
África Austral deverá crescer 3,2% em 2021 – BAD
A África Austral deverá entrar em um processo de recuperação económica este ano, registando um crescimento de 3,2% em 2021 e 2,4% em 2022, de acordo com um relatório publicado pelo Banco Africano de Desenvolvimento – BAD.
O Southern Africa Economic Outlook prevê que as 13 nações da Africa Austral – compreendendo: Angola, Botsuana, Lesoto, Madagáscar, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, São Tomé & Príncipe, África do Sul, eSwatini, Zâmbia e Zimbábue – recuperem da contracção de 6,3% de 2020, de longe a pior do continente, à medida que prosseguem as campanhas de vacinação nos países. “A recuperação da região depende da evolução do COVID-19 e das políticas adotadas pelos países”, destaca o relatório.
No geral, as perspectivas são optimistas, no entanto, a recuperação prevista será insuficiente para compensar a contracção que a região sofreu no ano transacto. De acordo com o BAD, a pandemia deixou uma “impressão profunda” entre as 13 nações cobertas pelo Southern Africa Economic Outlook.
Os efeitos induzidos pela pandemia na produção foram mais pronunciados em países que dependem fortemente do turismo, como Botswana, Maurício, Namíbia e Zimbábue. O mesmo vale para os países que dependem das exportações de commodities, apontou o Outlook.
Referindo-se às ameaças a recuperação dos países, além das baixas taxas de vacinação – com a maioria dos países da região com menos de 1% da população totalmente vacinada – o BAD destaca que a falta de diversidade económica pode sufocar a recuperação dos países. Com efeito, as commodities desempenham um papel sobredimensionado em muitas das economias da região, apontam os analistas do Banco, citando como exemplos Angola, Moçambique e Zâmbia.
Os analistas notam igualmente que o crescimento lento na África do Sul – a maior economia da região – se alastrou para seus vizinhos, que fornecem insumos e demandam produtos manufaturados e processados da África do Sul. Assim, o Banco antevê que a inflação regional reduza de 14,2% em 2020 para 9,4% em 2021 e 6,5% em 2022.
_São moderadas as perspectivas de endividamento
As preocupações com a evolução do endividamento na região são moderadas. A dívida bruta do governo como porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) deve aumentar moderadamente na maioria dos países, prevê o Outlook.
A maior queda da dívida em percentagem do PIB é esperada em Angola, onde se estima que a dívida em 2021–22 cairá 11 pontos percentuais, seguida de São Tomé e Príncipe em 5 pontos percentuais.
Embora se espere que a dívida externa caia em 2021 para a região como um todo, as taxas de câmbio continuarão a se depreciar em muitos países – aumentando o peso da dívida. O BAD prevê que a depreciação poderá ser agravada por deteriorações esperadas nos saldos em conta corrente de 7 dos 13 países da região.
Neste contexto, os especialistas do Banco propõem que, em consonância com a reestruturação da dívida, a qualidade e a eficiência dos gastos do governo sejam aprimoradas para aumentar a relação custo-benefício. Para aumentar a transparência, os governos da África Austral devem estar abertos à realização de revisões dos programas de gastos existentes, por conta própria ou com a assistência de organizações internacionais.















