Banco Mundial Alerta Malawi para Perdas Cambiais e Pressão Inflacionista

0
128

Falhas na gestão de divisas pelo banco central agravam défice, fragilizam a política monetária e elevam o custo de vida.

Questões-Chave:
  • Banco Mundial alerta para perdas cambiais significativas decorrentes da actuação do Banco da Reserva do Malawi (RBM);
  • Venda de divisas a taxas sobrevalorizadas terá provocado prejuízos acumulados superiores a 700 mil milhões de kwachas em 2024;
  • Discrepância entre taxa oficial e mercado paralelo ultrapassa, em alguns casos, 150%;
  • Escassez de divisas encarece bens importados e alimenta a inflação;
  • Práticas actuais fragilizam a credibilidade do banco central e ampliam riscos macroeconómicos;
  • Sector empresarial identifica a falta de dólares como o principal entrave à actividade económica.

O Banco Mundial emitiu esta semana um alerta contundente ao Malawi, apontando falhas estruturais na gestão cambial por parte do Banco da Reserva do Malawi (RBM), com impactos directos sobre a estabilidade macroeconómica, a inflação e o custo de vida da população.

Segundo a instituição, as operações do banco central no mercado cambial colocaram a autoridade monetária numa posição financeira frágil, contribuindo para perdas avultadas, aumento da dívida interna e agravamento da pressão inflacionista, num contexto já marcado por escassez crónica de divisas.

Perdas Cambiais Agravam Fragilidade Financeira do Banco Central

De acordo com dados citados pelo Nyasa Times, apenas em 2024, o RBM registou perdas cambiais estimadas em 708,7 mil milhões de kwachas, contra 200,4 mil milhões em 2023, reflectindo uma deterioração acentuada da posição financeira da instituição.

Nos últimos cinco anos, o banco central terá vendido mais divisas do que comprou, resultando em vendas líquidas estimadas em cerca de 600 milhões de dólares, num contexto em que a taxa oficial de câmbio se manteve artificialmente sobrevalorizada.

Para cobrir estas perdas, o governo foi obrigado a injectar recursos através da emissão de notas promissórias, uma solução que, segundo o Banco Mundial, contribui para o agravamento da dívida interna, sem gerar investimento produtivo.

Discrepância Cambial Alimenta Mercado Paralelo e Inflação

O problema é agravado pela elevada diferença entre a taxa oficial e o mercado paralelo, onde o dólar é transaccionado a valores mais de 150% acima da taxa oficial em alguns períodos.

Esta discrepância encarece bens importados, sobretudo alimentos e matérias-primas, pressionando os preços internos e agravando a inflação. Economistas alertam que a manutenção deste diferencial cria incentivos à especulação, distorce os sinais de mercado e reduz a eficácia da política monetária.

Credibilidade do Banco Central em Risco

Velli Nyirongo, economista malawiano citado pelo Nyasa Times, considera que a venda de dólares a taxas artificialmente baixas fragiliza a credibilidade do governo, amplia o défice real e compromete a independência do banco central.

Christopher Mbukwa, professor de Economia na Universidade de Mzuzu, acrescenta que estas práticas limitam a capacidade do Estado financiar sectores prioritários, aprofundam a escassez de divisas e contribuem para um ciclo vicioso de instabilidade macroeconómica.

Impacto Directo no Sector Empresarial

Os efeitos da disfunção cambial já se fazem sentir no sector empresarial. Um inquérito da Confederação das Câmaras de Comércio e Indústria do Malawi revela que a escassez de divisas é actualmente o principal desafio das empresas, seguida de perto pela inflação.

O estudo alerta que, sem medidas urgentes, o aumento dos custos, a falta de dólares e a instabilidade do mercado continuarão a penalizar os negócios, atrasando a recuperação económica e reduzindo a competitividade do país.

Risco Sistémico Num Contexto Regional Sensível

O alerta do Banco Mundial surge num momento em que várias economias da África Austral enfrentam pressões semelhantes, combinando escassez de divisas, inflação elevada e fragilidade fiscal. No caso do Malawi, a persistência de desequilíbrios cambiais representa um risco sistémico que poderá exigir reformas profundas na política cambial e monetária, sob pena de deterioração prolongada da estabilidade económica.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.