
Banco Africano de Desenvolvimento precisa ser ágil, mais rápido e reactivo, para atrair investimentos inovadores do sector privado – Akinwumi Adesina
Foi no decurso dos ‘Encontros Anuais” do Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB, sigla em inglês) que decorre na capital do Quénia, Nairobi, que Akinwumi Adesina, Presidente da instituição , apresentou na quinta-feira, 30/05, um ambicioso programa de cinco pontos para atrair o tão necessário investimento do sector privado para acelerar a transformação económica de África e enfrentar os desafios de uma série de crises globais interligadas.
Intervindo no Diálogo dos Governadores, um dos principais eventos nos Encontros Anuais do Banco, Adesina apelou a uma série de mudanças e reformas. Sublinhou que, sem tais mudanças, seria impossível criar o que designou por “banco de soluções adequado à finalidade” – um banco capaz de aumentar o investimento do sector privado para os níveis necessários para satisfazer as necessidades do continente.
“Só assim o Grupo Banco Africano de Desenvolvimento pode realmente ajudar a transformar África através do sector privado”, disse aos Conselhos de Governadores do Grupo Banco durante a sessão de Diálogo dos Governadores para discutir maneiras de ‘Mobilizar o Sector Privado para Acelerar a Transformação de África’.
“Essencialmente, o Banco Africano de Desenvolvimento tem de se reinventar… deixando de ser uma instituição financeira orientada em grande medida para o sector público e passando a ser uma instituição mais orientada para o sector privado. Para tal, é necessário alterar os instrumentos e os processos para que se tornem mais ágeis e mais adequados ao sector privado”, afirmou.
“Os desafios que enfrentamos são formidáveis. Ao mesmo tempo, as oportunidades a aproveitar são abundantes. Estamos inabaláveis no nosso compromisso de continuar a construir parcerias e a inovar de forma a aumentar a nossa eficácia, permitindo-nos trabalhar em grande escala”, disse Adesina à assembleia de alto nível dos acionistas do Banco.
O Pesidente do Grupo AfDB afirmou que, à medida que o mundo atravessa múltiplos desafios, incluindo tensões geopolíticas, inflação global inabalável, aumento dos preços dos alimentos e da energia e alterações climáticas, o facto é que os recursos dos governos por si só nunca serão suficientes para satisfazer as necessidades de desenvolvimento de África.
“O sector privado deve, por conseguinte, desempenhar um papel fundamental, quer se trate de fazer face às alterações climáticas, de alargar o acesso dos países aos mercados de capitais mundiais, de apoiar o financiamento das empresas ou de fornecer infraestruturas mais rentáveis através de parcerias público-privadas”, afirmou.
Criação de uma Plataforma de Garantia para África autónoma
Para acelerar o investimento do sector privado em África, o Presidente do AfDB destacou cinco áreas que, segundo ele, requerem a atenção da instituição:
- Em primeiro lugar, a preparação de projectos financiáveis que possam atrair investimentos, o que exige a agregação e a expansão dos mecanismos de preparação de projetos atualmente díspares no continente.
- Em segundo lugar, o Banco tem de agregar todas as suas garantias parciais de risco e de crédito e proporcionar aos investidores uma redução do risco à escala numa Plataforma de Garantias para África (GPA) autónoma.
- Em terceiro lugar, é necessário criar uma Agência Africana de Rating independente que forneça avaliações justas dos riscos em África e que actue como um instrumento contrafactual para os actuais enviesamentos nas notações de crédito soberanas e não soberanas africanas.
- Em quarto lugar, reforçar o Fórum Africano de Investimento, a fim de continuar a desempenhar um papel significativo e estratégico como mercado para os investidores e apoiar a sua sustentabilidade financeira, quer no seio do Banco, quer na sua colocação fora do Banco.
- Em quinto lugar, o Banco Africano de Desenvolvimento planeia aumentar o seu financiamento ao sector privado, triplicando as operações de financiamento não soberanas para 7,5 mil milhões de dólares por ano, durante a próxima década. Para o efeito, será necessário analisar seriamente o modelo de negócio do Banco, permitindo-lhe assumir mais riscos e, ao mesmo tempo, dissociar os riscos do balanço do Banco.
Adesina acrescentou que, actualmente, África tem mais de 2,5 biliões de dólares de activos sob gestão de fundos de pensões, fundos soberanos, companhias de seguros e poupanças coletivas. A utilização criativa destes fundos em prol do desenvolvimento pode ser transformadora.
Um papel catalisador
Adesina sublinhou que o Banco também está a apoiar a criação de veículos de capital privado com capacidade de expansão. Por exemplo, para mobilizar o financiamento do sector privado para infraestruturas, o Banco criou o Africa50, um veículo de capitais privados para desenvolver infraestruturas com taxas de rentabilidade de mercado.
“Actualmente, o Africa50 tem investido em empresas de infraestruturas em carteira um valor de mais de 3 mil milhões de dólares. Investimos 20 milhões de dólares em capital no Fundo de Aceleração de Infraestruturas do Africa50, que está a mobilizar 500 milhões de dólares em capital privado para investimentos em infraestruturas”, explicou Adesina.
Disse estar satisfeito por o Fundo ter atingido o seu primeiro fecho financeiro de 250 milhões de dólares em 2023 e ter atraído investimentos de 16 investidores institucionais de toda a África – uma estreia no continente.
“Temos de olhar para nós próprios se quisermos fazer mais com o setor privado. Se perguntarmos ao setor privado, dirão que somos demasiado lentos. Isso é verdade, porque ainda funcionamos em grande parte como uma instituição do setor público, com sistemas e processos do setor público”, observou.
Adesina apelou também à criação de um Grupo Consultivo do Sector Privado independente, semelhante ao que o Grupo Banco Mundial criou recentemente.
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