Serviços Digitais Já Representam 56% Das Exportações Mundiais Do Sector

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  • Exportações fornecidas através de redes digitais cresceram, em média, 7,1% por ano na última década, mas correspondem a apenas 16% das vendas de serviços dos países menos desenvolvidos, contra 61% nas economias avançadas.
Questões-Chave:
  • Serviços fornecidos digitalmente representam 56% das exportações mundiais de serviços;
  • Segmento registou um crescimento médio anual de 7,1% durante a última década;
  • Participação dos serviços nas exportações globais aumentou de 23% em 2015 para 27% em 2025;
  • Nos países desenvolvidos, 61% das exportações de serviços são fornecidas digitalmente;
  • Nos países menos desenvolvidos, a proporção limita-se a 16%;
  • Conectividade dispendiosa, limitações nos pagamentos internacionais e falta de competências restringem a participação das pequenas empresas;
  • Inteligência artificial poderá aumentar a distância entre economias com diferentes capacidades tecnológicas;

As exportações de serviços fornecidos digitalmente cresceram a uma média anual de 7,1% durante a última década e representam agora 56% das exportações mundiais do sector, consolidando-se como uma das componentes mais dinâmicas do comércio internacional.

Dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) mostram, contudo, que os benefícios desta expansão permanecem fortemente concentrados nas economias com maior capacidade tecnológica, financeira e institucional.

Nos países desenvolvidos, cerca de 61% das exportações de serviços são entregues digitalmente. Nos países menos desenvolvidos, a proporção é de apenas 16%.

A diferença mostra que a conectividade global não eliminou as barreiras à entrada no comércio internacional. Embora os serviços digitais possam ser prestados à distância, a sua exportação exige internet acessível e estável, sistemas de pagamento internacionais, competências especializadas, identificação digital e regras compatíveis com as transacções transfronteiriças.

Serviços Ganham Peso Na Produção Mundial

Os serviços deixaram de constituir apenas uma actividade separada da agricultura e da indústria. Tornaram-se insumos essenciais para praticamente todos os sectores produtivos.

Em 2022, representaram 71% dos insumos intermediários utilizados na produção mundial, segundo a UNCTAD, com base nos dados de comércio em valor acrescentado da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

Transportes, logística, telecomunicações, programação informática, finanças, seguros, engenharia, investigação, consultoria, publicidade e gestão integram actualmente os custos e os processos produtivos das empresas agrícolas e industriais.

A sua participação nas exportações mundiais aumentou de 23% em 2015 para 27% em 2025.

O crescimento do sector tem efeitos sobre a competitividade de toda a economia. Serviços produtivos, comercializáveis e intensivos em conhecimento podem elevar a produtividade, apoiar a inovação e criar empregos de maior valor acrescentado.

Quando são caros, indisponíveis ou de baixa qualidade, as explorações agrícolas, fábricas e empresas exportadoras enfrentam custos mais elevados e menor capacidade de competir nos mercados internacionais.

Comércio Digital Reduz Distância, Mas Não As Barreiras

Os serviços fornecidos digitalmente incluem actividades que podem ser prestadas remotamente através de redes informáticas.

Esta categoria abrange telecomunicações, informática e informação, seguros e serviços financeiros, investigação e desenvolvimento, consultoria, engenharia, arquitectura, serviços audiovisuais, educação, saúde e direitos associados à propriedade intelectual.

A possibilidade de exportar estes serviços sem deslocar fisicamente trabalhadores ou mercadorias cria oportunidades para países afastados dos grandes mercados consumidores.

Uma empresa sediada em Maputo, por exemplo, pode prestar serviços de programação, contabilidade, desenho, consultoria, tradução, produção audiovisual ou assistência técnica a clientes localizados noutras economias.

O potencial, porém, depende da capacidade de contratar, fornecer o serviço, proteger dados, emitir documentação, receber pagamentos e cumprir as regras fiscais e comerciais aplicáveis em diferentes jurisdições.

É nesta cadeia que muitos países menos desenvolvidos perdem competitividade, mesmo quando possuem trabalhadores e empresas capazes de fornecer os serviços.

Países Menos Desenvolvidos Captam Parcela Reduzida

A participação de apenas 16% dos serviços digitais nas exportações do sector nos países menos desenvolvidos contrasta com os 61% registados nas economias avançadas.

Estes países continuam mais dependentes de serviços tradicionais, como transportes e viagens, actividades particularmente vulneráveis a choques económicos, interrupções logísticas e limitações à mobilidade internacional.

O baixo peso digital reduz a capacidade de captar os segmentos com maior crescimento e maior intensidade de conhecimento.

