Dólar Atinge Máximo de Três Meses Com Subida das Yields dos Treasuries

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Índice da moeda norte-americana alcança 101,66 pontos depois de valorizar 2% em Setembro, enquanto euro recua para US$ 1,1317 e subida dos juros de longo prazo nos Estados Unidos reforça a atractividade dos activos denominados em dólares.

Questões-Chave:

  • Índice do dólar atingiu 101,66 pontos, o nível mais elevado desde 25 de Junho;
  • Moeda norte-americana acumulou uma valorização de 2% em Setembro;
  • Euro recuou 0,11%, para US$ 1,1317, depois de perder quase 2,5% em Setembro;
  • Libra caiu 0,1%, para US$ 1,32495, após uma desvalorização mensal de 2,1%;
  • Dólar avançou 0,54% face ao yen, para 158,29 yen por dólar;
  • Investidores reduziram as expectativas de uma subida dos juros da Reserva Federal em Outubro;
  • Yields dos Treasuries de dez e 30 anos permanecem próximas dos máximos atingidos na sessão anterior;
  • Inflação, deterioração das finanças públicas e aumento das emissões de dívida pressionam os mercados obrigacionistas globais.

O dólar atingiu esta quinta-feira, 1 de Outubro, o nível mais elevado em mais de três meses, prolongando a valorização registada em Setembro, à medida que a subida das yields dos títulos do Tesouro norte-americano reforça a procura pela moeda dos Estados Unidos.

O índice que mede o desempenho do dólar face a um conjunto das principais moedas internacionais chegou aos 101,66 pontos, máximo desde 25 de Junho. O movimento prolonga a valorização de cerca de 2% acumulada pela moeda norte-americana em Setembro.

A subida ocorre apesar de os investidores terem reduzido as expectativas de um aumento da taxa de juro da Reserva Federal já em Outubro. Dados recentes mostraram que a inflação norte-americana avançou menos do que o esperado em Agosto e que o resultado de Julho foi revisto em baixa, diminuindo a pressão imediata sobre a Fed para apertar novamente a política monetária.

A dinâmica recente mostra, contudo, que a trajectória do dólar está a responder também ao mercado obrigacionista. As yields dos Treasuries de longo prazo continuam elevadas, aumentando a remuneração relativa dos activos denominados em dólares e oferecendo suporte à moeda norte-americana.

Yields De Longo Prazo Ganham Peso Na Trajectória Do Dólar

A alteração das expectativas sobre a Fed provocou algum recuo das yields dos títulos de prazo mais curto. O movimento não se estendeu, porém, com a mesma intensidade à parte longa da curva.

As yields dos Treasuries de dez e 30 anos atingiram novos máximos na sessão anterior e permaneciam próximas desses níveis na quinta-feira.

Ray Attrill, responsável pela estratégia cambial do National Australia Bank, considera que o dólar está actualmente a mostrar maior sensibilidade ao comportamento dos Treasuries de dez anos do que às expectativas sobre o momento da próxima subida dos juros pela Fed.

Enquanto as yields permanecerem elevadas, acrescenta o analista, essa dinâmica tende a oferecer suporte ao dólar.

O comportamento evidencia a importância da relação entre mercado obrigacionista e mercado cambial. Yields mais elevadas aumentam o retorno oferecido pelos activos norte-americanos e podem favorecer fluxos de capitais para instrumentos denominados em dólares.

Obrigações Globais Sofrem Forte Pressão

O movimento nos Estados Unidos integra uma pressão mais ampla sobre os mercados internacionais de dívida.

As obrigações globais registaram em Setembro a maior queda mensal em vários anos, empurrando as respectivas yields para níveis superiores.

A deterioração das finanças públicas, o elevado volume de novas emissões de dívida e a persistência das pressões inflacionistas estiveram entre os factores que penalizaram os mercados obrigacionistas.

As preocupações com os preços internacionais da energia acrescentam outra variável. A inflação na zona euro acelerou, reforçando os receios de que custos energéticos elevados continuem a transmitir pressões sobre os preços nas principais economias.

Esta combinação cria um ambiente particularmente complexo para os bancos centrais: inflação persistente limita o espaço para políticas monetárias menos restritivas, enquanto yields elevadas aumentam os custos de financiamento de governos, empresas e famílias.

Euro Cai Para US$ 1,1317 Depois De Perder 2,5% Em Setembro

A valorização do dólar voltou a pressionar a moeda europeia.

O euro recuava 0,11%, para US$ 1,1317, durante a sessão asiática de quinta-feira, depois de ter acumulado uma perda de quase 2,5% em Setembro, a maior queda mensal desde Julho de 2025.

