ExxonMobil Faz Nova Descoberta Prolonga Valor Do Bloco 15 E Abre Produção Com Menor Investimento – Angola

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• Poço Vicango Este-01 interceptou 25 metros de arenito com hidrocarbonetos e poderá ser ligado às infra-estruturas existentes num bloco que já produziu mais de 2,7 mil milhões de barris.

Questões-Chave:
  • A ExxonMobil e os seus parceiros anunciaram a descoberta de petróleo no poço Vicango Este-01, localizado a 370 quilómetros de Luanda;
  • A perfuração, realizada em águas com 940 metros de profundidade, identificou cerca de 25 metros de arenito de elevada qualidade;
  • O reservatório apresenta uma porosidade estimada em 22%, indicador favorável à capacidade de armazenamento e circulação dos hidrocarbonetos;
  • O Vicango Este-01 representa a 20.ª descoberta no Bloco 15 em três décadas e a terceira nos últimos quatro anos;
  • O Bloco 15 já produziu mais de 2,7 mil milhões de barris e dispõe de infra-estruturas que podem reduzir os custos e os prazos de desenvolvimento;
  • A ExxonMobil possui 36% da concessão, a Azule Energy 42%, a Equinor 12% e a Sonangol 10%;
  • A descoberta ajuda Angola a compensar o declínio dos campos maduros e a sustentar a produção petrolífera.

Angola anunciou uma nova descoberta de petróleo no Bloco 15, uma das áreas offshore mais produtivas do país, num desenvolvimento que poderá acrescentar volumes à produção através da utilização das infra-estruturas já instaladas.

A descoberta foi realizada no poço Vicango Este-01, localizado aproximadamente 370 quilómetros a noroeste de Luanda e perfurado em águas com 940 metros de profundidade.

A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), a ExxonMobil e os restantes parceiros da concessão informaram que o poço interceptou cerca de 25 metros de arenito de elevada qualidade contendo hidrocarbonetos.

A formação apresenta uma porosidade estimada em 22%, característica considerada favorável à acumulação e circulação de petróleo no reservatório.

Vicango Este-01 constitui a 20.ª descoberta realizada no Bloco 15 nos últimos 30 anos e a terceira nos quatro anos mais recentes, confirmando a existência de potencial adicional numa área que já atingiu uma fase avançada de exploração e produção.

Descoberta Pode Aproveitar Infra-Estruturas Existentes

O principal valor económico da descoberta está na possibilidade de ligação aos sistemas de produção existentes no Bloco 15.

Ao contrário de uma descoberta realizada numa área sem infra-estruturas, o desenvolvimento de Vicango Este-01 poderá aproveitar plataformas, sistemas submarinos, unidades de processamento e redes de transporte já instaladas.

Esta abordagem, conhecida na indústria como desenvolvimento por ligação ou tie-back, tende a exigir menos investimento, apresentar menores riscos de execução e permitir o início da produção num prazo mais curto.

A viabilidade dependerá da avaliação do volume de petróleo recuperável, da produtividade do reservatório, da distância em relação às instalações e dos custos necessários para efectuar a ligação.

A ExxonMobil e os parceiros deverão realizar estudos adicionais para determinar a dimensão comercial da descoberta e definir a solução técnica mais adequada.

Brian Unietis, Director-Geral da ExxonMobil em Angola, afirmou que descobertas desta natureza permitem aumentar o valor dos activos instalados e criar oportunidades adicionais de produção.

“O Bloco 15 tem sido um dos desenvolvimentos em águas profundas mais importantes de Angola, e descobertas como esta ajudam a aumentar o valor das infra-estruturas existentes, ao mesmo tempo que apoiam futuras oportunidades de produção”, declarou.

Bloco 15 Já Produziu 2,7 Mil Milhões De Barris

O Bloco 15 integra o núcleo histórico da indústria petrolífera angolana em águas profundas e já produziu mais de 2,7 mil milhões de barris ao longo de três décadas.

A maturidade da concessão significa que parte dos campos se encontra numa fase de declínio natural. Neste contexto, novas descobertas próximas das instalações existentes podem prolongar a vida económica dos activos e compensar parcialmente a redução da produção dos reservatórios mais antigos.

As descobertas de menor dimensão podem não justificar a construção de instalações autónomas, mas tornam-se comercialmente atractivas quando podem ser integradas em sistemas em funcionamento.

O aproveitamento da capacidade instalada permite distribuir os custos fixos por um volume adicional de barris, melhorar a eficiência dos activos e adiar o encerramento das operações.

