Moçambique sob aviso vermelho com ciclone Gezani a ameaçar sul e centro do País

0
4579

Ventos até 165 km/h, chuvas acima de 200 milímetros e risco de inundações nas bacias do Búzi e Savane colocam Inhambane, Gaza e Sofala sob forte pressão.

Questões-Chave:

  • INAM emite aviso vermelho após evolução da tempestade para ciclone tropical;
  • Ventos médios de 120 km/h e rajadas até 165 km/h;
  • Previsão de precipitação superior a 200 mm em Inhambane;
  • Risco de inundações moderadas nas bacias do Búzi e Savane;
  • Evento pode afectar cerca de 1,1 milhões de pessoas e infra-estruturas críticas.

Moçambique entrou em estado de alerta máximo face à aproximação do ciclone tropical Gezani, que evoluiu de tempestade tropical para ciclone sobre o Canal de Moçambique, levando o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) a emitir aviso vermelho para as províncias de Inhambane, Gaza e Sofala.

De acordo com o comunicado oficial , o sistema apresenta ventos médios de 120 quilómetros por hora, com rajadas que podem atingir 165 quilómetros por hora, sendo acompanhado de chuvas fortes, trovoadas e agitação marítima com ondas até 12 metros de altura. O fenómeno desloca-se em direcção à província de Inhambane, podendo entrar pelo litoral ainda nas próximas horas.

O INAM prevê precipitação superior a 200 milímetros em vários distritos de Inhambane, incluindo Govuro, Inhassoro, Vilankulo, Massinga, Morrumbene, Homoíne, Panda, Inharrime, Jangamo, Zavala e Maxixe. Em Sofala e Gaza, esperam-se acumulados entre 50 e 100 milímetros, igualmente acompanhados de ventos fortes.

Risco hidrológico agrava vulnerabilidades no centro do país

Paralelamente, a Administração Regional de Águas (ARA-Centro) alertou para a subida dos níveis de água nas bacias dos rios Búzi e Savane nas próximas 72 horas, com possibilidade de inundações moderadas nos distritos da Beira, Machanga, Búzi e Chibabava.

O impacto poderá atingir infra-estruturas, vias de acesso e campos agrícolas nas zonas baixas e ribeirinhas, agravando um quadro já sensível em termos de cheias sazonais. As autoridades estimam que cerca de 1,1 milhões de pessoas possam ser directa ou indirectamente afectadas pelo fenómeno.

Na cidade da Beira, o risco de inundações urbanas por acumulação de águas pluviais é elevado, particularmente nos bairros de Mungassa, Vaz, Ndunda, Munhava, Chota, Mangonha, Manga Mascarenhas, Chingussura, Inhamizua, Macurungo e Matadouro.

Contexto regional e apelo à prevenção

O ciclone já provocou pelo menos 36 mortos em Madagáscar, onde atingiu com intensidade a cidade de Toamasina, segundo balanço das autoridades malgaxes. A trajectória no Canal de Moçambique mantém o potencial de reorganização e intensificação do sistema antes de tocar terra em território moçambicano.

As autoridades nacionais apelam à retirada preventiva das populações das zonas costeiras e ribeirinhas, à não travessia de leitos de rios e à limpeza dos sistemas de drenagem, recomendando ainda o acompanhamento permanente dos boletins meteorológicos e hidrológicos.

Num país estruturalmente vulnerável a eventos climáticos extremos, a passagem do Gezani volta a colocar em evidência os desafios da resiliência infra-estrutural, da gestão de risco e da protecção dos meios de subsistência, particularmente em sectores como agricultura, pesca e turismo.

O desenrolar das próximas 48 a 72 horas será determinante para avaliar a magnitude efectiva dos impactos económicos e sociais deste novo evento extremo no sul e centro de Moçambique.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.