Dólar Enfraquece com Perspectiva de Cortes nas Taxas de Juro e Ouro Atinge Máximos Históricos

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Questões-Chave:
  • Dólar norte-americano cai para mínimos de cinco semanas, com os mercados a anteciparem cortes de juros pela Reserva Federal;
  • Investidores atribuem 89% de probabilidade a um corte de 25 pontos base ainda em Setembro, mas um corte de 50 pontos base não está descartado;
  • Ouro dispara para novo recorde histórico, enquanto bolsas asiáticas e europeias registam ganhos moderados;
  • A atenção dos mercados centra-se no relatório de emprego dos EUA a divulgar sexta-feira;
  • Persistem receios sobre a independência da Reserva Federal face a pressões políticas do Presidente Donald Trump.

Os mercados globais abriram a semana em compasso de espera perante a expectativa de novos cortes nas taxas de juro da Reserva Federal (Fed), mantendo o dólar perto de mínimos de cinco semanas e levando o ouro a atingir um novo máximo histórico. A divulgação dos principais indicadores do mercado laboral norte-americano, prevista para sexta-feira, será determinante para confirmar a trajectória da política monetária.


O ambiente nos mercados financeiros continua a ser marcado pela expectativa em torno das próximas decisões da Fed. Os investidores atribuem actualmente 89% de probabilidade a um corte de 25 pontos base já este mês, embora não se descarte a hipótese de uma medida mais agressiva, de 50 pontos base, caso os dados do emprego em Agosto revelem sinais de fragilidade acentuada.

Segundo Vasu Menon, director-geral de estratégia de investimento do OCBC Bank, “um corte mais expressivo não é o cenário base neste momento, mas não pode ser excluído se o mercado laboral revelar fraqueza excepcional. Foi precisamente o que aconteceu em Setembro do ano passado, quando a Fed optou por uma medida mais ousada após uma desaceleração abrupta do emprego”.

O relatório das folhas de pagamento não-agrícolas dos EUA, a ser divulgado na sexta-feira, constitui o dado mais aguardado da semana, precedido por estatísticas de ofertas de emprego e de contratações privadas. Estes indicadores ajudarão a calibrar a avaliação da Fed, sobretudo num contexto em que a instituição também pondera os efeitos inflacionistas das tarifas recentemente introduzidas.

O índice dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana face a seis divisas principais, recuou para 97,717 pontos, próximo do mínimo de cinco semanas alcançado na segunda-feira. Em contrapartida, o ouro disparou para um novo máximo histórico, confirmando a procura dos investidores por activos considerados refúgios em tempos de incerteza.

Nas bolsas, o desempenho foi misto mas positivo: o índice mais amplo da Ásia-Pacífico da MSCI avançou 0,2%, enquanto o Nikkei de Tóquio recuperou 0,39% após perdas superiores a 1% no início da semana. A China manteve o ímpeto, com o CSI300 a registar a terceira sessão consecutiva de máximos de três anos, impulsionado pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial. Na Europa, os futuros apontaram para ganhos ligeiros, enquanto os mercados norte-americanos permaneceram encerrados devido ao feriado.

No sector energético, o petróleo enfrenta pressões descendentes, com as apostas em alta a caírem para o nível mais baixo em 18 anos, sinalizando um enfraquecimento do sentimento positivo em torno da matéria-prima.

O cenário de política monetária é ainda ensombrado por questões de ordem política. Os esforços do Presidente Donald Trump para demitir a governadora da Fed, Lisa Cook, suscitam dúvidas sobre a independência do banco central. Trump tem reiterado críticas ao presidente da instituição, Jerome Powell, acusando-o de não baixar as taxas de juro de forma mais célere e, recentemente, atacou-o pelo elevado custo das obras de renovação da sede da Fed em Washington.

Combinando a pressão política interna, as incertezas em torno da inflação e o escrutínio dos próximos indicadores do mercado de trabalho, a Fed enfrenta uma das decisões mais sensíveis da sua actuação recente, enquanto os mercados globais seguem atentos e voláteis.



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