Pequim Admite Avaliar Proposta de Diálogo Comercial com os EUA, Mas Alerta Contra “Extorsão E Coacção”

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  • Declarações do Ministério do Comércio da China sinalizam possível desanuviamento na guerra comercial, mas mantêm exigência da remoção dos 145% em tarifas de Trump como pré-condição

Numa mudança subtil de tom, a China declarou estar a avaliar uma proposta dos Estados Unidos para retomar o diálogo sobre comércio, abrindo espaço para negociações. Contudo, Pequim reitera que qualquer conversação deve basear-se em “sinceridade” e na retirada das tarifas impostas unilateralmente pela Administração Trump.

Destaques

  • China confirma que recebeu pedidos de diálogo da parte dos EUA
  • Pequim exige a remoção das tarifas de 145% como condição prévia
  • Ministério do Comércio chinês acusa Washington de “extorsão”
  • Exportações chinesas enfrentam queda drástica; fábricas paralisadas
  • Comércio bilateral está em colapso, com perdas de até 80% nas importações
  • Pequim acusa os EUA de quererem forçar negociações sem concessões reais

Num momento de tensões comerciais extremas, o Ministério do Comércio da China admitiu estar a avaliar propostas dos Estados Unidos para iniciar conversações, marcando um possível ponto de inflexão na guerra tarifária entre as duas maiores economias do mundo. A confirmação foi dada numa declaração pública na passada sexta-feira, 2 de Maio, mas acompanhada de avisos contundentes.

“Se é para falar, a porta está aberta. Mas tentar usar o diálogo como pretexto para extorsão e coacção não funcionará”, afirmou um porta-voz do ministério.

As declarações surgem dias depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado publicamente que os EUA já estariam em conversações com a China — uma afirmação inicialmente desmentida por Pequim. Agora, a China reconhece ter recebido comunicações de Washington por canais diplomáticos e indirectos.

Tarifas Inviabilizam Comércio

As tarifas implementadas por Trump, que atingem 145% sobre produtos chineses, provocaram quedas severas nas exportações chinesas, com ordens canceladas, fábricas encerradas e uma constrição profunda na actividade industrial. A China retaliou com tarifas de 125% sobre bens norte-americanos, tornando o comércio bilateral praticamente inviável.

Segundo a JP Morgan, as importações norte-americanas provenientes da China poderão cair entre 75% e 80% no segundo semestre de 2025, o que configura um colapso histórico nas relações comerciais entre os dois países.

Apesar de alguma retoma parcial por parte de grandes retalhistas como Walmart e Target, muitas fábricas chinesas continuam sem produção regular e a procurar mercados alternativos, como a Europa.

Exigências de Pequim e Postura Estratégica

Pequim insiste que qualquer negociação exige a remoção completa das tarifas, as quais considera um acto de “bullying económico” e “injustiça unilateral”. A China defende ainda que os Estados Unidos devem “corrigir as suas práticas erróneas” e demonstrar sinceridade real à mesa de negociações.

“A guerra tarifária foi unilateralmente iniciada pelos EUA. Se quiserem negociar, devem primeiro retirar os aumentos tarifários”, reforçou o porta-voz.

Em simultâneo, a China tem procurado manter a sua postura de força, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros a divulgar, nas redes sociais, que o país “não se ajoelhará” perante pressões norte-americanas.

Impactos Políticos e Económicos

A tensão acontece num momento delicado para a economia chinesa, marcada por pressões deflacionárias e uma crise prolongada no sector imobiliário. Do lado dos EUA, o fim das isenções aduaneiras (“de minimis”) para produtos de baixo valor vindos da China e Hong Kong foi implementado na sexta-feira, agravando o cenário.

Membros da Administração Trump, como o Secretário do Tesouro Scott Bessent, admitem que há espaço para negociação, mas sublinham que será um “processo em múltiplas etapas”. Já Trump disse esta semana que existe uma “grande probabilidade” de se alcançar um acordo, embora tal dependa da “disposição de Xi Jinping em sentar-se à mesa”.

Com as cadeias de abastecimento globais pressionadas, os custos de importação em alta e as tensões diplomáticas no auge, a eventual abertura para diálogo poderá representar um passo para a descompressão económica internacional. Contudo, a exigência mútua de concessões coloca o processo num impasse delicado, onde nenhuma das partes deseja ser a primeira a recuar.

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