
Preços do Café Mantêm-se em Níveis Históricos com Pressões Climáticas e Comerciais
Secas, cheias e tarifas norte-americanas sobre o Brasil sustentam escalada dos preços num mercado global já pressionado pela procura crescente
- Preço médio do café moído nos EUA atingiu US$ 8,41 por libra em Julho, uma subida de 33% em termos anuais;
- Preços globais do café rondam máximos de 50 anos, alcançados em Fevereiro;
- Brasil (40% da produção mundial) e Vietname (20%) sofreram perdas severas devido a secas e chuvas intensas;
- Estoques globais caíram para níveis historicamente baixos, aumentando a vulnerabilidade a choques de oferta;
- Organização Internacional do Café alerta que tarifas de 50% impostas por Washington sobre o Brasil podem exercer pressão adicional;
- Especialistas alertam que mudanças climáticas tendem a agravar volatilidade e manter preços elevados no longo prazo.
O café, uma das bebidas mais consumidas do mundo, atravessa uma das fases de preços mais elevados das últimas décadas, impulsionada por fenómenos climáticos extremos, pela queda nos estoques globais e por novas pressões comerciais.
Segundo dados do Bureau of Labor Statistics, o preço médio do café moído nos Estados Unidos atingiu US$ 8,41 por libra em Julho, um aumento de 33% face ao mesmo período de 2024. Trata-se de um recorde histórico, que acompanha a tendência global de valorização: os preços internacionais do café continuam próximos do pico de 50 anos alcançado em Fevereiro.
A principal razão para este cenário reside na instabilidade climática. O Brasil, maior produtor mundial, responsável por cerca de 40% da oferta global, viu a sua última colheita devastada por uma seca severa, seguida por chuvas intensas que afectaram tanto a quantidade como a qualidade do grão. O Vietname, segundo maior exportador, registou uma quebra de 20% na produção em 2024 devido à seca, também seguida de precipitações excessivas. Especialistas descrevem este ciclo como um fenómeno de “precipitation whiplash”, em que extremos sucessivos de falta e excesso de água reduzem significativamente o rendimento das plantações.
Além dos impactos climáticos, factores comerciais intensificam a pressão sobre os preços. A Administração Trump aplicou tarifas de 50% sobre o café brasileiro, o que, segundo a Organização Internacional do Café, poderá colocar “pressão adicional” nos mercados e encarecer ainda mais o produto final.
Outro elemento relevante é a quebra nos estoques globais. Grandes cadeias como a Starbucks preferiram consumir inventários acumulados em vez de adquirir café mais caro no mercado. Contudo, estes níveis caíram para mínimos históricos, reduzindo a capacidade de absorver choques de procura ou novas quebras de produção.
Os consumidores sentem estas pressões de forma distinta: nas prateleiras dos supermercados, os preços reagem de forma mais imediata às variações das commodities, enquanto nos cafés e restaurantes o aumento é diluído, com redes como a Starbucks a estimar apenas um acréscimo de 0,5% nos preços devido às tarifas.
Apesar de previsões de alívio a curto prazo, com melhorias climáticas e investimento em produtividade, analistas sublinham que o panorama de longo prazo é de manutenção de preços elevados. “O preço do café vai continuar a subir, no meu entender”, alerta Mike Hoffmann, professor emérito da Cornell University. “As alterações climáticas não vão desaparecer. A severidade das secas, das cheias, tudo isso tende a agravar-se. Não é apenas o café — é todo o sistema alimentar que está em risco.”
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