Empresas Apostam Em Talento, Digitalização E ESG Para Navegar Ambiente Regulatório Mais Exigente Em Moçambique

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Dipak Lalgi, da Forvis Mazars, aponta reformas fiscais, pressão por transparência e desafios no acesso a divisas como factores críticos para o investimento no país

Questões-Chave:
  • Ambiente regulatório mais exigente está a redefinir a actuação das empresas;
  • Sectores de energia, infra-estruturas e serviços financeiros lideram oportunidades;
  • ESG e digitalização ganham centralidade na estratégia empresarial;
  • Falta de enquadramento legal para sustentabilidade ainda é um constrangimento;
  • Acesso a divisas continua a afectar operações e previsibilidade das empresas;

Ambiente Regulatório Mais Exigente Reconfigura Estratégias Empresariais

O ambiente de negócios em Moçambique está a entrar numa nova fase, marcada por maior exigência regulatória, reformas fiscais em curso e uma crescente pressão por transparência, factores que estão a redefinir a forma como as empresas operam e se posicionam no mercado.

A leitura é de Dipak Lalgi, responsável pela Forvis Mazars Mozambique, feita em entrevista a publicação online, Profile, que identifica uma transformação estrutural no enquadramento económico nacional, onde a conformidade, a governação e a robustez técnica passam a ser determinantes para a sustentabilidade empresarial.

Segundo Lalgi, as empresas enfrentam hoje o desafio de interpretar e adaptar-se a um conjunto crescente de normas, exigindo maior sofisticação na gestão fiscal, contabilística e operacional.

Energia, Infra-estruturas E Finanças Lideram Dinâmica Económica

Apesar dos desafios, o contexto económico continua a oferecer oportunidades relevantes, sobretudo em sectores estruturantes da economia moçambicana.

Energia, petróleo e gás, infra-estruturas, serviços financeiros, agricultura e mineração destacam-se como os principais motores de crescimento, com forte potencial de atracção de investimento nacional e estrangeiro.

Esta dinâmica está associada, em grande medida, à retoma e expansão de grandes projectos e à necessidade de desenvolvimento de infra-estruturas de suporte, criando espaço para serviços especializados e soluções técnicas mais avançadas.

ESG E Sustentabilidade Ganham Peso, Mas Falta Enquadramento Legal

Um dos pontos mais relevantes destacados por Lalgi é a crescente centralidade das práticas ambientais, sociais e de governação (ESG) no posicionamento das empresas.

Contudo, o responsável alerta para a ausência de um quadro legal claro que torne obrigatória a apresentação de relatórios de sustentabilidade em Moçambique, o que limita a uniformização de práticas e a elevação dos padrões de transparência.

Ainda assim, a adopção voluntária de princípios ESG está a tornar-se um factor diferenciador para empresas que pretendem atrair investimento e operar em conformidade com padrões internacionais.

Digitalização E Talento Como Alavancas De Competitividade

Paralelamente, a transformação digital surge como uma das principais alavancas de competitividade, permitindo às empresas aumentar a eficiência, melhorar a qualidade dos serviços e responder com maior agilidade às exigências do mercado.

Neste contexto, o investimento no talento local assume um papel central. A aposta na formação, certificação e desenvolvimento de competências é vista como condição essencial para sustentar o crescimento e garantir a capacidade de resposta a um ambiente económico cada vez mais complexo.

Acesso A Divisas Continua A Condicionar Actividade Empresarial

Entre os constrangimentos estruturais, o acesso a divisas continua a ser um dos principais desafios para o sector empresarial.

Lalgi sublinha que, embora o impacto varie consoante a dimensão das empresas, a escassez de moeda estrangeira tem provocado atrasos em pagamentos e introduzido incerteza na gestão financeira, afectando a previsibilidade das operações.

Ao mesmo tempo, defende que esta limitação deve ser encarada como um incentivo à produção interna, à substituição de importações e ao desenvolvimento de capacidades locais.

Confiança Institucional E Parceria Público-Privada No Centro Da Equação

Outro aspecto central na leitura do responsável da Forvis Mazars é a necessidade de reforçar a articulação entre o sector privado e as entidades públicas.

A confiança institucional emerge como um elemento crítico para a dinamização do ambiente de negócios, sendo fundamental para atrair investimento, promover reformas e assegurar a implementação eficaz de políticas económicas.

Neste contexto, Lalgi, na entrevista ao Profile,  defende uma maior aproximação entre empresas e instituições públicas, com vista a potenciar o contributo técnico do sector privado e a melhorar a qualidade da governação económica.

Entre Oportunidade E Exigência: Um Novo Perfil Do Investimento

O quadro que emerge é o de uma economia em transição, onde as oportunidades permanecem robustas, mas exigem uma abordagem mais estruturada, rigorosa e alinhada com padrões internacionais.

Para investidores, nacionais e estrangeiros, Moçambique continua a apresentar potencial significativo, sobretudo nos sectores estratégicos, mas a entrada e permanência no mercado requerem hoje maior atenção ao risco, à conformidade e à sustentabilidade.

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