
Dólar não vacila face às incertezas globais, termina 2024 em alta
O dólar americano encerra 2024 em alta, consolidando-se como uma das moedas mais fortes do mundo num ano marcado por incertezas globais. O índice do dólar, que mede o seu desempenho em relação a um cabaz de seis moedas principais, registou um aumento de 6,6% no ano, alcançando 108,06. Esta valorização reflecte tanto as decisões da Reserva Federal (Fed) como as políticas económicas do novo governo Trump, ambas influenciando significativamente os mercados financeiros.
Decisões da Fed e impacto nas taxas de juro
A Reserva Federal desempenhou um papel central na sustentação do dólar em 2024. Em Dezembro, o banco central surpreendeu os mercados ao rever a sua previsão de cortes nas taxas de juro para 2025, reduzindo-a de 100 para 50 pontos base, citando preocupações com a inflação persistente.
“Vemos os riscos para as taxas de juro decorrentes das políticas do segundo governo Trump como mais bilaterais do que se supõe amplamente”, afirmaram estrategas do Goldman Sachs. Apesar disso, o banco projeta três cortes de juro em 2025, refletindo esperanças de que a inflação esteja sob controlo.
Políticas económicas de Trump
A reeleição de Donald Trump trouxe à tona um conjunto de políticas económicas consideradas pró-crescimento e inflacionárias, incluindo cortes de impostos, regulação mais flexível e aumento de tarifas. Estas medidas contribuíram para manter os rendimentos do Tesouro dos EUA elevados, favorecendo a procura pela moeda americana.
“Embora a reacção inicial dos mercados à reeleição de Trump tenha sido eufórica, agora eles parecem estar a analisar com mais cuidado as prioridades do novo Governo”, comentou Gary Dugan, director executivo do Global CIO Office.
Impactos globais e declínio de outras moedas
O fortalecimento do dólar teve repercussões globais, prejudicando muitas moedas, especialmente em mercados emergentes. O euro, por exemplo, caiu 5,7% em relação ao dólar, enquanto o iene japonês atingiu os seus níveis mais baixos desde Julho, acumulando uma queda de 10% no ano.
As moedas sensíveis ao risco, como o dólar australiano e o neozelandês, também foram impactadas, com declínios de 8,7% e 11%, respectivamente, registando os seus piores desempenhos anuais em anos.
Bitcoin e os criptoactivos
No universo das criptomoedas, a bitcoin destacou-se com um aumento de 117% em 2024, encerrando o ano cotado a US$ 92.370, embora abaixo do recorde de US$ 108.379,28 alcançado em Dezembro. Este crescimento reflete tanto o apetite por activos especulativos como a procura por alternativas ao sistema financeiro tradicional num contexto de incerteza económica global.
Assim, o ano de 2024 consolidou o dólar como uma força dominante nos mercados financeiros globais, impulsionado por uma Reserva Federal cautelosa e as políticas económicas do governo Trump. Contudo, o impacto desta valorização sobre outras economias é um lembrete das complexidades do sistema financeiro global e da necessidade de monitorizar os desdobramentos económicos em 2025. O futuro dependerá da capacidade de equilíbrio entre crescimento económico e estabilidade monetária.
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