
Abalo nos mercados: dólar em queda, ouro em alta e bolsas recuam
- Críticas do Presidente norte-americano à Reserva Federal provocam receios de interferência política e intensificam a fuga de capitais dos activos norte-americanos
Destaques
- Dólar atinge o nível mais baixo em três anos face ao euro;
- Ouro bate novo recorde, ultrapassando os 3.370 dólares por onça;
- Acções asiáticas e futuros norte-americanos recuam com medo de novos choques;
- Yen e franco suíço disparam como refúgios de valor;
- Tensão entre independência da Fed e ingerência política acende alarmes entre investidores.
As críticas públicas de Donald Trump à Reserva Federal dos Estados Unidos e as ameaças de destituição do seu presidente, Jerome Powell, estão a gerar forte turbulência nos mercados financeiros. O dólar afundou para o nível mais baixo em três anos face ao euro, enquanto o ouro disparou para novos máximos históricos, revelando uma fuga generalizada para activos considerados seguros.
Os mercados asiáticos e os futuros das bolsas norte-americanas recuaram significativamente esta segunda-feira, 21 de Abril, após um fim-de-semana marcado por ataques verbais do Presidente Donald Trump à Reserva Federal e à sua liderança. Trump questionou publicamente a actuação de Jerome Powell, presidente da Fed, e terá instruído a sua equipa a avaliar possibilidades legais para o afastamento do responsável máximo da política monetária norte-americana.
O ambiente de incerteza instalado provocou uma reacção imediata dos investidores: o euro valorizou-se para um máximo de três anos face ao dólar, o iene japonês e o franco suíço atingiram máximos de vários meses, enquanto o ouro saltou mais de 1%, tocando os 3.370,17 dólares por onça — uma valorização acumulada de 26% só em 2025.
“O mercado já estava nervoso com as tensões geopolíticas e, agora, a potencial interferência política na política monetária acrescenta uma nova camada de instabilidade”, comentou Charu Chanana, estratega-chefe da Saxo Bank, citada pela Reuters.
O receio de que a independência da Fed esteja em risco levou ao aumento das yields das obrigações a 10 anos dos EUA, embora os títulos a dois anos — mais sensíveis às expectativas de taxas — tenham registado recuos, antecipando possíveis cortes nas taxas directores sob pressão presidencial.
No plano corporativo, as atenções dos investidores voltam-se esta semana para os resultados de gigantes como a Alphabet, Intel e Tesla. Os chamados “Sete Magníficos” estão todos em queda acentuada este ano, com a Alphabet a perder cerca de 20% e a Tesla 40%.
Os receios comerciais também continuam a marcar o clima de incerteza. Embora Trump tenha suspendido algumas tarifas pesadas, a guerra comercial com a China mantém-se activa. Dados recentes da Coreia do Sul revelam uma queda brusca nas exportações, sinal de que as tarifas norte-americanas estão a impactar mais severamente a economia global.
Nos mercados de energia, o petróleo caiu após sinais de progresso nas negociações nucleares entre EUA e Irão, com o Brent a descer 1,75% para 66,77 dólares o barril. O crude WTI fixou-se em 63,55 dólares.
Por outro lado, o Bitcoin registou nova valorização, aproximando-se dos 88 mil dólares — o nível mais alto desde o início de Abril.
O ambiente nos mercados continua volátil, com os investidores a digerir o impacto das decisões políticas em Washington e a questionar a credibilidade dos activos norte-americanos como portos-seguros num cenário global cada vez mais fragmentado.
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