
Porto de Maputo Regista Quebra de 14% no Volume de Carga no 1.º Semestre
Agitação social e quebra nas exportações sul-africanas afectam o desempenho do maior porto moçambicano, que, entretanto, começa a recuperar
Questões-Chave
• Movimentação de carga caiu para 14 milhões de toneladas, menos 14% face a 2024;
• Protestos pós-eleitorais e incerteza política impactaram operações portuárias;
• Queda nas exportações de ferrocromo da África do Sul agravou o cenário;
• Porto de Maputo é operado por consórcio liderado pela DP World e é estratégico para o comércio regional;
• Recuperação visível desde Maio, com volumes acima dos registados no ano passado.
O Porto de Maputo registou uma quebra de 14% no volume de carga movimentada durante o primeiro semestre de 2025, reflectindo os efeitos da instabilidade social que se seguiu às eleições gerais de Outubro de 2024 e a queda nas exportações sul-africanas de ferrocromo. A administração portuária assegura, contudo, que os volumes começaram a recuperar de forma significativa desde Maio.
A Empresa de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) anunciou que o maior porto comercial do país movimentou 14 milhões de toneladas de carga entre Janeiro e Junho de 2025, o que representa uma redução de 14% face ao mesmo período de 2024, quando haviam sido registadas 15,3 milhões de toneladas.
A revelação foi feita por Osório Lucas, Director Executivo do MPDC, durante uma entrevista virtual concedida à Bloomberg na terça-feira, 22 de Julho de 2025, no seguimento da divulgação dos dados semestrais de desempenho da infra-estrutura.
A queda foi atribuída, em primeiro lugar, à instabilidade social e às incertezas logísticas geradas pelas manifestações e tensões que se seguiram às eleições gerais de 9 de Outubro de 2024, que provocaram atrasos operacionais e retraíram o ritmo do comércio marítimo.
Outro factor crítico foi a redução das exportações de ferrocromo provenientes da África do Sul, que enfrentou severas restrições no fornecimento de energia, afectando a produção e a capacidade de exportação.
O Porto de Maputo, operado por um consórcio que inclui a multinacional DP World, tem vindo a consolidar-se como alternativa estratégica para os exportadores sul-africanos, especialmente de carvão e crómio, que enfrentam constrangimentos operacionais nos portos sul-africanos, como Durban e Richards Bay.
Apesar dos números negativos no primeiro semestre, Osório Lucas manifestou optimismo quanto à retoma:
“De Maio até agora, estamos a observar uma recuperação muito acentuada. Está a subir para níveis superiores aos do ano passado, inclusivamente”, afirmou na mesma entrevista à Bloomberg.
A recuperação, embora ainda em fase inicial, revela o potencial de resiliência e adaptação do Porto de Maputo, que continua a desempenhar um papel central na arrecadação de divisas para Moçambique e no apoio às cadeias de exportação da região da África Austral.
Com o regresso à estabilidade política interna e o reequilíbrio do fornecimento energético na África do Sul, as perspectivas para o segundo semestre são cautelosamente optimistas, com operadores a anteciparem um volume total anual próximo ou superior ao de 2024.
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