
O Governo de Angola esclareceu que não existem negociações em curso com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um novo programa de assistência financeira. A declaração surge após especulações publicadas pelo Jornal de Negócios, de Portugal, que reportou que o FMI estaria a finalizar um empréstimo para o país avaliado entre 3 mil milhões e 5 mil milhões de dólares americanos.
Em comunicado divulgado na terça-feira, 26/11, o Ministério das Finanças de Angola confirmou que, como parte da preparação das projeccções fiscais de médio prazo, foi solicitado ao FMI uma actualização técnica sobre opções de resposta a cenários de risco. “Esse tipo de solicitação ao FMI é comum no contexto de interacções técnicas, e actualmente não há negociações sobre um possível programa de assistência financeira”, reforçou o Ministério.
Especulações e esclarecimentos
O relato do Jornal de Negócios não especificou a fonte da informação sobre o alegado empréstimo em negociação. No entanto, em Outubro passado, a Ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, mencionou que Angola e o FMI estavam a explorar opções para um possível novo programa e avaliavam qual o tipo de empréstimo mais adequado às necessidades do País, que é um dos principais produtores de petróleo da África.
Cenário económico
Angola enfrenta desafios económicos ligados à diversificação da sua economia, ainda fortemente dependente do petróleo, que representa a maior fatia das receitas fiscais e das exportações. Nos últimos anos, o país beneficiou de um programa de assistência do FMI, que incluiu medidas para estabilizar as finanças públicas, reforçar a transparência fiscal e implementar reformas estruturais.
Com o aumento das receitas petrolíferas, motivado por preços mais altos no mercado global, o Governo tem buscado reduzir a dependência de financiamento externo. No entanto, a volatilidade dos preços do petróleo e os riscos macroeconómicos continuam a ser uma preocupação.
Perspectivas fiscais
O pedido de nota técnica ao FMI alinha-se ao esforço do Governo para aprimorar a gestão de riscos fiscais e fortalecer a sustentabilidade económica. A decisão de não avançar com negociações para um novo programa de assistência financeira sinaliza confiança na capacidade do país de lidar com os desafios económicos atuais sem recorrer a novos empréstimos internacionais.
O Ministério das Finanças angolano reiterou que as interações com o FMI continuarão a ocorrer no âmbito de assistência técnica e partilha de melhores práticas, mas sem compromissos adicionais no curto prazo.
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