
Rand Cai Com Subida Do Petróleo E Perda De Fôlego Da Indústria Sul-Africana
- Moeda sul-africana voltou a sofrer pressão num contexto de agravamento das tensões no Médio Oriente, subida dos preços internacionais do petróleo e sinais de abrandamento da actividade manufactureira.
- Rand depreciou cerca de 0,6% face ao dólar norte-americano;
- PMI manufactureiro da Absa recuou de 52,6 para 50,8 pontos em Maio;
- Escalada das tensões entre Estados Unidos, Irão e Israel impulsionou subida superior a 3% dos preços do petróleo;
- Mercado accionista sul-africano encerrou em queda, enquanto os rendimentos das obrigações soberanas subiram;
- Vendas de veículos mantiveram crescimento robusto, sugerindo alguma resiliência da procura interna.
O rand sul-africano iniciou a semana sob pressão, reflectindo a combinação de factores externos e domésticos que continuam a condicionar o sentimento dos investidores em relação aos mercados emergentes.
A moeda sul-africana negociava a 16,31 rands por dólar na tarde de segunda-feira, acumulando uma depreciação de aproximadamente 0,6% relativamente ao fecho anterior, num movimento que coincidiu com uma nova subida dos preços internacionais do petróleo e com a divulgação de indicadores menos favoráveis para a indústria manufactureira do país.
Segundo dados citados pela Reuters, o principal factor de pressão continua a ser a escalada das tensões geopolíticas no Médio Oriente. Os preços do petróleo avançaram mais de 3% após novos confrontos envolvendo os Estados Unidos e o Irão, enquanto Israel ordenava o reforço das operações militares no Líbano. O aumento dos preços da energia tende historicamente a penalizar economias importadoras líquidas de petróleo, como a África do Sul, aumentando a vulnerabilidade externa e reduzindo a atractividade das respectivas moedas.
Actividade Industrial Perde Dinamismo
O comportamento do rand foi igualmente influenciado pelos dados do Índice dos Gestores de Compras (PMI) patrocinado pelo Absa.
O indicador recuou de 52,6 pontos em Abril para 50,8 pontos em Maio, permanecendo em território de expansão, mas evidenciando uma desaceleração da actividade industrial. A produção e as novas encomendas regressaram a níveis de contracção, reflectindo um enfraquecimento da procura e o desaparecimento do efeito temporário de antecipação de compras observado no mês anterior.
Segundo o Absa, muitos fabricantes beneficiaram em Abril de encomendas antecipadas realizadas por clientes que procuravam proteger-se contra futuras subidas de preços. Contudo, esse efeito dissipou-se em Maio, contribuindo para a moderação da actividade industrial.
A instituição financeira alertou igualmente para o impacto persistente da depreciação do rand e dos custos energéticos mais elevados sobre os custos de produção das empresas manufactureiras.
Petróleo Continua A Ditar O Comportamento Da Moeda
Analistas consideram que o comportamento recente do rand está cada vez mais dependente dos desenvolvimentos no Médio Oriente.
A consultora ETM Analytics observou que a moeda sul-africana continua a utilizar os preços do petróleo como principal referência para definir a sua trajectória, tornando-se particularmente sensível a qualquer alteração no conflito envolvendo o Irão.
Desde o agravamento da crise regional, ocorrido no final de Fevereiro, a moeda sul-africana tem registado uma correlação crescente com os movimentos do mercado petrolífero, fenómeno que se explica pela dependência energética da economia sul-africana e pelo impacto directo dos combustíveis na balança comercial e na inflação.
Mercado Automóvel Mantém Sinais Positivos
Nem todos os indicadores económicos foram negativos.
Dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Automóveis da África do Sul (NAAMSA) mostram que as vendas de veículos novos cresceram 12,8% em Maio face ao mesmo período do ano anterior.
Embora o ritmo tenha sido ligeiramente inferior aos 13% registados em Abril, o desempenho continua a apontar para uma procura relativamente resiliente por parte dos consumidores e empresas.
O Conselho Empresarial Automóvel da África do Sul considerou que o mercado continua a beneficiar do dinamismo acumulado ao longo dos primeiros meses do ano, apesar de reconhecer que o ambiente macroeconómico se tornou mais desafiante devido à volatilidade internacional e ao aumento dos custos.
Investidores Adoptam Postura Mais Cautelosa
A aversão ao risco também se reflectiu nos restantes segmentos do mercado financeiro sul-africano.
O índice Top 40 da Bolsa de Joanesburgo registou uma queda próxima de 1,1%, enquanto as obrigações soberanas de referência com maturidade em 2035 perderam valor, levando a rendibilidade a subir quatro pontos base para 8,425%.
O movimento sugere uma migração parcial dos investidores para activos considerados mais seguros, num contexto marcado por elevada incerteza geopolítica e por dúvidas quanto à trajectória da economia global.
Para os mercados da África Austral, incluindo Moçambique, a evolução do rand continua a ser um indicador relevante, dada a forte integração comercial e financeira existente entre as duas economias.
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