Num período em que o petróleo Brent voltou a superar US$ 100 por barril, mesmo volumes incrementais podem gerar receitas significativas e melhorar a rentabilidade de projectos que utilizam infra-estruturas já amortizadas.

ExxonMobil Detém 36% Da Concessão

A ExxonMobil opera o Bloco 15 e possui uma participação de 36%.

A Azule Energy, empresa conjunta criada pela BP e pela Eni para as respectivas operações em Angola, controla uma participação agregada de 42% através de duas entidades.

A Equinor detém 12%, enquanto a petrolífera nacional Sonangol participa com os restantes 10%.

A composição reúne alguns dos principais operadores internacionais presentes no sector petrolífero angolano e permite partilhar os custos e os riscos associados à exploração em águas profundas.

O desenvolvimento da nova descoberta exigirá uma decisão conjunta dos concessionários, baseada nas estimativas de reservas recuperáveis, nos custos de ligação e nas perspectivas para os preços internacionais.

Reformas Fisc Fiscais Sustentam Exploração Adicional

O Presidente do Conselho de Administração da ANPG, Paulino Jerónimo, atribuiu a continuidade da exploração no Bloco 15 às reformas fiscais e regulatórias adoptadas por Angola.

Entre as medidas encontra-se a extensão da licença da concessão até 2032, proporcionando aos operadores um horizonte adicional para realizar investimentos e recuperar o capital aplicado.

O Governo angolano introduziu também incentivos destinados à produção incremental e à exploração nas proximidades de campos e infra-estruturas existentes.

Estas medidas procuram tornar economicamente viáveis volumes que poderiam permanecer por desenvolver ao abrigo das condições fiscais aplicáveis aos grandes projectos convencionais.

A extensão das concessões e a revisão dos termos fiscais fazem parte da estratégia angolana para atrair novo investimento para bacias maduras, prolongar a produção dos campos e limitar o declínio das receitas petrolíferas.

Angola Procura Conter Declínio Da Produção

Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África Subsaariana, depois da Nigéria, mas enfrenta há vários anos uma redução da produção resultante do envelhecimento dos campos e da insuficiência de novas descobertas de grande dimensão.

A manutenção dos níveis produtivos exige investimento contínuo em exploração, recuperação melhorada e desenvolvimento de reservas localizadas nas proximidades dos sistemas existentes.

Descobertas como Vicango Este-01 não eliminam isoladamente a tendência de declínio, mas podem desacelerá-la, prolongar a utilização dos activos e preservar receitas de exportação.

O petróleo continua a possuir um peso determinante nas exportações, receitas fiscais e disponibilidade de moeda externa em Angola. Qualquer redução significativa da produção possui efeitos sobre as contas públicas, a balança de pagamentos e a capacidade de financiamento da economia.

A estratégia passa, deste modo, por combinar a procura de novas fronteiras exploratórias com o aproveitamento de recursos adicionais nos blocos maduros.

Petróleo Acima De US$ 100 Melhora Economia Do Projecto

A recuperação do Brent para valores superiores a US$ 100 por barril melhora as condições económicas para avaliar e desenvolver descobertas incrementais.

Preços mais elevados aumentam a receita potencial de cada barril e podem justificar investimentos que seriam menos atractivos num mercado de petróleo mais barato.

O custo final de Vicango Este-01 poderá ser inferior ao de um novo projecto autónomo, devido à proximidade das infra-estruturas existentes. Esta vantagem pode reduzir o preço mínimo necessário para tornar a produção rentável.

A valorização do petróleo também aumenta as receitas potenciais do Estado através de impostos, participações e outros mecanismos previstos no regime da concessão.

O benefício dependerá da dimensão comercial do reservatório, do calendário de desenvolvimento e da capacidade de conter os custos de perfuração e instalação submarina.

Descoberta Compra Tempo Para A Indústria Angolana

A nova descoberta confirma que os blocos maduros ainda podem gerar oportunidades quando a exploração é combinada com dados geológicos, infra-estruturas disponíveis e condições fiscais ajustadas.

Para Angola, o resultado representa a possibilidade de acrescentar produção sem esperar pela construção de um novo complexo offshore de grande dimensão.

O aproveitamento dos recursos próximos das plataformas existentes pode sustentar exportações, receitas públicas, contratação de serviços petrolíferos e utilização da capacidade instalada.

A 20.ª descoberta no Bloco 15 não altera, por si só, o desafio estrutural do declínio da produção angolana. Prolonga, contudo, o valor económico de uma das concessões mais importantes do país e oferece tempo adicional para desenvolver novas reservas e diversificar a base produtiva.