N1 Volta a Ligar Sul e Centro Após Cheias Históricas em Gaza

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Reabertura condicionada do troço Xai-Xai–Nguluzane restabelece a ligação terrestre entre Maputo, Gaza e o resto do país, num contexto de danos extensos na rede rodoviária nacional.

Questões-Chave:
  • A N1 foi reaberta de forma condicionada no troço Xai-Xai–Nguluzane desde 06 de Fevereiro;
  • A ligação terrestre entre Maputo, Gaza e o resto do país foi restabelecida após duas semanas de interrupção;
  • Cerca de 5.200 quilómetros de estradas foram afectados pelas chuvas em todo o país;
  • O custo preliminar da reposição das vias está estimado em 3,5 milhões de dólares.

A Estrada Nacional Número Um (N1) voltou a assegurar a ligação rodoviária entre o sul e o centro de Moçambique, após a reabertura condicionada do troço Baixa de Nguluzane–cidade de Xai-Xai, na província de Gaza, severamente afectado pelas cheias registadas em Janeiro. A reposição da transitabilidade ocorre num contexto de avaliação técnica contínua dos danos e de elevados encargos financeiros associados à recuperação da rede viária nacional.

Reposição da transitabilidade com restrições operacionais

Em comunicado citado pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), a Administração Nacional de Estradas confirmou que a circulação está autorizada para todo o tipo de viaturas, desde que respeitados os limites de peso, dimensões e velocidade. Na fase actual, o limite máximo de circulação é de 30 quilómetros por hora, como medida preventiva enquanto decorre a avaliação do estado do pavimento.

A ANE recomenda ainda que os automobilistas evitem a circulação nocturna, cumpram rigorosamente a sinalização provisória e adoptem uma condução prudente, tendo em conta a presença de maquinaria pesada e equipas de obra ao longo do troço.

Cheias de Janeiro expõem fragilidades estruturais

A interrupção da N1 resultou do elevado volume de águas pluviais que inundou a cidade de Xai-Xai, alimentado por descargas a montante provenientes da África do Sul e do Zimbabwe. Em meados de Janeiro, a precipitação ultrapassou 250 milímetros em apenas 24 horas, provocando cheias e inundações em vários distritos das províncias de Gaza e Maputo.

A força das águas causou danos significativos em infra-estruturas públicas e privadas, incluindo vias de acesso, sistemas de protecção hidráulica e pontes, obrigando à interrupção total da circulação rodoviária num dos principais corredores logísticos do país.

Pressão financeira sobre a rede rodoviária

Dados preliminares indicam que cerca de 5.200 quilómetros de estradas foram afectados pelas chuvas em todo o território nacional. Encontra-se em elaboração um orçamento inicial de 3,5 milhões de dólares para a reposição das vias danificadas, num contexto em que a época chuvosa e ciclónica — iniciada em Outubro de 2025 — deverá prolongar-se até Abril de 2026.

Paralelamente ao troço Xai-Xai–Nguluzane, decorrem trabalhos de reparação noutros segmentos críticos da N1, nomeadamente nos postos administrativos de 3 de Fevereiro–Incoluane, na província de Maputo, e no troço Chissano–Chibuto, em Gaza, reflectindo a amplitude do impacto climático sobre a principal artéria rodoviária do país.

Monitoria contínua e risco de interrupções temporárias

A ANE alerta que, caso se verifiquem fragilidades adicionais no pavimento, o tráfego poderá ser interrompido temporariamente para permitir intervenções correctivas, sublinhando que a colaboração dos utentes da via é determinante para garantir a segurança rodoviária e a preservação das obras em curso.

A reabertura da N1 representa, assim, um passo crucial para a normalização da circulação de pessoas e mercadorias, mas também evidencia a necessidade de soluções estruturais de resiliência climática na concepção, manutenção e financiamento das infra-estruturas rodoviárias nacionais.

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