FUNDEC Lança Índices E Prémios E Revela Deterioração Da Saúde Empresarial Em Moçambique

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Dados do ICEM e REF mostram recuo da liquidez e aumento do risco empresarial, enquanto economistas defendem decisões baseadas em evidência

Questões-Chave:
  • FUNDEC lança Índice de Competitividade Empresarial (ICEM) e Rating Empresarial Financeiro (REF);
  • REF recua de 46,64 para 39,8 pontos ao longo de 2025;
  • Ambiente empresarial classificado em nível crítico de risco (“CC/C”);
  • AMECON defende reforço institucional e decisões económicas baseadas em evidência;
  • Iniciativa inclui prémios para empreendedorismo e jornalismo económico.

Entre Métricas E Reformas: Um Diagnóstico Sem Precedentes

O evento promovido pela Fundacao Para a Competitividade Empresarial (FUNDEC), realizado esta sexta-feira, 08 de Maio,  em Maputo, estabeleceu-se como um dos momentos mais relevantes do debate económico recente, ao introduzir um conjunto de instrumentos destinados a medir, interpretar e influenciar a trajectória da economia empresarial moçambicana.

Mais do que um exercício técnico, o lançamento do Índice de Competitividade Empresarial (ICEM) e do Rating Empresarial e Financeiro (REF) assume-se como um diagnóstico estruturado de uma economia que continua a operar aquém do seu potencial.

Na intervenção de abertura, o Presidente da FUNDEC, Agostinho Vuma, sublinhou o alcance estratégico da iniciativa:

“Hoje não lançamos apenas métricas. Não apresentamos apenas prémios. Lançamos uma reflexão nacional sobre o futuro económico de Moçambique.”

Indicadores Confirmam Deterioração Da Saúde Empresarial

Os dados apresentados são inequívocos e preocupantes.

O REF evidencia uma deterioração progressiva da saúde financeira das empresas ao longo de 2025, passando de 46,64 pontos no primeiro trimestre para 39,8 pontos no final do ano.

Esta trajectória traduz:

– redução da liquidez empresarial;
– aumento do risco de crédito;
– maior pressão sobre rentabilidade e sustentabilidade.

Paralelamente, o ICEM mantém-se abaixo dos 30 pontos, classificando o ambiente empresarial moçambicano na categoria “CC/C – crítico”, normalmente associada a economias com fragilidade estrutural, baixa produtividade e elevada vulnerabilidade a choques.

Crédito Restrito E Estrutura Produtiva Limitada

A análise do REF evidencia dois constrangimentos centrais.

Por um lado, o acesso ao crédito permanece limitado, com sectores produtivos a enfrentarem dificuldades em financiar crescimento e operação, num contexto descrito como de “crédito escasso e caro”.

Por outro, a estrutura económica continua excessivamente concentrada nos grandes projectos extractivos, com fraca articulação com sectores mais inclusivos, como a indústria transformadora e os serviços.

Este modelo reforça uma economia a duas velocidades e limita a capacidade de transformação estrutural.

AMECON Reforça Papel Das Instituições E Da Evidência

A intervenção da Associação Moçambicana de Economistas (AMECON) veio reforçar a leitura de que os desafios não são apenas conjunturais, mas estruturais.

No discurso apresentado, a organização destacou que:

“Moçambique possui enorme potencial económico, mas o potencial, por si só, não gera desenvolvimento. O desenvolvimento exige produtividade, instituições eficientes, ambiente de negócios favorável e decisões baseadas em evidência.”

A AMECON sublinhou ainda que os índices lançados podem tornar-se instrumentos essenciais para orientar reformas, apoiar decisões de investimento e aumentar a responsabilização institucional.

Medir Para Governar: Uma Mudança De Paradigma

Um dos elementos mais estruturantes do evento foi a defesa de uma mudança de paradigma.

A FUNDEC propõe a transição de uma economia baseada em percepções para uma economia orientada por dados, onde decisões públicas e privadas sejam sustentadas por métricas consistentes.

“Não se melhora aquilo que não se mede”, afirmou Agostinho Vuma, reforçando a necessidade de institucionalizar uma cultura de rigor técnico e evidência empírica.

Prémios Como Instrumento De Mobilização Económica

Para além dos indicadores, o evento marcou também o lançamento dos Prémios FUNDEC 2026, com destaque para o Prémio Jovem Empreendedor e o Prémio de Jornalismo Investigativo.

Segundo a AMECON, esta iniciativa assume particular relevância num contexto em que é necessário valorizar soluções, talento e inovação:

“Economias competitivas não se constroem apenas com recursos naturais. Constroem-se com pessoas, inovação e conhecimento.”

Entre Diagnóstico E Acção: Um Momento De Viragem

O evento da FUNDEC posiciona-se, assim, como um ponto de inflexão no debate económico nacional.

Os dados apresentados deixam claro que a economia empresarial moçambicana enfrenta fragilidades profundas, mas também indicam caminhos possíveis para a sua transformação.

A questão central que emerge é clara: Como transformar evidência em acção efectiva?

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