Também limita a diversificação das exportações. Economias concentradas em produtos primários poderiam utilizar serviços digitais para gerar receitas externas sem enfrentar os mesmos custos logísticos associados ao transporte de mercadorias.

Para países africanos, o comércio digital pode criar uma nova via de internacionalização para profissionais independentes, empresas tecnológicas, centros de atendimento, produtores audiovisuais e prestadores de serviços empresariais.

Pagamentos Limitam Participação Das Pequenas Empresas

A conectividade precária e dispendiosa constitui uma das principais restrições, mas não é a única. A UNCTAD identifica também limitações nos sistemas de pagamentos transfronteiriços, lacunas nas competências digitais e fragilidades dos quadros regulamentares.

As micro, pequenas e médias empresas e os trabalhadores independentes são particularmente afectados pela dificuldade de receber pagamentos de clientes estrangeiros.

Uma empresa pode encontrar procura internacional para os seus serviços, mas não conseguir aceder a plataformas globais, abrir uma conta compatível, converter receitas para a moeda nacional ou receber valores a custos economicamente viáveis.

As taxas cobradas nas transferências internacionais, os requisitos documentais, a reduzida interoperabilidade entre plataformas e as restrições cambiais podem retirar competitividade a operações de pequena dimensão.

A inclusão no comércio digital exige, por isso, uma infra-estrutura financeira que permita receber, guardar, converter e transferir receitas internacionais com segurança e custos proporcionais ao valor das transacções.

Inteligência Artificial Pode Aumentar Desigualdades

A rápida adopção da inteligência artificial poderá aprofundar a diferença entre países com elevada capacidade tecnológica e economias ainda concentradas em serviços digitais de menor complexidade.

A capacidade computacional, os dados, o financiamento e as competências necessários para desenvolver e aplicar sistemas de inteligência artificial estão concentrados num número reduzido de economias e empresas.

Ao mesmo tempo, a automatização pode afectar tarefas rotineiras que funcionaram como porta de entrada de vários países em desenvolvimento no comércio internacional de serviços, incluindo processamento de dados, atendimento ao cliente, transcrição e outras funções administrativas.

Isto significa que competir apenas através de mão-de-obra de menor custo poderá tornar-se insuficiente. A expansão das competências deverá abranger análise de dados, programação, gestão de sistemas digitais, cibersegurança, utilização de inteligência artificial e prestação de serviços especializados.

O acesso à tecnologia precisa igualmente de ser acompanhado por capacidade empresarial para transformar competências individuais em contratos, empresas exportadoras e empregos sustentáveis.

Regras Fragmentadas Elevam Custos

A multiplicação de acordos bilaterais, regionais e plurilaterais criou diferentes regras para o comércio digital.

Estas normas podem abranger fluxos internacionais de dados, localização de servidores, assinaturas electrónicas, protecção do consumidor, privacidade, cibersegurança, tributação e reconhecimento de identidades digitais.

A sobreposição de regimes aumenta os custos de interpretação e cumprimento, sobretudo para pequenos países e empresas com reduzida capacidade jurídica.

Segundo a UNCTAD, maior transparência, cooperação regulatória e interoperabilidade podem reduzir a fragmentação, preservando o espaço necessário para os países prosseguirem os seus objectivos de política pública.

Os países em desenvolvimento precisam também de capacidade analítica e negocial para avaliar as implicações dos compromissos assumidos e participar na definição das novas regras.

Moçambique Precisa De Construir Capacidade Exportadora

Para Moçambique, a expansão deste mercado representa uma oportunidade de diversificar as fontes de receitas externas para além dos produtos primários e dos grandes projectos intensivos em capital.

A primeira condição é melhorar a qualidade e o custo da conectividade. A segunda consiste em formar profissionais com competências comercializáveis internacionalmente. A terceira exige sistemas de pagamento que permitam às empresas e aos trabalhadores independentes receber receitas de clientes estrangeiros.

Será igualmente necessário produzir estatísticas que permitam identificar quais serviços Moçambique já exporta, quais mercados absorvem essa oferta e onde se encontram as principais restrições.

Universidades, institutos de formação, empresas de telecomunicações, bancos, plataformas de pagamento e organizações empresariais podem desempenhar um papel na construção desta capacidade exportadora.

O crescimento mundial do comércio digital abre o mercado, mas não garante participação. O valor económico será captado pelas economias que conseguirem combinar conectividade, competências, pagamentos, empresas competitivas e capacidade para influenciar as regras que organizam o comércio internacional de serviços.

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