
Ministra das Finanças Defende Liberalização Gradual da Conta Capital e Reforça Desafios de Gestão Macroeconómica
Questões-Chave:
- XVI Jornadas Científicas do Banco de Moçambique centraram-se na liberalização da conta capital e seus desafios macroeconómicos;
- Ministra Carla Loveira destacou importância de calibrar o processo segundo a realidade económica nacional;
- Governador Zandamela sublinhou o papel do banco central na liberalização gradual e responsável do regime cambial;
- Experiência de Uganda foi partilhada como exemplo de percurso firme mas gradual em ambiente de reforma estrutural;
- Investigadores moçambicanos apresentaram estudos técnicos sobre política monetária, mobilidade de capitais e estabilidade cambial.
Lead
A abertura das XVI Jornadas Científicas do Banco de Moçambique, presidida pela Ministra das Finanças, Carla Loveira, serviu como ponto de reflexão sobre o futuro da liberalização da conta capital em Moçambique, num contexto de crescentes riscos macroeconómicos. Defendendo uma abordagem prudente e calibrada, a governante reconheceu a necessidade de compatibilizar os objectivos de atracção de capital externo com a robustez do sistema financeiro e a estabilidade cambial.
Desenvolvimento
Num momento em que o país enfrenta pressões sobre as reservas cambiais, instabilidade nas exportações e desafios na atracção de investimento directo estrangeiro, a liberalização da conta capital — tema central das XVI Jornadas Científicas do Banco de Moçambique — assume um papel decisivo na agenda económica nacional.
Para a Ministra das Finanças, Carla Loveira, o processo de abertura cambial deve ser conduzido com prudência, respeitando as especificidades da economia nacional, a resiliência do sistema financeiro, e os riscos associados à volatilidade dos fluxos de capital. Reiterou a importância da coordenação entre políticas fiscal, monetária e cambial como pilar da gestão macroeconómica sustentável.
Do lado do banco central, o Governador Rogério Zandamela destacou que o processo de liberalização não é novo, e que o Banco de Moçambique já iniciou a flexibilização de algumas transacções, nomeadamente no domínio do investimento directo estrangeiro e de empréstimos externos. Sublinhou que qualquer nova etapa dependerá de avaliações criteriosas das condições internas e globais.
A sessão contou ainda com a intervenção do Governador do Banco de Uganda, Michael Atingi-Ego, que partilhou a experiência do seu país ao longo de três décadas de reformas cambiais. Atingi-Ego defendeu um processo firme mas gradual, baseado em reformas institucionais que garantam confiança, integridade e integração efectiva no mercado global.
Um dos momentos altos das jornadas foi a apresentação de três estudos produzidos por economistas moçambicanos, centrados na interacção entre mobilidade de capitais e eficácia da política monetária, a estabilidade cambial em contexto de abertura da conta capital, e a autonomia do banco central face a fluxos internacionais. Os trabalhos, seleccionados pelo júri científico, confirmam o dinamismo da investigação económica no país.
A cerimónia foi ainda marcada pela entrega simbólica à Ministra das Finanças, em representação do Presidente da República, da moeda comemorativa dos 45 anos do Metical, como tributo ao percurso da política monetária moçambicana desde a independência.
No encerramento, o Administrador Jamal Omar anunciou que o tema das XVII Jornadas, previstas para 2026, será dedicado à inteligência artificial no sistema financeiro, com foco nos riscos e incertezas da sua regulamentação — sinal de que o Banco de Moçambique pretende manter-se na vanguarda da análise dos desafios emergentes.
As XVI Jornadas Científicas do Banco de Moçambique revelaram-se um espaço de análise crítica e de compromisso institucional com a estabilidade macroeconómica. A liberalização da conta capital surge como um passo inevitável, mas que exige disciplina técnica, reforma institucional e visão estratégica de longo prazo.
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