Banco Africano De Desenvolvimento Acelera Reforma Financeira E Defende Nova Arquitectura Para Mobilizar Recursos Africanos

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  • Reunidos em Brazzaville, os Governadores do AfDB apoiaram a visão estratégica do Presidente Sidi Ould Tah e defenderam uma transformação profunda da arquitectura financeira africana para reduzir a dependência da ajuda externa e mobilizar recursos em larga escala para o desenvolvimento do continente.
Questões-Chave:
  • Governadores do AfDB endossaram a estratégia dos “Quatro Pontos Cardeais” apresentada por Sidi Ould Tah;
  • Banco pretende acelerar a implementação da Nova Arquitectura Financeira Africana para o Desenvolvimento (NAFAD);
  • Angola anunciou uma contribuição de 6,5 milhões de euros para a 17.ª reposição do Fundo Africano de Desenvolvimento;
  • Reuniões Anuais mobilizaram mais de 4.000 participantes de 81 países;
  • AfDB vai investir 125 milhões de dólares na ATIDI para expandir garantias e atrair capital privado para África.

As Reuniões Anuais de 2026 do Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB, sigla em inglês), realizadas em Brazzaville, República do Congo, marcaram o início efectivo de uma nova fase estratégica da instituição, caracterizada por uma aposta clara na mobilização de recursos africanos para financiar o desenvolvimento do continente e reduzir a dependência dos fluxos tradicionais de ajuda externa.

Os Governadores do Banco manifestaram apoio inequívoco ao Presidente do AfDB, Sidi Ould Tah, e à sua visão estratégica designada “Quatro Pontos Cardeais”, uma agenda que pretende reforçar a capacidade de intervenção de África num contexto internacional cada vez mais fragmentado e marcado por restrições crescentes ao financiamento concessionário.

Segundo Ludovic Ngatsé, Ministro da Economia, Planeamento, Estatística e Prospectiva da República do Congo e Presidente do Conselho de Governadores do AfDB, os países membros encorajaram a liderança da instituição a acelerar reformas destinadas a tornar o banco mais ágil, mais próximo dos beneficiários e mais eficaz na mobilização de recursos para o desenvolvimento.

África Procura Responder À Redução Da Ajuda Externa

A nova orientação estratégica surge num momento em que o financiamento externo ao desenvolvimento enfrenta uma fase de retracção.

Segundo informações avançadas pela Reuters, a ajuda internacional ao desenvolvimento caiu para 174,3 mil milhões de dólares em 2025, uma redução próxima de 25%, sendo os Estados Unidos um dos principais responsáveis pelos cortes registados.

Perante esta realidade, Sidi Ould Tah defende uma abordagem centrada na mobilização de recursos internos africanos, através da Nova Arquitectura Financeira Africana para o Desenvolvimento (NAFAD).

O objectivo passa por mobilizar parte dos cerca de 4 biliões de dólares existentes em fundos de pensões, fundos soberanos, mecanismos de poupança e outras fontes institucionais de capital actualmente dispersas pelo continente. Segundo o AFDB, estes recursos poderão contribuir para reduzir um défice anual de financiamento ao desenvolvimento estimado em cerca de 400 mil milhões de dólares.

AFDB Reforça Estratégia De Garantias Para Atrair Capital Privado

Um dos anúncios mais relevantes realizados à margem das reuniões foi a decisão do Banco Africano de Desenvolvimento de investir 125 milhões de dólares na African Trade and Investment Development Insurance (ATIDI), instituição especializada em seguros e garantias para investimento em África.

A operação permitirá ao AFDB aumentar a sua participação accionista de 3% para 14%, tornando-se o maior accionista da instituição.

Segundo Sidi Ould Tah, a estratégia visa expandir significativamente a utilização de garantias como instrumento de mitigação de risco, criando condições para atrair maiores volumes de investimento privado para sectores considerados estratégicos.

O objectivo anunciado é elevar a capacidade anual de garantias da ATIDI para cerca de 10 mil milhões de dólares, mais do triplo dos níveis médios actualmente observados.

A iniciativa enquadra-se numa tendência crescente entre bancos multilaterais de desenvolvimento que procuram utilizar mecanismos de partilha de risco para mobilizar recursos privados em vez de depender exclusivamente de financiamento público.

Fundo Africano De Desenvolvimento Ganha Novo Impulso

As reuniões de Brazzaville ficaram igualmente marcadas pelo reforço do compromisso dos países africanos com o Fundo Africano de Desenvolvimento (FAD), a janela concessionária do AfDB destinada aos países de menor rendimento.

Angola anunciou uma contribuição de 6,5 milhões de euros para a 17.ª reposição do Fundo, elevando para 25 o número de países africanos participantes no financiamento do mecanismo. No conjunto, os compromissos africanos já ultrapassam os 190 milhões de dólares.

Segundo o AfDB, este nível de participação representa uma mudança importante na arquitectura financeira africana, reforçando o princípio da responsabilidade partilhada e da apropriação africana dos instrumentos de financiamento ao desenvolvimento.

Conservação Ambiental E Integração Regional Em Destaque

As reuniões produziram igualmente avanços noutras áreas estratégicas.

Foram anunciados compromissos superiores a 3 mil milhões de dólares para o Fundo Azul da Bacia do Congo, destinado a apoiar 17 países africanos em iniciativas de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável.

Foi igualmente confirmado um financiamento japonês de 10 milhões de dólares para apoiar o Programa Integrado de Transformação da Aviação em África (IATP), uma iniciativa destinada a reforçar a conectividade aérea e a integração económica regional.

Entretanto, o Presidente da República do Congo, Denis Sassou N’Guesso, anunciou a eliminação da exigência de vistos para cidadãos de todos os países africanos a partir de Janeiro de 2027, medida saudada pelo AFDB como um passo importante para aprofundar a integração continental.

Um Banco Mais Próximo Do Terreno

No encerramento dos trabalhos, Sidi Ould Tah reafirmou a intenção de transformar o Banco Africano de Desenvolvimento num verdadeiro “banco de soluções”, mais próximo dos países, das empresas e das comunidades.

O Presidente do AfDB defendeu uma maior colaboração com bancos nacionais e regionais para apoiar pequenas e médias empresas, jovens empreendedores e mulheres, sublinhando que o futuro do desenvolvimento africano dependerá cada vez mais da capacidade do continente mobilizar os seus próprios recursos e transformar localmente as suas matérias-primas.

A mensagem central saída de Brazzaville é clara: perante um ambiente internacional mais incerto e menos generoso em termos de ajuda ao desenvolvimento, África procura assumir maior protagonismo no financiamento da sua própria transformação económica.