As empresas públicas ferroviárias de Moçambique (CFM) e da África do Sul (Transnet) passam a operar comboios sem interrupção (seamless trains), reduzindo assim os tempos de trânsito e com impacto na busca de soluções logísticas mais eficientes e mais económicas aos utentes.

Efectivamente, o novo modelo operacional, remove a fronteira física, dando lugar a um corredor sem fronteiras. A principal alteração reside no facto de a operadora ferroviária moçambicana passar a fazer comboios de longo curso no território sul-africano

É, sobretudo, um ganho importante para o sistema ferroviário moçambicano, que é muito dependente da África do Sul, ao que as autoridades moçambicanas classificaram de “novo paradigma de soluções logísticas”.

Nos termos do entendimento entre as partes, os comboios operados pela empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e a sul africana Transnet Freight Rail da África do Sul (TFR) passam a atravessar a fronteira de Ressano Garcia sem restrições, nem necessidade de troca de equipamento rolante, como resultado do contrato assinado semana finda, 01/07, pelos dirigentes das duas empresas ferroviárias. Numa fase inicial, serão 21 comboios de chrome e ferrochrome, por semana, contra os actuais 15 comboios semanais.

O Ministro dos Transportes e Comunicações, Mateus Magala, interpreta o acontecimento como algo que “vai para além de um simples contrato”, reflectindo uma “forma de melhorar a competitividade do corredor” e o refletindo “posicionamento da região no mercado internacional.

O ministro Magala, destacou, como ganhos da iniciativa, a consolidação da complementaridade dos sistemas, melhorando a eficiência e a competitividade. “Os nossos sistemas logísticos são complementares e quando usados de forma integrada agregam valor a economia e servimos melhor os utentes”, disse o Ministro, acrescentando que com este novo modelo operacional o corredor torna-se mais competitivos, eficientes e focado na prestação de um serviço de qualidade. O ministro também chamou atenção aos desafios prevalecentes entre eles a necessidade do aumento da carga manuseada nos portos nacionais, integração de sistemas ferro portuários, com recurso a tecnologias de informação comunicação, bem como a melhoria da oferta e qualidade do transporte ferroviário de passageiros.

A situação não é boa do lado sul africano

Embora o ministro faça referência a complementaridade dos sistemas, o facto é que a situação deverá beneficiar de forma mais expressiva o lado moçambicano que poderá ver aumentadas as chances de atrair mais trafego e carga sul-africana, que como se sabe é responsável por 92% do volume de mercadorias manuseada no Porto de Maputo, numa altura em que o lado sul-africano enfrenta constrangimentos operacionais e de sustentabilidade significativos.

A Transnet passa por um momento particularmente conturbado, contexto no qual vários círculos locais apontam o caminho da privatização desta empresa pública como medida para colocar a empresa de volta aos carris e “salvar destruição da economia sul-africana”

Problemas associados a má gestão, corrupção, roubos e vandalização de infraestruturas têm estado a colocar em causa todo o sistema ferro portuário sul-africano. Recentemente, um agente económico sul-africano veio a público expor a situação, revelando a paralisação de guindastes moveis no porto da Cidade do Cabo.

Há referências de que a linha de Richards Bay, as empresas de carvão estão a carregar 30% menos do que no ano passado, por causa do vandalismo e da falta de composições ferroviárias. A linha de Joanesburgo para Durban, que empregava 60 maquinistas que trabalhavam em turnos, nos comboios que transportavam contentores e viaturas, agora não tem sequer um. Isto em Março deste ano. Na mesma altura, havia referências de que a linha estava praticamente inactiva, facto que estava ter consequências desastrosas para o sector exportador sul-africano, particularmente a indústria automóvel.(OE)

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.