Chuvas Atingem Níveis Críticos no Centro e Sul e Elevam Risco de Cheias Generalizadas

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Aviso vermelho do INAM, inundações em Maputo e risco de transbordo do Limpopo colocam milhares de pessoas em situação de elevada vulnerabilidade.

Questões-Chave:
  • INAM emite aviso vermelho para chuvas fortes a muito fortes no centro e sul do país;
  • Precipitação poderá ultrapassar 100 mm em 24 horas em várias regiões;
  • Maputo, Gaza, Sofala, Manica, Inhambane e Tete entre as zonas mais afectadas;
  • Risco elevado de cheias no vale do Limpopo ameaça centros urbanos como Chókwè e Xai-Xai;
  • CFM suspende circulação ferroviária na linha do Limpopo;
  • Pelo menos 400 mil pessoas estão em risco de retirada compulsiva em Gaza.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) emitiu um aviso vermelho para o centro e sul de Moçambique, alertando para a ocorrência de chuvas fortes a muito fortes, acompanhadas de trovoadas severas e ventos fortes, com precipitação que poderá exceder 50 milímetros em 24 horas, e localmente ultrapassar 100 milímetros, pelo menos até ao final de sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026 .

As províncias de Manica, Sofala, Inhambane, Gaza e Maputo, bem como a cidade de Maputo, encontram-se entre as áreas mais vulneráveis, num contexto que as autoridades já classificam como uma das épocas chuvosas mais severas dos últimos anos.

Maputo Submersa e Infra-estruturas Sob Forte Pressão

Na capital do país, zonas baixas e bairros periféricos encontram-se inundados, afectando milhares de residentes. A erosão dos solos está a comprometer habitações, com risco de colapso em algumas áreas, numa situação agravada pela descarga elevada de barragens, incluindo a partir de países vizinhos.

O impacto estende-se às infra-estruturas críticas. A CFM – Caminhos de Ferro de Moçambique anunciou a suspensão de toda a circulação ferroviária na linha do Limpopo, que liga Maputo à fronteira com o Zimbabwe, mantendo a interrupção por tempo indeterminado devido às condições de segurança .

Vale do Limpopo Sob Alerta Máximo

No sul do país, o vale do Limpopo está sob vigilância apertada. As autoridades alertam para a possibilidade de o rio transbordar, colocando em risco centros urbanos estratégicos como Chókwè e Xai-Xai.

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) confirmou que ordenou a retirada preventiva de populações em zonas baixas das províncias de Gaza e Maputo e estima que cerca de 400 mil pessoas estejam em risco de deslocação forçada, caso o cenário se agrave.

Como medida de mitigação, o INGD pré-posicionou oito embarcações e cerca de 700 litros de combustível ao longo do vale do Limpopo e intensificou a disseminação de mensagens de alerta precoce, que já terão alcançado mais de 93 mil pessoas através de rádios comunitárias e unidades móveis.

Ciclone Dudzai Agrava Quadro Meteorológico

O cenário meteorológico é ainda agravado pela influência do ciclone tropical Dudzai, actualmente no oceano Índico. Embora não esteja previsto que atinja directamente Moçambique, a sua aproximação está a intensificar a instabilidade atmosférica, contribuindo para o aumento da precipitação no país.

Segundo previsões, o ciclone deverá atingir Maurícias e posteriormente aproximar-se da costa de Madagáscar, mantendo, entretanto, efeitos indirectos significativos sobre o regime de chuvas em Moçambique.

Impacto Humano e Económico Já é Significativo

Desde o início da época chuvosa, em Outubro, pelo menos 94 pessoas perderam a vida em todo o país devido a eventos climáticos extremos, segundo dados do INGD. As chuvas intensas registadas desde finais de Dezembro agravaram substancialmente a situação, com perdas humanas, danos materiais relevantes e crescente pressão sobre os serviços públicos.

O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou solidariedade com as populações afectadas, reconhecendo danos materiais significativos e reiterando o apelo à adopção de medidas de precaução.

Risco Climático como Factor Estrutural

Para além da dimensão humanitária, o episódio reforça a centralidade do risco climático como factor estrutural para a economia moçambicana, com impactos directos sobre infra-estruturas, logística, agricultura, habitação e finanças públicas. A recorrência de eventos extremos sublinha a necessidade de investimento contínuo em resiliência climática, planeamento urbano e gestão integrada dos recursos hídricos.

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