Economia Global Entra Em 2026 Com Crescimento Contido, 2,7% , E Riscos Elevados, Alerta A ONU

0
186

Relatório World Economic Situation and Prospects 2026 aponta abrandamento do crescimento mundial, pressão da dívida, fragmentação geopolítica e desafios acrescidos para países em desenvolvimento.

Questões-Chave:
  • A economia mundial deverá crescer 2,7% em 2026, abaixo da média pré-pandemia;
  • Investimento fraco, dívida elevada e fragmentação geoeconómica continuam a limitar o crescimento;
  • Economias avançadas mantêm trajectórias modestas, com desaceleração na União Europeia;
  • Países em desenvolvimento enfrentam constrangimentos severos de financiamento;
  • A dívida pública e o serviço da dívida reduzem o espaço fiscal para políticas de desenvolvimento;
  • Tensões geopolíticas, comércio fragmentado e riscos climáticos agravam a incerteza global.

A economia mundial entra em 2026 com um crescimento contido e um conjunto de riscos estruturais elevados, segundo o relatório World Economic Situation and Prospects 2026, divulgado esta semana pelas Nações Unidas. O documento aponta para um abrandamento da actividade económica global, num contexto marcado por investimento anémico, endividamento público elevado, espaço fiscal limitado e crescente fragmentação geopolítica.

De acordo com o relatório, o crescimento económico global deverá situar-se em 2,7% em 2026, ligeiramente abaixo dos 2,8% estimados para 2025 e significativamente inferior à média de 3,2% registada no período pré-pandemia (2010–2019). A ONU sublinha que esta trajectória reflecte limitações estruturais persistentes, que continuam a condicionar a recuperação económica e a reduzir o potencial de crescimento de médio prazo.

Nas principais economias avançadas, o desempenho deverá manter-se moderado. Os Estados Unidos deverão registar um crescimento próximo de 2,0%, sustentado pela procura interna e por condições financeiras mais favoráveis, embora persistam riscos associados a défices orçamentais elevados e à volatilidade dos mercados financeiros. Na União Europeia, a economia deverá crescer cerca de 1,3%, condicionada por fraca produtividade, custos energéticos elevados e incerteza geopolítica. O Japão apresenta igualmente uma perspectiva de crescimento contido.

Nas economias em desenvolvimento, o relatório descreve um cenário desigual. Enquanto algumas grandes economias emergentes continuam a beneficiar de uma procura interna relativamente robusta, os Países Menos Avançados (PMA) enfrentam um contexto particularmente adverso. O crescimento deste grupo deverá atingir 4,6% em 2026, permanecendo muito abaixo da meta de 7% definida nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, o que evidencia dificuldades persistentes em acelerar a convergência económica.

Um dos principais alertas do relatório incide sobre o endividamento público elevado, que continua a limitar a capacidade de resposta dos governos, sobretudo nos países em desenvolvimento. Em muitos casos, o aumento do serviço da dívida, aliado à redução do acesso a financiamento concessionário e à desaceleração da ajuda pública ao desenvolvimento, está a comprimir o investimento público em sectores críticos como infra-estruturas, saúde, educação e adaptação climática.

No domínio dos preços, a ONU projecta uma desaceleração gradual da inflação global, com a inflação média mundial estimada em 3,1% em 2026, beneficiando da estabilização dos preços da energia e dos alimentos. Ainda assim, o relatório alerta que os níveis de preços permanecem elevados em muitas economias, continuando a pressionar o poder de compra das famílias e a agravar desigualdades sociais.

A fragmentação do comércio internacional surge como outro factor de risco central. O relatório adverte que novas tarifas, tensões geopolíticas persistentes e disrupções nas cadeias de abastecimento poderão travar a recuperação do comércio global, cujo crescimento deverá desacelerar para cerca de 2,2% em 2026. Este contexto aumenta a vulnerabilidade das economias mais dependentes do comércio externo.

O documento destaca ainda riscos financeiros associados à valorização elevada de activos, em particular em sectores ligados à tecnologia e à inteligência artificial, onde expectativas excessivas podem originar correcções abruptas, com potenciais efeitos de contágio para o sistema financeiro global.

Por fim, a ONU sublinha que as alterações climáticas se afirmam como um risco económico sistémico. Eventos climáticos extremos estão a afectar a produção, a segurança alimentar, os preços e a estabilidade macroeconómica, sobretudo em países com menor capacidade de adaptação e resposta.

Perante este quadro, o relatório defende a necessidade de reforçar a cooperação multilateral, reformar a arquitectura financeira internacional e mobilizar financiamento para o desenvolvimento e para a transição climática. Sem estas reformas, alerta a ONU, o mundo corre o risco de permanecer num ciclo prolongado de baixo crescimento, elevada desigualdade e progresso insuficiente rumo aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.