
Adopção de tecnologias digitais pelas empresas africanas enfrenta várias barreiras significativas, é desigual e limitada – “Digital Opportunities in African Businesses”
A adoção de tecnologias digitais por empresas africanas ainda é desigual e limitada. Menos de uma em cada três empresas que adoptaram tecnologias digitais as utilizam intensivamente para fins comerciais, um fenómeno definido como “digitalização incompleta”. Novas evidências do estudo “Digital Opportunities in African Businesses” mostram que 86% das empresas com cinco ou mais trabalhadores têm acesso a um ou mais facilitadores digitais, como telefone móvel, computador ou internet. No entanto, 23% dessas empresas não utilizam essas tecnologias para tarefas produtivas, como gestão de negócios, planeamento, vendas e pagamentos. Além disso, 39% adoptam tecnologias digitais para essas funções, mas não de forma intensiva.
Há uma variação significativa na adopção e uso da digitalização entre os países africanos, impulsionada principalmente pelo tamanho das empresas. Por exemplo, em países de renda média como Gana, Quênia e Senegal, 57% das empresas com cinco ou mais trabalhadores adoptam computadores e internet, em comparação com 44% em países de baixa renda como Burkina Faso, Etiópia e Malawi. Empresas grandes e de médio porte tendem a fazer uso mais pleno da digitalização, indica o “Digital Opportunities in African Businesses”, da International Finance Corporation (IFC), tornado público recentemente.
Efeitos económicos da digitalização nas empresas africanas
A digitalização tem o potencial de aumentar a produtividade, os empregos e o crescimento económico das empresas africanas. A chegada de internet de alta velocidade na África já resultou em ganhos de produtividade e crescimento na produção e no emprego, impulsionados pela entrada de empresas domésticas e pelo investimento estrangeiro direto. No entanto, diz o relatório da pesquisa, esses ganhos podem ser limitados se a disponibilidade de internet não se traduzir em uso intensivo de tecnologias digitais.
Pesquisas do livro “Digital Opportunities in African Businesses” mostram que cada etapa no processo de digitalização é importante. Ganhos de produtividade a nível empresarial têm sido impulsionados pela adopção de tecnologias digitais para funções empresariais gerais, como gestão, vendas e pagamentos. Mais de 600.000 empresas formais com cinco ou mais trabalhadores e até 40 milhões de microempresas em África têm alto potencial para se beneficiar de actualizações digitais. No entanto, os efeitos económicos gerais podem ser limitados se a digitalização não for expandida para microempresas e negócios informais, que representam a maior parte do emprego em África.
Barreiras na adopção de tecnologias digitais em África
A adoção de tecnologias digitais pelas empresas africanas enfrenta várias barreiras significativas. Entre elas, estão a infraestrutura digital e elétrica complementar deficiente, os altos preços da tecnologia, os baixos níveis de capital humano e capacidades empresariais, e o acesso limitado ao financiamento. Equipamentos e softwares digitais custam mais, em termos de dólares americanos, na África do que em outras regiões, o que desestimula a adoção pelas empresas.
Novos conjuntos de dados apresentados no livro “Digital Opportunities in African Businesses” revelam que máquinas e equipamentos são 35–39% mais caros na África Subsaariana e 13–15% mais caros no Norte da África, em comparação com os Estados Unidos. Além disso, fatores como infraestrutura digital, electricidade e trabalhadores altamente qualificados são relativamente escassos e caros em África. “Essas barreiras, tanto do lado da demanda quanto da oferta, dificultam a acessibilidade e difusão de tecnologia no continente”. Sublinha o estudo, que acrescenta que são necessárias políticas para desbloquear investimentos privados na digitalização
Entretanto, o estudo refere que, apesar das barreiras significativas, os altos custos de adopção digital também podem criar oportunidades para provedores de negócios digitais e o sector financeiro. “Melhorar a cobertura da infraestrutura digital pode aumentar a qualidade dos facilitadores digitais, como conexão à internet e uso de computação em nuvem, facilitando o acesso a aplicativos avançados. Startups de tecnologia podem projectar novas aplicações e plataformas digitais que ofereçam soluções acessíveis e fáceis de usar para realizar funções empresariais específicas”.
A chegada de novos cabos submarinos é percebida pelo estudo, que África pode reduzir o preço da conectividade, se as reformas regulatórias incentivarem o investimento na infraestrutura digital de médio e último quilômetro. Além disso, acrescenta, o financiamento adicional para startups de tecnologia pode permitir maior inovação e difusão de tecnologias digitais. “Para possibilitar o uso produtivo de tecnologias digitais, é crucial aumentar o acesso ao financiamento tanto para startups de tecnologia digital quanto para empresas de todos os setores. Reduzir tarifas sobre bens digitais e facilitar a integração de mercado de soluções de negócios digitais também tornaria a tecnologia mais acessível e ajudaria a promover a digitalização em toda a África”. Recomenda o “Digital Opportunities in African Businesses”, da IFC.
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