O desempenho da moeda europeia reflecte simultaneamente a força do dólar e preocupações relacionadas com dívida pública e energia na Europa.

A aceleração da inflação na zona euro reforça a complexidade deste quadro. Preços energéticos elevados podem manter a inflação pressionada e condicionar as decisões de política monetária, num momento em que várias economias europeias enfrentam também preocupações fiscais.

A combinação entre yields norte-americanas elevadas e vulnerabilidades económicas europeias amplia, desta forma, o diferencial que actualmente favorece o dólar no mercado internacional.

Libra Recua Para US$ 1,32495

A libra esterlina acompanhou a tendência.

A moeda britânica cedia 0,1%, para US$ 1,32495, depois de ter perdido 2,1% durante Setembro.

Tal como aconteceu com o euro, parte importante da pressão sobre a libra decorreu da valorização generalizada da moeda norte-americana.

Os movimentos do euro e da libra mostram que o avanço recente do dólar não está concentrado numa única relação cambial. A moeda norte-americana tem vindo a ganhar terreno perante diferentes moedas importantes, sustentada pela combinação entre yields elevadas e procura por activos em dólares.

Risco De Intervenção Limita Queda Do Yen

No Japão, a dinâmica apresenta características diferentes.

O dólar avançava 0,54%, para 158,29 yen, depois de ter recuado 1,4% perante a moeda japonesa em Setembro.

O yen foi a moeda com melhor desempenho entre as divisas do G10 durante o mês anterior, num contexto em que os investidores permanecem atentos à possibilidade de intervenção das autoridades japonesas no mercado cambial.

Kit Juckes, estratega-chefe de câmbio do Société Générale, considera que a relutância dos investidores em assumir posições que possam ser surpreendidas por uma intervenção está a influenciar o comportamento da moeda japonesa.

Ao mesmo tempo, a política monetária japonesa continua sob atenção. O resumo das opiniões da reunião de Setembro do Banco do Japão mostrou que alguns responsáveis consideram necessário acelerar o ritmo de subida dos juros ou aproximá-los mais rapidamente do nível pretendido pela instituição.

A combinação entre risco de intervenção e possibilidade de maior aperto monetário ajuda a limitar a desvalorização do yen, mesmo perante a actual força do dólar.

Dólares Australiano E Neozelandês Atingem Novos Mínimos

A valorização da moeda norte-americana estendeu-se também às moedas da Oceânia.

O dólar australiano caiu para US$ 0,6940, o nível mais baixo em dois meses, depois de dados domésticos mostrarem uma inflação ligeiramente inferior às previsões.

O resultado levou os investidores a reduzir as expectativas de nova subida dos juros pelo Reserve Bank of Australia no curto prazo.

O dólar neozelandês recuou igualmente, atingindo US$ 0,5618, o nível mais baixo desde Novembro de 2025.

Estes movimentos reforçam a amplitude da valorização do dólar no início de Outubro.

Dólar Entra Em Outubro Sustentado Pelo Mercado Obrigacionista

O comportamento das principais moedas mostra uma alteração importante na leitura do mercado.

A redução das expectativas de uma subida dos juros da Fed em Outubro poderia, isoladamente, retirar suporte ao dólar. A persistência de yields elevadas nos Treasuries de longo prazo está a produzir uma força em sentido contrário.

A evolução da moeda norte-americana passa, por isso, a estar estreitamente ligada à trajectória das yields, à inflação e à percepção dos investidores sobre a sustentabilidade das finanças públicas nas principais economias.

Para as economias emergentes e importadoras, um dólar internacionalmente mais forte pode aumentar o custo em moeda local das importações denominadas em dólares e influenciar os fluxos internacionais de capitais.

No caso de Moçambique, esta variável ganha particular relevância num período marcado por constrangimentos no acesso a divisas. Mesmo perante uma relativa estabilidade da taxa de câmbio oficial do metical face ao dólar, alterações significativas nas principais relações cambiais internacionais podem repercutir-se sobre o custo de bens e serviços adquiridos noutras moedas.

Analistas apontam a evolução das yields dos Treasuries, os próximos indicadores de inflação e as expectativas sobre a política monetária da Reserva Federal como referências centrais para a trajectória do dólar nas próximas sessões. A manutenção dos juros de longo prazo em níveis elevados poderá continuar a sustentar a moeda norte-americana, mesmo que o mercado atribua menor probabilidade a uma subida imediata da taxa directora da Fed.