TotalEnergies Confirma Retoma Do Projecto Mozambique LNG Até Meados De 2025

0
257
  • TotalEnergies indica que local do projecto em Palma está “completamente seguro”
  • Retoma depende de garantias institucionais e aprovação final de financiamento externo
  • Exim Bank dos EUA já revalidou empréstimo de 4,7 mil milhões de dólares
  • Decisões pendentes de bancos europeus e agências de crédito dos Países Baixos e Reino Unido
  • Projecto poderá ter conclusão final adiada para 2029 ou 2030
  • Comunidades locais exigem mais compensações e acesso a terras cultiváveis

A TotalEnergies confirmou, esta semana, que prevê retomar até meados de 2025 as actividades do megaprojecto de gás natural liquefeito na Área 1 da Bacia do Rovuma, cuja suspensão, ocorrida em Abril de 2021, se deveu à escalada da violência insurgente em Cabo Delgado; actualmente, com as condições de segurança restabelecidas, a petrolífera aguarda apenas a conclusão de trâmites financeiros e o levantamento formal da cláusula de força maior.

A multinacional francesa TotalEnergies reafirmou, durante a apresentação dos resultados do último trimestre de 2024, que prevê a retoma das obras do projecto Mozambique LNG até meados do ano corrente, sinalizando um avanço importante para a reactivação plena do maior empreendimento energético em curso em Moçambique; este anúncio, feito pelo CEO da companhia, Patrick Pouyanné, ocorre num momento em que se assiste a uma conjugação de factores favoráveis à retoma, nomeadamente a melhoria das condições de segurança em Palma e a progressiva reconfirmação dos financiamentos internacionais.

Com um investimento global de cerca de 20 mil milhões de dólares, o projecto da Área 1 foi abruptamente interrompido em Abril de 2021, na sequência de ataques armados às imediações da vila de Palma; a empresa declarou força maior e evacuou o estaleiro, suspendendo todas as actividades de engenharia e construção; agora, com o local considerado “completamente seguro”, segundo palavras de Pouyanné, resta apenas garantir o fecho formal dos compromissos financeiros para que o projecto entre novamente em marcha.  “Esperamos reiniciar as actividades até meados de 2025”, declarou o CEO da TotalEnergies, sublinhando que a decisão final está dependente da aprovação dos financiamentos pendentes e das garantias institucionais de longo prazo.

Patrick Pouyanne, Presidente-Executivo da TotalEnergies

A administração do Exim Bank dos Estados Unidos já revalidou, em Março último, o seu apoio, confirmando um financiamento de 4,7 mil milhões de dólares; paralelamente, está em análise um segundo pacote de financiamento avaliado em 7 mil milhões de dólares, com o envolvimento de outras instituições financeiras norte-americanas; no entanto, continua pendente a reconfirmação dos apoios por parte de bancos europeus e agências de crédito à exportação do Reino Unido e dos Países Baixos, cuja posição será determinante para a consolidação do modelo de financiamento global, avaliado em cerca de 15 mil milhões de dólares.

Embora inicialmente estivesse previsto que o Mozambique LNG começasse a produzir em 2027, fontes próximas ao consórcio reconhecem que o calendário poderá deslizar para entre 2029 e 2030, dependendo da rapidez com que os compromissos financeiros forem regularizados e das eventuais adaptações técnicas resultantes do prolongado hiato operacional.

Segurança Reforçada e Envolvimento Regional

A confiança da TotalEnergies quanto à segurança em Palma resulta da actuação coordenada das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique, da missão da SADC e do apoio substancial do contingente militar do Ruanda, que têm mantido controlo efectivo sobre as zonas estratégicas; este ambiente estável, aliado ao diálogo constante entre a petrolífera e as autoridades nacionais, tem sido fundamental para a construção de um ambiente propício à retoma, garantindo previsibilidade e mitigando riscos reputacionais e operacionais.

Tensões com as Comunidades Locais: O Outro Lado da Retoma

Paralelamente à retoma técnico-financeira do projecto, a TotalEnergies tem enfrentado crescentes pressões das comunidades de Macala, Mecúbi, Mangala e Palma-sede, que continuam a contestar as compensações oferecidas pela empresa; estas comunidades, afectadas pela instalação do projecto, rejeitaram os montantes propostos (250 mil meticais por família) e continuam a exigir acesso a terras aráveis e maior inclusão nos benefícios do empreendimento.

Segundo fontes locais citadas pela Zumbo FM Notícias, as negociações continuam em curso, mas sem consensos à vista; o Governo tem tentado intermediar o processo, mas os habitantes das zonas afectadas permanecem cépticos quanto à concretização dos compromissos assumidos, reforçando o apelo a uma abordagem mais inclusiva e transparente por parte da petrolífera e do Estado.

Projecções Estratégicas E Papel Geopolítico de Moçambique

O Mozambique LNG deverá atingir uma capacidade anual de produção de 12,8 milhões de toneladas de gás natural liquefeito, colocando o país entre os principais actores africanos no mercado global de GNL, ao lado da Nigéria, Angola e Senegal; a conjugação deste projecto com outros empreendimentos, como o Coral Norte da Eni, orçado em 7,2 mil milhões de dólares e com arranque previsto para 2028, reforça o posicionamento de Moçambique como plataforma energética de escala internacional, com implicações económicas, fiscais e geopolíticas de largo alcance.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.