
Ouro Mantém-se Próximo de US$ 4.000, Mas Caminha Para Quarta Queda Semanal
- Dados de inflação nos Estados Unidos aliviaram alguma pressão sobre os preços, mas a força persistente do dólar e as expectativas de uma política monetária mais restritiva continuam a limitar a recuperação do metal precioso.
- O ouro oscilava em torno de US$ 4.000 por onça na sessão asiática desta sexta-feira;
- O metal segue a caminho da quarta queda semanal consecutiva, com uma desvalorização próxima de 4% na semana;
- A inflação norte-americana continua a sustentar expectativas de novas subidas das taxas de juro pela Reserva Federal;
- O fortalecimento do dólar encarece o ouro para investidores que operam noutras moedas e reduz a atractividade de activos sem rendimento.
O ouro estabilizou nas proximidades dos US$ 4.000 por onça, numa sessão marcada por sinais contraditórios vindos da economia norte-americana. Por um lado, os dados mais recentes da inflação moderaram alguma da pressão imediata sobre os mercados obrigacionistas e sobre os metais preciosos. Por outro, a persistência de uma inflação elevada e a expectativa de taxas de juro mais altas nos Estados Unidos continuam a limitar uma recuperação mais robusta do ouro.
Na manhã desta sexta-feira, o ouro à vista chegou a negociar em torno de US$ 4.021 por onça, segundo a Bloomberg, depois de ter recuperado 0,7% na sessão anterior. A Reuters indicava, contudo, que o metal voltou a ceder para cerca de US$ 3.991 por onça, permanecendo abaixo do limiar psicológico dos US$ 4.000.
Inflação Mantém Fed Sob Pressão
O comportamento do ouro reflecte, sobretudo, a leitura dos investidores sobre o rumo da política monetária norte-americana. O índice de preços das despesas de consumo pessoal — PCE, na sigla em inglês — indicador preferido da Reserva Federal para acompanhar a inflação, registou uma subida mensal de 0,4% em Maio, abaixo do esperado pelo mercado, segundo a Bloomberg.
A divulgação levou a uma redução pontual das rendibilidades das obrigações do Tesouro norte-americano e atenuou as apostas numa subida imediata das taxas de juro. Ainda assim, os dados anuais mantêm uma leitura mais exigente: a Reuters reportou que a inflação norte-americana acelerou para 4,1% nos 12 meses até Maio, ultrapassando a fasquia dos 4% pela primeira vez em três anos.
Esta combinação reforça a percepção de que a Reserva Federal poderá manter uma postura restritiva durante mais tempo. Os mercados continuam a incorporar a possibilidade de várias subidas das taxas de juro ao longo do ano, num ambiente em que a liderança do banco central norte-americano tem emitido sinais claramente mais duros em relação ao controlo da inflação.
Dólar Forte Penaliza Metal Sem Rendimento
A valorização do dólar constitui o segundo grande factor de pressão sobre o ouro. O índice da moeda norte-americana manteve-se próximo dos níveis mais elevados desde Maio de 2025, caminhando para uma segunda semana consecutiva de ganhos, de acordo com a Reuters.
Um dólar mais forte torna o ouro mais caro para investidores que utilizam outras moedas, reduzindo a procura internacional. Ao mesmo tempo, taxas de juro mais elevadas aumentam o custo de oportunidade de deter ouro, um activo que não gera juros nem dividendos.
Segundo Kelvin Wong, analista sénior de mercados da OANDA citado pela Reuters, a rápida reavaliação das expectativas em torno de uma Reserva Federal mais agressiva impulsionou o dólar e contribuiu para a descida acentuada das cotações do ouro.
Correcção Após Máximo Histórico
A actual trajectória confirma uma fase de correcção mais profunda no mercado do ouro. O metal acumula uma queda aproximada de 29% face ao máximo histórico de US$ 5.594,82 por onça atingido a 29 de Janeiro, num período em que os receios inflacionistas e as tensões geopolíticas tinham levado os investidores a procurar activos de refúgio.
A queda abaixo dos US$ 4.000, registada pela primeira vez desde Novembro de 2025, reforçou a leitura de que o mercado continua vulnerável à evolução do dólar, às decisões da Reserva Federal e aos próximos indicadores de inflação e actividade económica nos Estados Unidos.
A pressão estendeu-se aos restantes metais preciosos. A prata, a platina e o paládio também registavam perdas na sessão desta sexta-feira e encaminhavam-se para um fecho semanal negativo, confirmando uma correcção mais abrangente no segmento dos metais.
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