
Países desenvolvidos devem se abster de subir as taxas de juros
A recomendação vem da ONU, através do seu Chefe de Departamento sobre o Comércio e Desenvolvimento, Rolf Traeger, que destaca a necessidade de cooperação para apoiar retoma económica global.
Espera-se que a redução das estimativas de crescimento venha a ter mais impacto em países de média e baixa renda, sentido em que,o aumento da taxa de juros e o fim dos estímulos económicos implementados durante a pandemia estão a afectar a capacidade de recuperação dos países em desenvolvimento.
A redução da estimativa de crescimento global terá maiores impactos nos países de média e baixa rendas, afirma especialista da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento,
Rolf Traeger, afirma que as decisões de países ricos têm grande importância na redução dos efeitos da crise económica gerada pela guerra na Ucrânia em países menos avançados.
Recuperação económica
Em entrevista à ONU News, Rolf Traeger, que destaca a necessidade de cooperação para apoiar retoma económica global, o quadro sénior da ONU, explicou que medidas como o aumento da taxa de juros e o fim dos estímulos económicos implementados durante a pandemia afectam a capacidade de recuperação dos países em desenvolvimento.
“O papel desempenhado pelas políticas adoptadas pelos países desenvolvidos tem consequências mundiais. Por exemplo, o facto de os Estados Unidos terem começado a aumentar as taxas de juros, bate directo no serviço da dívida dos países endividados. Então, uma das recomendações [do relatório da Unctad] é que os países centrais, ou seja, América do Norte, Europa Ocidental, Japão…, se abstenham de prosseguir nessa trajetória de aumento do nível da taxa de juros”, afirmou Traeger.
Traeger lembra ainda que os países mais vulneráveis já vivem em cenário fragilizado há mais de dois anos e que as populações mais pobres, tanto em nações menos avançadas como em países desenvolvidos, são as mais afetadas pela situação macroeconómica, especialmente a alta no preço dos alimentos.
“O primeiro impacto e o mais brutal dessa crise foi o aumento no preço dos alimentos. O que acontece com as camadas de renda mais baixa da população, de qualquer país, é que eles dedicam uma parte muito importante da renda da família na aquisição de alimentos. Como já teve o impacto imediato sobre o preço de alimento, isso vai bater imediatamente no orçamento das famílias pobres. Tem que pensar que em 2022 o nível internacional do preço de alimentos, medido pela FAO é o mais alto desde 1971”, afirmou.
O último índice da FAO, divulgado em março, sinalizou para um aumento recorde em diversos alimentos.
O alerta da UNTACD vai no sentido das possíveis instabilidades geradas em decorrência da alta dos preços e escassez de alimentos. Citando as crises de 2008 e 2011, Rolf Traeger lembra que foi também o momento de diversas manifestações pelo mundo, como a Primavera Árabe.
Para ele, o problema pode ser agravado pela falta de insumos agrícolas largamente exportados por Rússia e Ucrânia, como os fertilizantes, que deve gerar um impacto na produção da safra corrente e na disponibilidade de alimentos para o próximo ano.

África
Destacando outra diferença na recuperação econômica entre os países de alta e baixa rendas, Traeger lembrou que a expectativa era que o crescimento de nações menos avançadas levasse mais tempo para voltar aos níveis anteriores ao da crise de saúde. De acordo com o representante da UNTACD, a guerra na Ucrânia pode atrasar ainda mais a retomada nestes países.
Para Rolf Traeger, as políticas dos países mais desenvolvidos são chave nessa retomada econômica mundial.
Além de conter a taxa de juros, ele recomenda a cooperação entre Bancos Centrais para evitar o enfraquecimento da moeda de economias menos avançadas e a implementação de medidas mais diversas para conter a inflação em nações desenvolvidas.













