África subsaariana volta aos mercados financeiros pela via ‘Costa do Marfim’

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  • A Agência de notação financeira Standard & Poor’s – S&P considera que a emissão de dívida pela Costa do Marfim, a primeira na região depois de dois anos, abre caminho para outros países da África Subsaariana.

“Apesar de a emissão de US$ 2,6 mil milhões de dívida da Costa do Marfim ter ocorrido quando as condições de financiamento continuam restritivas, as ordens de compra atingiram um recorde para o País de mais de US$ 8,0 mil milhões, o que mostra que os investidores continuam a ter apetite pela dívida do país, ainda que com um preço mais elevado”, sustentam os analistas desta agência de ‘rating’.

Num comentário à emissão de dívida feita pela Costa do Marfim na semana passada, com uma taxa de juro a rondar os 8 por cento por ano, a S&P diz que o regresso aos mercados “pode abrir caminho para outras emissões de Eurobonds na região”.

As condições, no entanto, pоdem ser diferentes, já que “os investidores vão diferenciar os vários mercados emergentes com base no seu desempenho económico e perspectivas de evolução da economia, previsão de consolidação orçamental e também em como implementaram os planos de reformas económicas e o relacionamento com os doadores”, admitem.

A emissão feita pela Costa do Marfim, um dos mercados financeiros mais avançados da África Subsaariana, consistiu em duas tranches, uma de US$ 1,1 mil milhões, com maturidade de nove anos e uma taxa de juro de 7,875 por cento e outra de US$ 1,5 mil milhões, com maturidade de 13 anos e uma taxa de juro anual de 8,5 por cento, nota a S&P.

O Governo vai usar a maior parte destas verbas para financiar o desenvolvimento de projectos no âmbito do quadro de sustentabilidade do país, em áreas como as infra-estruturas e serviços básicos, emprego, energias renováveis e o controlo da poluição, para além da gestão de água e conservação da biodiversidade, lê-se ainda no comentário da S&P.

As elevadas taxas de juro cobradas aos países africanos, percepcionados como sendo empréstimos mais arriscados, têm impedido nos últimos anos a região de recorrer aos mercados financeiros internacionais para se endividar e financiar o desenvolvimento económico.