
Novo projecto de carvão em Moatize prevê produção inicial de 3,5 milhões de toneladas por ano
Iniciativa mineira em Revúboè poderá gerar milhares de empregos e reforçar a posição de Moçambique como produtor relevante de carvão na região
- Novo projecto de carvão em Revúboè, distrito de Moatize, prevê produção inicial de 3,5 milhões de toneladas anuais;
- Segunda fase deverá elevar produção para 7 milhões de toneladas por ano;
- Projecto poderá gerar 1.500 empregos directos e cerca de 8.000 indirectos;
- Vida útil estimada da mina é de 35 anos;
- Governo quer garantir benefícios para comunidades locais e empresas nacionais.
Moçambique espera iniciar, em 2028, a exploração de um novo projecto mineiro de carvão no distrito de Moatize, província de Tete, com uma produção inicial estimada em 3,5 milhões de toneladas por ano, anunciou o Presidente da República, Daniel Chapo, durante o lançamento da iniciativa.
O empreendimento refere-se ao Projecto Mineiro de Revúboè, que contará com a participação da empresa indiana Jindal Steel & Power como novo accionista e que poderá tornar-se um dos principais investimentos mineiros da região centro do país.
Segundo o Chefe do Estado, numa segunda fase prevista para 2032, a produção anual deverá atingir 7 milhões de toneladas de carvão, consolidando a posição do país como um dos principais produtores do mineral em África.
Projecto poderá gerar milhares de empregos
O projecto deverá ter uma vida útil estimada de cerca de 35 anos, com impacto significativo na economia local, particularmente na criação de postos de trabalho.
De acordo com as previsões apresentadas, a mina poderá criar cerca de 1.500 empregos directos e aproximadamente 8.000 empregos indirectos, envolvendo diversas actividades ligadas à cadeia de valor mineira.
Além da exploração mineira, o projecto inclui investimentos complementares em infra-estruturas logísticas, como a construção de uma ponte para ligação à Estrada Nacional Número 7, uma plataforma de depósito de carvão e melhorias na logística de escoamento para o porto da Beira.
Estas infra-estruturas deverão reforçar a utilização dos principais corredores logísticos do país, incluindo as linhas ferroviárias da Beira e de Nacala, consideradas essenciais para o transporte de minerais destinados à exportação.
Governo quer maior valor acrescentado local
Durante o lançamento do projecto, o Presidente da República destacou a necessidade de Moçambique avançar para uma nova fase na exploração dos seus recursos naturais, apostando em maior processamento e industrialização local.
“Por décadas, Moçambique exportou matérias-primas em bruto, deixando para outros países o valor acrescentado do processamento industrial. Esse paradigma tem de mudar”, afirmou.
Segundo explicou, o carvão extraído em Revúboè deverá ser processado localmente, contribuindo para reforçar a cadeia industrial associada ao sector mineiro.
Projecto deverá beneficiar comunidades locais
O Chefe do Estado sublinhou também que o desenvolvimento de projectos mineiros deve traduzir-se em benefícios concretos para as populações das áreas de exploração.
Nesse sentido, o Governo pretende garantir que as oportunidades geradas pelo projecto sejam aproveitadas por pequenas e médias empresas nacionais, através da prestação de serviços nas áreas de logística, fornecimento de alimentos, transporte, limpeza e manutenção.
Chapo alertou ainda para a necessidade de assegurar elevados padrões de responsabilidade social e ambiental, evitando conflitos entre empresas e comunidades locais, situação que marcou anteriormente algumas iniciativas mineiras na província de Tete.
“Todos devem sair a ganhar. A exploração de recursos minerais estratégicos deve gerar lucros para as empresas, mas também benefícios para as comunidades”, afirmou.
Produção nacional de carvão deverá continuar a crescer
O novo projecto surge num momento em que o Governo prevê uma expansão significativa da produção nacional de carvão.
Dados do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) 2026 indicam que Moçambique poderá atingir mais de 22 milhões de toneladas de carvão em 2026, representando um crescimento de cerca de 15% face aos níveis de produção anteriores.
Historicamente, o carvão tem sido um dos principais produtos de exportação do país, embora recentemente tenha sido ultrapassado pelo gás natural em valor de receitas externas.
Ainda assim, o Governo considera que a expansão de projectos mineiros poderá continuar a desempenhar um papel relevante na diversificação da economia e no reforço das exportações minerais.
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