em curso na empresa, e como parte da estratégia de sobrevivência e competitividade determinada pela revolução tecnológica que ditam as novas regras e o desempenho da área de serviços postais assente cada vez mais em processos tecnológicos avançados.

O advento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) revolucionou a comunicação à distância entre as pessoas, reduzindo o tempo, encurtando as distâncias, baixando os custos. Os tradicionais serviços postais deixaram de ter a relevância de outrora. No lugar de cartas e telegramas, as pessoas passam a usar mensagens instantâneas de texto – SMS, e-mail ou chat numa rede social.

Será o fim das empresas de correios? É o fim dos serviços de correios ou estes podem reinventar-se, inovar, sobreviver e competir num ramo de actividade cujo sucesso é cada vez mais determinado pela optimização tecnológica?

Como Empresa Pública, Correios de Moçambique tem se adaptado ao novo mundo sem carta nem envelopes, ou melhor, de cartas e envelopes digitais? Pela informação que vem a público, a transição não tem sido fácil. No primeiro semestre deste ano, os trabalhadores amotinaram-se, contestando a demora de pagamento de salários, subsídios de férias, décimo terceiro salário de 2017 a 2019.

A Empresa Correios de Moçambique está em reestruturação. A proposta já foi submetida ao governo. O PCA dos Correios de Moçambique Valdemar Jessene explicou que com a restruturação, parte dos trabalhadores vai aderir a pré-reforma, reduzindo a força de trabalho em 30%. Enquanto aguarda pela aprovação da reestruturação, a empresa vai operando no novo modelo, com alguns projectos como o Post-Bus, que consiste no transporte de pessoas e encomendas para vários cantos do país e que é uma actividade recomendada pela União Postal Universal das Nações Unidas. Outra iniciativa é o Projecto Logístico de Distribuição de Medicamento e Material Hospitalar, com investimento avaliado em cerca de USD 4.492. 500.

Valdemar Jessene – PCA dos Correios de Moçambique

Está ainda em criação a Plataforma do Comércio Electrónico, avaliado em USD 2.500.000 denominado e-commerce, para a venda virtual de equipamento electrónico, como por exemplo, computadores, tabletes e smartphones. Os Correios de Moçambique intervêm nesta área no processo de aceitação e distribuição de produtos.

Como uma Empresa Pública, os Correios de Moçambique tem se adaptado ao novo mundo sem carta nem envelopes, ou melhor de cartas e envelopes digitais? Pela informação que vem a público, a transição não tem sido fácil. No primeiro semestre deste ano, os trabalhadores amotinaram-se contestando demora de pagamento de salários, subsídios de férias, décimo terceiro salário de 2017 a 2019.

No início da década 90, a empresa Correios de Moçambique perdeu monopólio do serviço postal nacional e passou a ombrear com gigantes mundiais. Federal Express, a DHL, Manica Moçambique, Nemada Express são alguns exemplos que empresas de dimensão mundial que passaram a disputar o mercado do serviço postal moçambicano. Com efeito, de 1994 a 1998 o tráfego postal da Correios de Moçambique reduziu de 9,5% e 14,5%, respectivamente.

Os outros países, antes da abertura do mercado de postais, prepararam a operadora incumbente a esta nova realidade. Houve investimento, houve a diminuição da mão-de-obra, modernização dos equipamentos e contratara-se mais jovens adequados as novas TIC’s, em conclusão os outros preparam-se muito bem. O que aconteceu em Moçambique foi o contrário, o mercado foi aberto e não se preparou a empresa e por esta via os Correios de Moçambique continuou com a mão-de-obra desajustada a realidade e muito grande.

A empresa está a reerguer-se a adaptar-se à nova realidade. Actualmente, a aposta é na logística. Os serviços de correspondências e de encomendas têm sido o core business. De 2017 a 2018 o volume do serviço de correspondências cresceu em 38% e o volume dos serviços de Encomendas cresceu em 54%.

Veja o vídeo da matéria a seguir:

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