Bitcoin Afunda Para 72 Mil Dólares e Entra em Território de “Risk-Off” Global

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A maior criptomoeda do mundo acumula uma desvalorização próxima de 40% desde o pico de Outubro de 2025, pressionada por tensões geopolíticas, postura monetária mais restritiva e saída de capitais de activos de risco.

Questões-Chave:
  • O Bitcoin caiu para níveis próximos dos 72.000 dólares, mínimos de 15 a 16 meses;
  • O mercado de criptomoedas perdeu cerca de 500 mil milhões de dólares em capitalização numa semana;
  • A queda supera 39% desde o máximo histórico registado em Outubro de 2025;
  • Tensões geopolíticas e expectativas de juros elevados fragilizam o apetite por activos alternativos;
  • Analistas identificam os 70.000 dólares como o próximo nível crítico de suporte.

O mercado internacional de criptomoedas atravessa uma fase de forte correcção no início de Fevereiro de 2026, com o Bitcoin a recuar para níveis não observados há mais de um ano, num movimento que coincide com um ambiente global de aversão ao risco. Pressionado por tensões geopolíticas, sinais de maior restrição monetária e saídas de capitais institucionais, o activo volta a ser tratado pelos investidores mais como um instrumento especulativo do que como reserva de valor.

Queda acentuada devolve o Bitcoin a níveis pré-eleitorais

Na quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2026, o Bitcoin desceu até aos 72.096,20 dólares, aproximando-se dos valores observados antes das eleições presidenciais norte-americanas de 2024. Este patamar representa uma desvalorização acumulada entre 39% e 40% face ao máximo histórico registado a 6 de Outubro de 2025, quando a criptomoeda ultrapassou a marca dos 126.000 dólares.

O movimento descendente prolonga uma tendência negativa que se intensificou nas últimas semanas, levando o mercado de activos digitais a perder cerca de 500 mil milhões de dólares em capitalização total num curto espaço de tempo, num dos ajustamentos mais severos desde o ciclo de alta iniciado em 2023.

Bitcoin falha como “ouro digital” em ambiente de tensão geopolítica

Um dos factores centrais por detrás da actual queda reside no agravamento das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irão. Num contexto de maior incerteza internacional, os investidores voltaram a privilegiar activos de refúgio tradicionais, como o ouro e os títulos soberanos, enquanto o Bitcoin falhou em desempenhar o papel de “ouro digital” que frequentemente lhe é atribuído.

Este comportamento reforça a percepção de que, em momentos de stress sistémico, a criptomoeda continua a ser tratada como um activo de risco elevado, vulnerável a movimentos bruscos de saída de capital.

Fed mais restritivo e liquidez limitada penalizam activos alternativos

Do lado macroeconómico, o endurecimento das expectativas em torno da política monetária norte-americana surge como outro elemento de pressão. Sinais de uma postura mais rígida do Federal Reserve, combinados com menor liquidez nos mercados financeiros globais, têm reduzido o apetite por activos que não oferecem rendimento, como as criptomoedas.

A este contexto juntam-se saídas de fluxos institucionais, incluindo de produtos financeiros indexados ao Bitcoin, num momento em que gestores de activos reequilibram carteiras em direcção a instrumentos considerados mais defensivos.

Liquidações em massa amplificam a espiral descendente

A actual correcção ocorre ainda sob o efeito residual de liquidações em larga escala registadas em Outubro de 2025, que eliminaram cerca de 19 mil milhões de dólares em posições alavancadas. Este processo fragilizou a estrutura do mercado, reduzindo a profundidade da liquidez e tornando os preços mais sensíveis a ondas adicionais de venda.

Analistas sublinham que a forte presença de alavancagem nos ciclos de subida anteriores contribuiu para amplificar a velocidade e a intensidade da queda actual.

70 mil dólares surgem como teste psicológico decisivo

Com o Bitcoin a negociar abaixo dos 73.000 dólares, vários analistas apontam o nível dos 70.000 dólares como o próximo suporte crítico. Uma quebra sustentada desse patamar poderá abrir espaço para uma nova fase de ajustamento, enquanto uma estabilização poderá sinalizar o início de um processo de consolidação após o período de excessos especulativos.

Apesar da correcção profunda, o activo ainda regista uma variação negativa de cerca de 13% no acumulado do ano, reflectindo a magnitude do ajuste após um ciclo de valorização extraordinária.

Entre “medo extremo” e reavaliação do modelo de valorização

O sentimento dominante no mercado é actualmente descrito como de “medo extremo”, com investidores a adoptarem uma postura claramente “risk-off”. Alguns analistas interpretam esta fase como um regresso a uma avaliação mais realista do activo, após um período marcado por forte especulação e expectativas excessivamente optimistas.

Por outro lado, mercados de previsão e modelos quantitativos sugerem que o processo de correcção poderá ainda não ter terminado, sobretudo se persistirem as pressões macroeconómicas e geopolíticas que têm marcado o início de 2026.

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