
Moçambique Relança Leilões De Energia Renovável E Procura Investidores Para Central Solar Em Sofala
- Governo lança concurso internacional para uma central fotovoltaica de 30 MW no Dondo, no âmbito do PROLER, numa iniciativa que reforça a diversificação da matriz energética e o objectivo de ampliar o acesso à electricidade no país.
- Governo procura investidores privados para desenvolver uma central solar de 30 MW em Dondo, província de Sofala;
- Projecto integra o Programa de Promoção de Leilões de Energias Renováveis (PROLER), financiado pela União Europeia;
- Iniciativa insere-se num pacote de projectos renováveis com capacidade total prevista de cerca de 120 MW;
- Concurso prevê exigências reforçadas de participação local nas fases subsequentes;
- Moçambique alcançou uma taxa de electrificação nacional de 66,4% em 2025.
Moçambique deu mais um passo na sua estratégia de transição energética e expansão da capacidade de geração eléctrica ao lançar um concurso internacional para seleccionar investidores privados interessados em desenvolver uma central solar fotovoltaica de 30 MegaWatts (MW) no distrito do Dondo, província de Sofala. A iniciativa marca igualmente a retoma operacional do Programa de Promoção de Leilões de Energias Renováveis (PROLER), considerado um dos principais instrumentos para atrair investimento privado para o sector energético nacional.
O concurso, promovido pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia, decorre até 22 de Junho e visa identificar um Produtor Independente de Energia (IPP) com capacidade técnica, financeira e operacional para desenvolver, financiar, construir, operar e manter a futura infra-estrutura de geração eléctrica. O processo será conduzido através da Autoridade Reguladora de Energia (ARENE), que tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante na promoção da concorrência e transparência no mercado energético nacional.
PROLER Reforça Aposta Na Energia Limpa
O relançamento desta iniciativa representa um novo impulso para o PROLER, programa lançado em Setembro de 2020 pelo Governo moçambicano com o objectivo de acelerar a diversificação das fontes de geração eléctrica e aumentar a participação das energias renováveis na matriz energética nacional.
O programa foi concebido para introduzir mecanismos de contratação competitivos e transparentes, capazes de atrair investidores privados e reduzir os custos de produção de energia para consumidores e empresas. A lógica subjacente passa por substituir gradualmente modelos tradicionais de adjudicação por processos concorrenciais que privilegiem eficiência, inovação tecnológica e sustentabilidade económica.
A concretização deste modelo conta com apoio financeiro da União Europeia, canalizado através da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), permitindo a implementação de um programa mais amplo destinado à selecção de produtores independentes para projectos solares fotovoltaicos e eólicos com uma capacidade agregada estimada em cerca de 120 MW.
Sofala Consolida Papel Estratégico No Mapa Energético
A escolha do Dondo para acolher o projecto reforça o posicionamento crescente da província de Sofala como uma das regiões estratégicas para o desenvolvimento energético e industrial do país.
A localização oferece vantagens relevantes em termos de disponibilidade de terreno, potencial solar, proximidade de infra-estruturas de transporte e ligação à Rede Eléctrica Nacional. Simultaneamente, a proximidade ao Corredor da Beira poderá facilitar futuras oportunidades de integração industrial e logística associadas à expansão da capacidade energética regional.
Para além do impacto directo na geração eléctrica, espera-se que o projecto contribua para dinamizar a economia local através da criação de empregos durante as fases de construção e operação, bem como pelo estímulo à participação de empresas nacionais na cadeia de fornecimento.
Conteúdo Local Passa A Integrar Critérios De Selecção
Um dos aspectos mais relevantes do concurso prende-se com a intenção do Governo de incorporar requisitos mais robustos de participação local nas fases subsequentes do processo.
Segundo o edital, os convites formais para apresentação de propostas deverão detalhar de forma mais rigorosa as obrigações relacionadas com conteúdo local, incluindo potenciais oportunidades para empresas moçambicanas, fornecedores nacionais, mão-de-obra local e programas de capacitação técnica.
Esta orientação está alinhada com a crescente preocupação das autoridades em assegurar que os grandes investimentos energéticos gerem benefícios económicos mais amplos e contribuam para o desenvolvimento do tecido empresarial nacional.
Electrificação Avança, Mas Desafios Persistem
O lançamento deste projecto ocorre num contexto de avanços significativos no acesso à electricidade em Moçambique.
Dados oficiais indicam que, em 2025, a Rede Eléctrica Nacional registou mais de 418 mil novas ligações domésticas, elevando para cerca de 3,77 milhões o número total de consumidores ligados à rede pública. O desempenho permitiu alcançar uma taxa de acesso à electricidade de 55,3% da população através da rede convencional.
Quando se incluem soluções fora da rede, como sistemas solares isolados e mini-hídricas, o número total de beneficiários ultrapassa 736 mil utilizadores adicionais, elevando a taxa nacional consolidada de electrificação para 66,4%.
Apesar deste progresso, o país continua a enfrentar desafios significativos para atingir os objectivos de acesso universal à energia, sobretudo nas zonas rurais e mais remotas, onde as soluções descentralizadas de geração renovável assumem importância crescente.
Investimento Privado Será Determinante Para As Metas Energéticas
A nova central solar de Sofala ilustra uma tendência cada vez mais evidente no sector energético moçambicano: a crescente dependência da mobilização de capital privado para financiar a expansão da capacidade de geração eléctrica.
Com necessidades de investimento elevadas e recursos públicos limitados, os mecanismos de leilão competitivo surgem como uma ferramenta essencial para atrair financiamento internacional, acelerar a implementação de projectos e promover a adopção de tecnologias limpas.
Num contexto em que Moçambique procura simultaneamente aumentar o acesso à energia, reforçar a segurança energética e cumprir compromissos relacionados com a transição climática, iniciativas como o PROLER poderão desempenhar um papel determinante na transformação do sector energético nacional durante a próxima década.
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