
Reduzir o risco do capital é fundamental para aumentar o financiamento do desenvolvimento”, afirma Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento no fórum do Fundo da OPEP
Os financiadores globais do desenvolvimento que participam no fórum do Fundo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), deste ano, em Viena, Áustria, comprometeram-se a remodelar os seus investimentos para apoiar projectos ecológicos em grande escala.
Os delegados, que representam bancos multilaterais de desenvolvimento e instituições intergovernamentais, afirmaram que os líderes empresariais e políticos devem fazer mais para estimular a mobilização de capital do sector privado.
Muhammad Al Jasser, Presidente do Grupo Banco Islâmico de Desenvolvimento, citou a iniciativa emblemática de energias renováveis Desert to Power, liderada pelo Banco Africano de Desenvolvimento, como “um grande projecto pioneiro”.
Al Jasser afirmou que o Banco Islâmico de Desenvolvimento está totalmente empenhado em financiar projectos ecológicos, equilibrando-os com o apoio à redução da pobreza.
O Presidente do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento, Akinwumi Adesina, apelou a novas formas de preparação de projectos e à redução do risco dos projectos para mobilizar o investimento do sector privado em grande escala para o desenvolvimento sustentável.
“Já percebemos onde está o sector privado. Temos 145 biliões de dólares de activos sob gestão (e) até 2026 vai estar lá… mas a questão aqui é que precisamos de novas formas de agregação para preparar os projectos, para reduzir o risco dos projectos e baixar o custo de transacção para aqueles que mobilizam capital”, reiterou Adesina.
O Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento citou o Fórum de Investimento Africano, iniciado pelo Banco e sete parceiros, como uma plataforma continental líder que está a agregar projectos financiáveis para reduzir a fragmentação e facilitar a atração de investimentos institucionais.
“Tornou-se hoje a principal plataforma de investimento em África e, nos últimos quatro anos, conseguimos mobilizar cerca de 142 mil milhões de dólares de investimento em energia, água e saneamento, infraestruturas e corredores de transportes”, disse Adesina.
Acrescentou que o Banco Africano de Desenvolvimento e os seus parceiros estão também a criar oportunidades para o sector privado investir na agricultura através de zonas especiais de processamento agroindustrial, que estão a ser estabelecidas em todo o continente.
Adesina disse: “Estamos a trazer capital privado para a agricultura, o que criará oportunidades para o sector privado ir para as áreas rurais perto de onde os agricultores estão a produzir – podem comprar alimentos, podem processar alimentos, podem embalar alimentos, podem exportar alimentos e ter mais competitividade em várias cadeias de valor”.
Rémy Rioux, Director Executivo da Agência Francesa de Desenvolvimento, apelou a um consenso na redefinição do financiamento do desenvolvimento.
“Precisamos de uma nova narrativa. Precisamos de trabalhar num enquadramento para financiar o que ninguém está a financiar – as comunidades mais vulneráveis. Este é o nosso mandato principal e temos de ser autorizados a afectar parte dos preciosos recursos concessionais para mobilizar, reduzir as emissões e seguir o caminho privado”, defendeu.
Rioux afirmou que aguarda com expectativa a cimeira desta semana para um Novo Pacto Global de Financiamento, que irá definir um roteiro para aliviar o peso da dívida dos países de baixo rendimento, libertando simultaneamente mais fundos para o financiamento do clima.
As discussões em Paris incluirão a redistribuição dos direitos especiais de saque do Fundo Monetário Internacional (SDR), disse Rioux, reconhecendo a tese de Adesina de que o Banco Africano de Desenvolvimento seja o canal para redistribuir os SDR para África.
Frannie Leautier, presidente do Comité de Avaliação Independente dos Quadros de Adequação de Capital dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, descreveu as áreas que o seu comité identificou para maximizar o impacto do seu capital.
Estas áreas incluem o reconhecimento do capital mobilizável como um poderoso instrumento de compromisso dos accionistas; a adoção de mais inovações financeiras na aplicação do capital; o reforço do diálogo com as agências de crédito; e a realização de reformas para aumentar a transparência.
O Primeiro-Ministro do Butão, Lotay Tshering, prestou homenagem aos bancos multilaterais de desenvolvimento pelo seu apoio, em especial aos países vulneráveis e de baixo rendimento. “Vocês são um grupo de pessoas que trabalham para além das possibilidades de lucro. Abrangem países que não são os vossos”, afirmou.
O Director-Geral do Fundo da OPEP, Abdulhamid Alkhalifa, sublinhou a necessidade de os financiadores do desenvolvimento remodelarem as suas operações para atraírem outros recursos e colmatarem o enorme défice de financiamento.
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