Dólar Atinge Máximo De Seis Semanas Com Receios Inflacionistas E Incerteza Sobre Guerra Com O Irão

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  • Escalada geopolítica no Médio Oriente reforça procura por activos de refúgio, impulsiona juros das obrigações norte-americanas e aumenta apostas em novas subidas de taxas pela Reserva Federal.
Questões-Chave:
  • Dólar aproxima-se do máximo de seis semanas impulsionado por expectativas de juros mais altos nos EUA;
  • Mercado teme persistência da inflação devido ao impacto da guerra no Médio Oriente sobre energia e cadeias globais;
  • Rendibilidade das obrigações norte-americanas a 30 anos atinge nível mais elevado desde 2007;
  • Yen volta a aproximar-se da zona crítica de intervenção cambial do Japão;
  • Investidores acompanham sinais da Reserva Federal sobre possível ciclo de aperto monetário em Dezembro.

O dólar norte-americano manteve-se próximo do nível mais elevado das últimas seis semanas nesta quarta-feira, num contexto em que os mercados financeiros globais começam a reajustar expectativas quanto à trajectória futura das taxas de juro nos Estados Unidos, perante receios crescentes de inflação associados à prolongada guerra entre os EUA e o Irão.

A persistente instabilidade geopolítica no Médio Oriente tem reforçado a procura global por activos considerados seguros, ao mesmo tempo que pressiona os preços da energia e alimenta receios de novas ondas inflacionistas à escala internacional.

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana face a um cabaz de divisas internacionais, estabilizou em 99,306 pontos, acumulando uma valorização superior a 1% desde o início de Maio, impulsionado tanto pela procura defensiva quanto pelas crescentes apostas num eventual aumento das taxas directoras da Reserva Federal até ao final do ano.

Guerra No Médio Oriente Reconfigura Expectativas Monetárias

A deterioração do ambiente geopolítico está a alterar significativamente as expectativas dos investidores sobre a política monetária norte-americana.

Segundo dados do CME FedWatch citados pela Reuters, os mercados passaram agora a atribuir mais de 50% de probabilidade a uma subida das taxas de juro em Dezembro — uma inversão expressiva relativamente ao cenário anterior ao conflito, quando predominavam expectativas de cortes nas taxas ainda este ano.

A lógica subjacente é relativamente directa: preços elevados do petróleo tendem a aumentar custos de transporte, produção e energia, pressionando a inflação global e reduzindo a margem de manobra dos bancos centrais para aliviar as condições monetárias.

A estratega cambial do Commonwealth Bank of Australia, Carol Kong, afirmou esperar uma postura mais agressiva (“hawkish”) da Reserva Federal, considerando que vários responsáveis da Fed têm vindo a manifestar preocupação crescente com a inflação norte-americana desde a reunião de Abril.

Mercado Obrigacionista Sob Pressão

A reconfiguração das expectativas monetárias provocou igualmente uma forte venda global de obrigações soberanas.

Nos Estados Unidos, a rendibilidade das obrigações do Tesouro a 30 anos atingiu o nível mais elevado desde 2007, reflectindo a percepção de que os juros poderão permanecer elevados durante mais tempo.

Este movimento nos mercados obrigacionistas tem implicações relevantes para os fluxos globais de capitais, sobretudo para economias emergentes e fronteira, que enfrentam maior dificuldade em atrair financiamento externo num contexto de dólar forte e juros elevados nos EUA.

Yen Volta A Aproximar-Se Da Zona De Intervenção

A valorização do dólar voltou igualmente a pressionar o Yen japonês, que se aproximou novamente da zona crítica dos 160 Yens por dólar — nível que levou recentemente as autoridades japonesas a intervirem no mercado cambial pela primeira vez em quase dois anos.

O Yen negociava em torno de 159,03 por dólar, próximo dos níveis que desencadearam sucessivas intervenções de Tóquio no final de Abril e início de Maio.

Analistas alertam, contudo, que qualquer intervenção japonesa poderá apenas abrandar temporariamente a tendência de valorização do dólar, enquanto persistirem juros elevados nos EUA e forte procura global por activos denominados em moeda norte-americana.

Petróleo Elevado Continua A Sustentar Pressões Inflacionistas

Apesar de um cessar-fogo frágil alcançado em Abril, os mercados continuam particularmente atentos ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e outras matérias-primas, que permanece parcialmente condicionada devido às tensões militares.

O Brent continuava a negociar acima dos 110 dólares por barril, substancialmente acima dos níveis observados antes do início do conflito no final de Fevereiro.

A persistência destes preços elevados reforça receios de inflação importada em várias economias dependentes de combustíveis fósseis, incluindo países africanos importadores líquidos de energia como Moçambique.

Num contexto de pressão cambial global, custos energéticos elevados e condições financeiras internacionais mais restritivas, economias emergentes poderão enfrentar desafios acrescidos ao nível da estabilidade macroeconómica, gestão cambial e financiamento externo.

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