
Biden e Lula concentram-se nos perigos para a democracia e pretendem promover os direitos dos trabalhadores
O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando seu compromisso comum de fortalecer a democracia, lançaram uma iniciativa na quarta-feira, 20 de Setembro, para promover os direitos dos trabalhadores, um foco importante para ambos os líderes.
Biden e Lula, falando antes de uma reunião bilateral à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas de alto nível, destacaram a importância de empregos decentes, bons salários e de garantir que os trabalhadores beneficiem das transições digitais e de energia verde em curso na sociedade.
“As duas maiores democracias do Hemisfério Ocidental estão a defender os direitos humanos em todo o mundo e no hemisfério, e isso inclui os direitos dos trabalhadores”, disse Biden a Lula.
“Deixe-me ser claro, seja no sindicato dos trabalhadores da indústria automobilística ou em qualquer outro sindicato, os lucros recordes das empresas devem significar contratos recordes para os trabalhadores sindicalizados”, disse Biden num evento separado de lançamento da nova iniciativa.
Os seus comentários foram feitos no sexto dia de uma greve de 12.700 membros da United Auto Workers contra a Ford (F.N), a General Motors (GM.N) e a Stellantis (STLAM.MI), empresa-mãe da Chrysler, que exigem melhores salários e benefícios.
Lula, alertando que as democracias estão ameaçadas em todo o mundo, disse que é fundamental garantir os direitos dos trabalhadores e afirmou que a nova iniciativa ajudará a “despertar a esperança” das famílias trabalhadoras, aprofundando os laços entre os dois países.
“É mais do que apenas mais um acordo bilateral. É uma relação de fé que estamos a construir aqui e uma nova era para as relações entre os EUA e o Brasil entre parceiros iguais”, disse Biden, acrescentando que “a pobreza e a desigualdade não são do interesse de ninguém”.
Biden e Lula trocaram histórias pessoais sobre a importância de empregos decentes no início de seu segundo encontro pessoal. Lula – que referiu que a sua educação consistiu apenas em formação profissional e que trabalhou 27 anos numa fábrica – disse que o seu ministro do trabalho se reuniu com trabalhadores em greve na terça-feira, 19 de Setembro.
“Não há democracia sem sindicatos fortes”, disse Lula no evento de lançamento, expressando sua admiração pelo forte apoio de Biden ao trabalho organizado.
Biden citou um relatório recente do Tesouro dos EUA que mostrou a importância da sindicalização e como ela melhorou os resultados económicos.
Quando Lula visitou Biden na Casa Branca em Fevereiro, ambos os líderes se concentraram na crise climática e comprometeram-se a acelerar as medidas para proteger a Amazónia, bem como a necessidade de lutar e promover os valores democráticos.
Biden disse que a nova iniciativa trabalharia para acabar com o trabalho forçado e o trabalho infantil, mitigar o impacto sobre os trabalhadores das transições da energia limpa e da economia digital, promover locais de trabalho seguros e decentes e acabar com a discriminação no local de trabalho, incluindo contra mulheres, pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgênero (LGBT) e minorias raciais e étnicas.
Também se concentrará no aproveitamento de novas tecnologias, como a inteligência artificial, para beneficiar os trabalhadores, disse ele.
Lula disse que os dois líderes planeiam abordar as questões em fóruns multilaterais, como o Grupo das 20 principais economias, que o Brasil lidera no próximo ano, e os eventos climáticos globais COP 28 e COP 30.
A iniciativa visa “envolver os parceiros do sector privado em abordagens inovadoras para criar empregos decentes nas principais cadeias de produção, combater a discriminação no local de trabalho e promover a diversidade”, disse o governo brasileiro em comunicado
O Director-geral da Organização Internacional do Trabalho, Gilbert Houngbo, saudou o que chamou de iniciativa histórica.
“O trabalho decente permite que os trabalhadores se organizem e negociem”, disse ele aos repórteres. “Promove a justiça social, que é essencial para que as pessoas tenham um futuro melhor.”
O projecto conjunto faz parte de um esforço dos EUA para reforçar os laços com o Brasil, que tem mantido laços estreitos com a China, o seu principal parceiro comercial, mesmo quando as tensões entre Pequim e Washington têm aumentado acentuadamente.
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