Petróleo Sobe 1% Após Ataque a Depósito Russo, Mas Ganhos São Limitados Pelo Excesso de Oferta

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Brent avança para USD 63,80 e WTI para USD 59,50; tensões no Mar Negro reacendem risco de interrupções, mas inventários elevados e relatório da OPEP travam uma recuperação mais ampla.

Questões-Chave:
  • Brent sobe para USD 63,80 e WTI para USD 59,50, após ataque ucraniano a um depósito petrolífero no porto de Novorossiysk;
  • Ambos os benchmarks chegaram a subir mais de 2% na sessão asiática, antes de perderem força e reduzirem ganhos;
  • Ataque danificou um navio, edifícios residenciais e um depósito de crude, reacendendo receios de perturbações na oferta russa, segundo a Reuters;
  • Ganhos limitados após relatório da OPEP e forte aumento de inventários nos EUA, que reforçam o cenário de excesso de oferta;
  • Sanções dos EUA contra Rosneft e Lukoil a partir de 21 de Novembro poderão dificultar ainda mais o escoamento do crude russo.

Os preços internacionais do petróleo subiram cerca de 1% esta sexta-feira, impulsionados pelo ataque de um drone ucraniano ao porto russo de Novorossiysk, um dos principais corredores de exportação de crude. Segundo a Reuters, o Brent avançou para USD 63,80 e o WTI para USD 59,50, depois de ambos os contratos terem saltado mais de 2% na sessão asiática. Parte dos ganhos dissipou-se à medida que regressavam às mesas de negociação sinais de excesso de oferta global.

Ataque em Novorossiysk reacende receios na oferta russa

De acordo com a Reuters, o ataque atingiu um navio fundeado no porto, edifícios residenciais e um depósito petrolífero, tendo provocado três feridos entre a tripulação. O porto de Novorossiysk é o segundo maior centro de exportação petrolífera da Rússia, canalizando 761 mil barris por dia de crude e quase 1,8 milhões de toneladas de produtos refinados.

June Goh, analista sénior da Sparta Commodities, citada pela agência, afirmou que os ataques “voltaram a despertar receios de interrupções nos fluxos de abastecimento”, sublinhando que este incidente ocorre apenas duas semanas após outro ataque significativo em Tuapse. A analista alerta que, caso o padrão de escalada prossiga, “poderá haver cortes efectivos tanto nas exportações de crude como de produtos refinados”.

Brent e WTI reduzem ganhos após pico de 2% na Ásia

Os preços chegaram a disparar mais de 2% no início da sessão asiática, mas a reacção perdeu força ao longo do dia. Às 07h01 GMT, o Brent negociava a USD 63,80 e o WTI a USD 59,50, reflectindo um movimento mais moderado.

A Reuters destaca que, apesar da reacção inicial ao risco geopolítico, a pressão estrutural no mercado continua a ser marcada pelo excesso de oferta.

OPEP e inventários nos EUA limitam a recuperação

A recuperação dos preços continua condicionada pelos factores que dominaram a semana. Na quarta-feira, ambos os benchmarks caíram cerca de 3% após um relatório da OPEP projectar que a oferta global deverá igualar a procura em 2026, afastando cenários recentes de défice no mercado.

No dia seguinte, a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) revelou um aumento muito superior ao esperado nos inventários norte-americanos: 6,4 milhões de barris na semana terminada a 7 de Novembro, quando analistas inquiridos pela Reuters antecipavam apenas 1,96 milhões. As reservas de gasolina e destilados também caíram menos do que era esperado, reforçando a leitura de abrandamento da procura.

Sanções dos EUA adicionam mais pressão logística ao petróleo russo

Para além do ataque, os fluxos russos já estão sob pressão devido às novas sanções impostas pelos Estados Unidos à Rosneft e à Lukoil, que entram em vigor em 21 de Novembro. A Reuters cita estimativas da JPMorgan segundo as quais 1,4 milhões de barris por dia de petróleo russo estão actualmente retidos em navios, à medida que vários compradores evitam operações que poderão violar as novas regras.

Após o dia 21, o descarregamento de crude russo poderá tornar-se ainda mais desafiante, intensificando a incerteza sobre a oferta no curto prazo.

Perspectiva imediata continua marcada por volatilidade

Apesar do avanço diário de cerca de 1%, o mercado continua dividido entre dois vectores opostos: por um lado, a ameaça real de interrupções na oferta russa e, por outro, um cenário robusto de inventários elevados e perspectivas de procura mais fracas.

Os analistas consultados pela Reuters antecipam que a volatilidade permanecerá elevada, com o mercado altamente sensível a qualquer novo desenvolvimento militar ou regulatório.

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